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Livreto produzido pela Agência Sindical
18 de março de 2011

Arreganhos

*Por João Guilherme Vargas Netto................................................................................

Algumas coisas ruins estão acontecendo na vida sindical em alguns países do mundo, que merecem a atenção de todos os dirigentes e ativistas. As notícias são, raramente, repercutidas, mas causam preocupação aos trabalhadores que delas ficam sabendo.

Nos Estados Unidos, um governador reacionário do Partido Republicano conseguiu colocar o estado de Wisconsin na primeira linha das agressões aos Sindicatos e aos direitos dos trabalhadores. Scott Walker conseguiu no senado estadual (contra os votos dos Democratas) eliminar as negociações coletivas do funcionalismo com uma legislação que agride as conquistas e os direitos sindicais de todos os trabalhadores.

A tragédia é bem maior porque seu péssimo exemplo já contaminou outros três ou quatro governadores republicanos e está na contramão da tradição progressista e sindicalista da história do Wisconsin. A AFL-CIO, central sindical dos trabalhadores norte-americanos, enfrenta com energia estes desmandos, que não podem ser tolerados e merecem nosso repúdio.

Na Alemanha, a chanceler Ângela Merkel desencadeou uma onda regressiva sobre as legislações e práticas trabalhistas européias, defendendo a total desvinculação entre reajustes salariais e inflação. Segundo ela, que aponta como atrasados os países em que o reajuste cobre automaticamente a inflação passada (entre eles a Espanha), esta prática de indexação é negativa porque “protege” os salários. Ela recomenda que as negociações – sem pressupostos – se deem em torno da produtividade.

Os reflexos foram imediatos. Na Espanha, citada por ela, e onde o patronato e as centrais sindicais estão discutindo os procedimentos da negociação coletiva, o governo socialista de Zapatero quer apressar (contra a resistência das centrais sindicais) os resultados para poder anunciá-los no Conselho Europeu no fim do mês de março. E um grupo de cem economistas liberais e reacionários já se apresentou à sociedade com uma plataforma contra a indexação relacionada à inflação passada e defendendo a negociação salarial com base na produtividade, o que é, no mínimo, contraproducente na economia, como explicam as centrais.

Perante esses arreganhos, é necessário conhecimento de causa e o repúdio firme de todo o movimento sindical.
João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores