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Livreto produzido pela Agência Sindical
18 de abril de 2011


*Por João Franzin.................................................................................................................

Quem faz a história? Todos nós. E muitas vezes, ainda mais, os anônimos, os abnegados, os imprescindíveis e silenciosos obreiros que operam mudanças cotidianas, permanentes, distantes dos holofotes e dos fatos grandiosos.

Aliás, num belo livro (O Fator Humano), o grande Graham Greene mostra isso bem. Na trama, tendo como pano de fundo a Guerra Fria, um importante agente do comunismo está para cair, e a Inteligência resolve que ele precisa sair (na verdade, evadir-se) da Inglaterra.

E é com surpresa que ele se vê mandado para uma singela livraria, que costuma frequentar. Lá, o livreiro tem prontos os documentos e todo o mais para que o agente possa escapar, com segurança.

Viajei semana passada, a trabalho, com um professor. Já com certa idade, e a saúde não muito boa, ele foi me contando seu trajeto, iniciado em Apiaí, e depois tantas e tantas ações na área da educação e da organização dos cidadãos.

Entre seus relatos, sempre com a calma dos que andam em paz com a consciência, ele me falou da luta, lá atrás, em prol da educação rural e, mais recentemente, do trabalho frutífero pela erradicação do trabalho infantil.

Causa -
Estávamos, ambos, indo para uma atividade onde palestramos à noite. E a palestra do professor, falando direto ao coração das pessoas (enquanto eu ia pregar, imagino, para as cabeças), foi eficiente e emocionante, me fazendo recordar algo que nos ensina o Sermão da Sexagésima de uns poucos padres que respeito, o genial Antônio Vieira.

Ao final da palestra, já na parte das perguntas e respostas, o professor recomendou: abracem uma causa. Não importa qual. Abracem uma causa e se dediquem verdadeiramente a ela.

Ao longo da minha vida, conheci muitos que, paciente e persistentemente, abraçaram-se a causas nobres, que não mudaram o mundo, mas operaram transformações e melhorias efetivas em pessoas, grupos ou regiões.

Lembro, por fim, de uma palestra de Luiz Carlos Prestes, no comecinho dos anos 80, no Colégio Equipe, numa gelada manhã paulistana de domingo.

Perguntado por um aluno, compreensivelmente ansioso, o que era preciso pra ser um revolucionário, o Cavaleiro de Esperança respondeu: paciência e persistência.

Prestes, protagonista de grandes fatos da história, certamente sabia o valor das figuras silenciosas, que nunca desistem.

João Franzin é jornalista
e assessor sindical