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Livreto produzido pela Agência Sindical
3 de março de 2011

Esparrela sindical

*Por João Franzin.................................................................................................................

Cair na ratoeira, segundo o dicionário Aurélio, é o mesmo que cair na esparrela. Para o movimento sindical, a cilada armada é a esparrela neoliberal, cuja máxima é dividir para neoliberalizar, voltar ao passado, recuperar a agenda tucana derrotada nas urnas pelo povo brasileiro, privatizar, flexibilizar direitos, subir juros, fazer a reforma sindical, colocar de novo no trono FHC.

O rumo do governo Dilma, ressalvando-se a extraordinária biografia da presidenta e seu passado trabalhista, ainda é uma incógnita. Sabe-se, no momento, que os setores mais liberais (ex-trotskistas, inclusive) que chegaram em bloco ao governo estão falando mais grosso. Isso pode perdurar ou não.

O que vai definir os rumos do governo Dilma e o direcionamento do Estado? Serão as lutas. Lutas nas cúpulas e lutas na base. E esse é o nosso terreno, sem desprezar as articulações pelo alto, que são necessárias.

Por experiência de todos nós, especialmente do final dos anos 70 para cá, sabe-se que sem movimento sindical não há movimento social forte, capaz de sacudir a roseira. No passado, quando havia clara hegemonia de uma tendência sindical renovadora, esse segmento tinha forças para empolgar as mobilizações.

Hoje, não mais. Sendo assim, portanto, a possibilidade de luta social capaz de influir nos altos negócios de Estado depende de uma coisa: da unidade do movimento sindical. Essa unidade, que tem sido construída, com esforço, ao longo das décadas, alcançou seu ápice no governo Lula.

Os que viajam no convés do navio, com ar fresco, sol e vento a favor, sabem
que para impor seu projeto aos do porão é preciso que o setor mais forte do movimento social, o sindicalismo (porque tem história, tem base, tem representatividade, tem poder de pressão, recursos materiais e até algum dinheiro) precisa estar confuso, desorientado e, melhor ainda, dividido.

Esse esquema parece ser simplista, e é, mas é real.

Se eu sei disso, sabem muito mais Paulinho e Artur.

João Franzin é jornalista
e assessor sindical