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  Ano VIII n° 2.147 • 23 de novembro de 2015
 

Vigilantes de carro-forte protestam
contra assaltos e mortes



Passeata bloqueia faixas da Rodovia Santos Dumont, em Campinas

Trabalhadores no setor de transporte de valores saíram às ruas hoje (23) em Campinas e Ribeirão Preto, Interior de São Paulo, para protestar contra os crescentes ataques a carros-fortes e empresas de valores.

Os protestos, que tiveram forte adesão da categoria, foram liderados pelo Sindicato dos Trabalhadores no Transporte de Valores e Escolta Armada no Estado de São Paulo (SindForte).

Em Campinas, mais de mil trabalhadores saíram do Jardim Nova Mercedes, em passeata pela Rodovia Santos Dumont. Os manifestantes seguiram um percurso de seis quilômetros em direção ao Largo do Pará, no Centro. Em Ribeirão Preto, houve concentração na avenida da Saudade, Campos Elíseos, bairro mais populoso da cidade.

O presidente do SindForte, João Passos, destaca que se não houver melhoria na segurança, “o movimento será estendido a todo o Estado, podendo se tornar nacional”. O sindicalista informa que nesta segunda também ocorreram protestos em Goiás, Rio de Janeiro e no Estado do Pará. “As empresas não têm preocupação com a vida dos trabalhadores”, denuncia.

A categoria cobra providências que garantam mais segurança na atividade. Recentemente, uma quadrilha fortemente armada invadiu a empresa Prosegur, no Jardim Nova Mercedes, em Campinas. No início do mês, um bando com oito homens explodiu um carro-forte e matou um dos vigilantes em um assalto na Rodovia Antônio Machado Sant’Anna, na região de Ribeirão Preto.


Presidente João Passos

Segurança - Segundo o Sindicato, é preciso que governos e empresariado busquem formas de proteger os profissionais. “Atualmente, as medidas instituídas tentam impedir que os bandidos levem o dinheiro. Mas não há medidas sendo adotadas que aumentem a segurança dos trabalhadores, como um reforço no armamento e da blindagem dos veículos”, diz Lúcio Cláudio de Sousa Lima, diretor do SindForte.

Pleitos - Os vigilantes reivindicam ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal porte e uso de armas mais potentes, enquadramento do assassinato de vigilante como crime hediondo e redução do volume de dinheiro transportado em carros-fortes.

Mais informações: www.sindforte.org.br

Ministério do Trabalho notifica empresas elétricas



Evento lota auditório da SRTE 

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo notificou mais de 40 grandes empresas do setor elétrico, que deverão apresentar documentos e prestar esclarecimentos à fiscalização em função do grande aumento no número de acidentes no setor. A operação começou quinta (19) no auditório da Superintendência.

A ação foi deflagrada após denúncia do Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo (Stieesp). Na primeira etapa, os auditores fiscais vão apurar os documentos recebidos e verificar o atendimento de normas laborais. Na sequência, serão inspecionadas as instalações das empresas, os ambientes de trabalho e as condições em que o serviço é realizado.

O evento na SRTE teve representantes do Ministério Público do Trabalho, dos Sindicatos dos Eletricitários e dos Engenheiros, do setor de Fiscalização de Saúde e Segurança do Trabalho da Superintendência e do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec).

Mais informações: www.mte.gov.br

Termina com vitória greve na Codesavi em São Vicente


Os 1.250 empregados da companhia de desenvolvimento de São Vicente (Codesavi) retornaram ao trabalho na quinta (19), após nove dias em greve. Em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil (Sintracomos), a categoria aceitou proposta conciliatória do Tribunal Regional do Trabalho.

A proposta prevê o pagamento até 25 de novembro do tíquete-alimentação dos empregados, de R$ 393 (administrativos) e R$ 456 (operacionais) – atrasado desde o dia 10, no valor aproximado de R$ 600 mil. Os cerca de 300 empregados que estão com três salários atrasados devem receber o débito em seis parcelas iguais.

Acordo - O tribunal também garantiu estabilidade de 60 dias para a maioria dos empregados e até maio para os que estão com os salários atrasados, além do pagamento dos dias parados.

Mais informações: www.sintracomos.org.br

Confederação denuncia prática antissindical na Gerdau



Sindicalistas na sede da CNM

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) reuniu quarta (18), em São Bernardo do Campo (SP), seis Sindicatos que têm em suas bases unidades da Gerdau. Os dirigentes querem uma audiência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para debater medidas de estímulo ao setor siderúrgico no País.

Eles também debateram propostas de ação para se contrapor aos ataques a direitos e às práticas antissindicais da empresa, que não quer cumprir acordos coletivos já assinados em três bases e nem assinar acordos nas outras três.

