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Livreto produzido pela Agência Sindical
5 de abril de 2011


*Por João Franzin.................................................................................................................

Encontrei num sebo da Liberdade (por R$ 8,00) e não tinha como deixar de levar pra casa esse exemplar acabado, e encadernado, da mídia tupiniquim: uma edição “extra” (especial da redentora) de O Cruzeiro, que tem na capa um Magalhães Pinto sorridente, sendo beijado por uma senhora, provavelmente da tradicional família mineira.

A publicação, de 10 de abril de 1964, é uma exaltação descarada ao golpe, textos escrotos, mas fotos muito boas (inclusive do momento da prisão do governador Arraes), onde pontifica o reacionarismo desvairado de David Nasser, que se deixa fotografar junto à máquina de escrever com a mesa de trabalho coberta de pistolas, pentes e balas. A legenda, de uma infâmia histórica, perpetra: “O jornalista continuou na Guanabara, em sua trincheira não apenas de palavras”.

E vem mais: Lacerda, Adhemar e o patrocinador da capa (afinal, a imprensa não vive de brisa) Magalhães Pinto, saudado em manchete como “o herói da revolução”.

Na reportagem histérica “São Paulo em guerra pela liberdade”, o dono daquele cofre, depois sequestrado, não só comemora, como espezinha. Adhemar de Barros, depois cassado “por corrupção” (quanto cinismo dos redentores!), deitava um poder que não tinha: “Vamos começar imediatamente o expurgo dos comunistas - Darcy Ribeiro, Jurema, Valdir Pires, Tito Ryff, Pinheiro Neto e outros canalhas”. Observe: nenhum dos citados era comunista.

Dizia mais o amigo do dr. Rui (não o Mesquita, também golpista): “Goulart bolchevizou a família brasileira. Mandou 11 mil estudantes paulistas fazerem cursos comunistas na Rússia”. O gran finale é a "marcha com Deus pela vitória”. Como diz aquele humorista, “se eu fosse Deus, mudava de nome”.

Lata do lixo - A revista, de extraordinária circulação nos anos1960, foi decaindo até a sarjeta. Meteu-se, pelo que se sabe, em íntima colaboração com a sociedade de extrema direita TFP e setores radicais da comunidade de informações. Seu último dono, Alexandre Baumgartem (depois assassinado e desovado na praia da Macumba, Rio), prestou serviços aos extremistas, e seus artigos em forma de provocação eram reproduzidos pelo Centro de Informações do Exército, como parte da campanha de descrédito do general Euler Bentes, junto aos oficiais das Forças Armadas, na época do arranjo sucessório do general-presidente Geisel.

Tudo, claro, em nome da liberdade de expressão.

João Franzin é jornalista
e assessor sindical