*Por Ricardo Patah ....................................................................................................
Do Natal ao Carnaval, só deu "quinquilharia chinesa" nos principais pontos de vendas de todo o País. Esses produtos, de qualidade duvidosa, chegam ao Brasil apoiados numa rede de distribuição agressiva, a ponto de criar novos hábitos de consumo e matar a eventual concorrência que teriam em nosso mercado interno.
Que o digam as empresas de plumas e paetês, que perderam 50% do mercado no Carnaval.
Essa concorrência predatória estará na pauta da presidente Dilma Rousseff na visita à China.
Em encontro com as Centrais Sindicais, dia 11 de março, Dilma reconheceu que o Brasil importa produtos com qualidade duvidosa da China. Enquanto exporta commodities e acompanha uma drástica desindustrialização.
Dados da Fiesp indicam que, desde 2008, tal processo já provocou o fechamento de 46 mil vagas na indústria. Isso significa perder mais de 100 mil empregos diretos e indiretos, o que é muito preocupante, pois precisamos gerar mais de 2 milhões de vagas, todos os anos, para absorver a massa de trabalhadores que chega ao mercado.
Nos anos 1980, a indústria, em média, representava 27% do PIB. Hoje, está
em torno de 16%. Dados do IBGE mostram que o emprego industrial está estagnado.
Nas conversas que a presidente Dilma terá com seu colega chinês, é importante reafirmar nossa parceria com a China, que se tornou uma das principais aliadas comerciais do Brasil. Mas ainda não é o momento de reconhecer aquele país como economia de mercado, pois a concorrência chinesa é desleal. E a UGT defende que as "quinquilharias chinesas" não podem ser comercializadas no Brasil com preços mais baixos do que o seu próprio custo.
O momento é importante para o governo resgatar o vigor da indústria. Isso,
com certeza, vai ajudar o Brasil a superar a sina de sermos exportadores de commodities e importadores de manufaturados, que vem desde os tempos coloniais. Hoje, por exemplo, exportamos minério de ferro e importamos, da China, trilhos para nossas ferrovias. Para cada tonelada de minério necessário
à produção dos mesmos trilhos, recebemos em torno de R$ 231,00, mas pagamos aos chineses R$ 1.415,00. E ainda deixamos na China empregos que poderiam ser criados aqui mesmo.
Todos sabemos que as tão sonhadas produtividade e competitividade industrial não surgirão por decreto. Mas avançarão com o aumento da defesa comercial,
a melhora no gerenciamento do câmbio e a reforma tributária. O controle alfandegário das fronteiras e dos portos também precisa ser aprimorado, pois é por aí que entram os "importados" sem pagar impostos ao Brasil.
A UGT está disposta a discutir o custo Brasil, que envolve um debate sério. Nessa discussão está inserido também o custo da produção, mas nós estaremos sempre atentos aos direitos trabalhistas. |
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Ricardo Patah é presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) |
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