A Gerdau quer trocar o reajuste por abono salarial e tem pressionado os metalúrgicos a assinarem uma lista concordando com essa proposta, que já foi rejeitada em assembleias feitas com os trabalhadores nas plantas de Sapucaia do Sul (RS), Pindamonhangaba (SP), Araçariguama (SP), Vitória (ES), Recife (PE) e Parnamirim (RN).

A CNM/CUT formalizará denúncia contra a Gerdau junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT) e à IndustriALL Global Union (federação internacional da indústria).

Mais informações: www.cnmcut.org.br

Quase 50% dos brasileiros acessam internet


Numa população de 203 milhões de habitantes, o Brasil conta com 95,4 milhões de pessoas que utilizam a rede. O número de acessos cresceu 11,4%, registra a última Pnad do IBGE.

A pesquisa mostra que já chega a 13,7% a porcentagem de usuários acima dos 60 anos de idade. Celulares – 137 milhões de brasileiros acima dos 10 anos de idade possuem aparelho.


Jovens negros temem não chegar aos 35 anos nos EUA


Estudo divulgado nos Estados Unidos revela que apenas metade dos jovens afro-americanos está confiante de que vai chegar aos 35 anos. O número é ainda mais baixo, 38%, no caso dos migrantes mexicanos, diz o Journal of Health and Social Behavior.

Entre a população branca, o percentual sobe para 66%. O trabalho ouviu 171 mil pessoas, com idade entre 12 e 25 anos. (Fonte: Agência Lusa)

Produção de petróleo e gás cresce em outubro

A quantidade média de petróleo e gás natural produzida pela Petrobras no Brasil foi de 2,57 milhões barris de óleo equivalente por dia (boed) em outubro, um crescimento de 1,6% em relação ao mês anterior, quando registrou 2,53 milhões. A produção de óleo e gás a partir da camada pré-sal se manteve acima do patamar de 1 milhão de boed, atingindo 1,005 milhão.

 
Superar a desigualdade é tarefa urgente da sociedade

Murilo Celso de Campos Pinheiro

A comemoração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, numa bela homenagem a Zumbi dos Palmares, é momento propício a uma reflexão essencial sobre a necessidade premente de a sociedade brasileira superar desigualdades e injustiças que remontam séculos atrás. Pesa ainda hoje sobre nós o triste passado de escravidão e está mais do que evidente ser urgente dar fim à herança nefasta que essa tragédia histórica nos legou. A tarefa que se coloca a todos é erradicar a discriminação e o preconceito que ainda atingem a população afrodescendente, a qual representa mais da metade dos habitantes do País.

Por sinal, alguns números dão a dimensão dessa situação. Embora sejam 52,9% da população, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013, os negros são minoria, por exemplo, no mundo acadêmico – do total de 387,4 mil pós-graduandos, apenas 112 mil são negros. O mesmo se dá nos cargos de representação política: na Câmara dos Deputados, quase 80% dos parlamentares se declararam brancos. Também são minoria nos cargos de chefia, conforme levantamento do Instituto Ethos. Em 2010, apenas 13,2% dos quadros executivos das 500 maiores empresas do Brasil eram negros. A situação melhorava um pouco nos níveis de gerência (25,6%) e supervisão (31,1%). Temos ainda aspectos mais trágicos desse contexto. Os dados apurados pelo Mapa da Violência no Brasil mostram que em 2012 registraram-se 56.337 assassinatos no País, sendo quase metade das vítimas jovens e negros.

Desconstruir esse quadro perverso exige empreender um esforço coletivo de transformação da nossa realidade. O primeiro ponto a ser observado aqui é que extirpar o racismo da nossa dinâmica social certamente beneficiará os indivíduos e comunidades que são vítimas diretas dessa forma de intolerância, mas também nos colocará num patamar mais elevado como seres humanos, cidadãos e nação. Portanto, esse avanço imprescindível interessa a todos.

A partir dessa conscientização, é preciso lançar mão de todos os meios para se atingir tal objetivo. Isso passa pela educação e cultura, mas também por políticas públicas e legislação. Um instrumento nesse sentido é o Estatuto da Igualdade Racial, a Lei 12.880/2010, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que em 65 artigos traz orientações gerais positivas, mas, para ter efeito prático, depende de normas específicas ainda inexistentes, além da participação e comprometimento dos órgãos públicos e do setor privado.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) vem propondo um interessante debate sobre a celebração do bicentenário da Independência, que acontecerá em 2022, e como atuar nesses sete anos que temos até lá para dar um salto no nosso nível socioeconômico e cultural. Parece-nos que, nesse contexto, uma belíssima meta a se atingir seria a igualdade racial.

Murilo Celso de Campos Pinheiro é presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo. Editorial publicado na edição nº 486 do Jornal do Engenheiro (16 a 30/11/2015)



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