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Livreto produzido pela Agência Sindical
4 de fevereiro de 2011

Para o Brasil seguir mudando

*Por Antonio Neto ........................................................................................................

As Centrais Sindicais brasileiras estão unidas na luta pelo aumento real do salário mínimo em 2011, ou seja, para R$ 580,00. Esta luta não chega a ser nenhuma novidade. Já fizemos marchas a Brasília reivindicando aumento real
do mínimo. Durante a última campanha eleitoral, a continuidade da política do governo Lula de aumentos reais para o mínimo, inclusive 2011, foi uma das principais bandeiras da presidenta Dilma, sacramentada no comício de São Miguel Paulista, com a presença dos presidentes das Centrais Sindicais.
 
Em 2004 e 2005, o presidente Lula deu aumento real de 8,23% e 13,4%, respectivamente, índices bem acima do crescimento do PIB e não houve nenhum estouro das contas da Previdência ou da inflação, como assombravam os velhos fantasmas da política brasileira.

A partir de 2005, as Centrais consideraram mais interessante para os trabalhadores e para o País uma política de recuperação permanente do mínimo, a longo prazo, até 2023, visando a restituição do seu valor constitucional. Hoje,
o nosso mínimo ainda é uma vergonha. É quatro vezes menor que o seu valor constitucional, tem 40% do valor de quando foi instituído por Getúlio Vargas e é a metade do salário mínimo da Argentina.

Em 2007, o aumento real foi de 5,1%; em 2008 foi de 4,3% e, em 2009, de 6,2%. Graças a esta política o Brasil fortaleceu o seu mercado interno, tirou milhões de brasileiros da miséria, garantiu empregos e criou uma barreira que impediu que
a crise internacional devastasse nossa economia, como aconteceu pelo mundo afora.

O que não faz nenhum sentido é logo no primeiro ano de governo da presidenta Dilma não ter aumento real, interrompendo uma série de seis anos seguidos de recuperação do salário mínimo. Isso seria um retrocesso. O aumento do mínimo estimula o crescimento de todos os outros salários. É a garantia da continuidade do crescimento econômico e, portanto, de mais empregos.

A conversa fiada de que o aumento real do mínimo vai pressionar a inflação não tem nada a ver com a realidade. A pressão sobre a inflação brasileira vem de fora, é a especulação das commodities promovida pelas multinacionais. Não é
à toa que o Banco Central está criando um índice para medir o impacto da especulação das commodities e não do aumento do salário mínimo. Arrochar salário, cortar investimentos públicos e custeio não vai resolver o problema.
É querer fugir dele, portanto, agravá-lo. É a receita dos derrotados nas últimas eleições.

Antonio Neto
é presidente da CGTB
- Central Geral dos Trabalhadores do Brasil