*Por João Franzin.................................................................................................................
O bom senso recomenda que categorias armadas, e militarizadas, não façam greve. E a Constituição proíbe esse tipo de manifestação classista. Acontece que, na hora do vamos ver, a Constituição que se dane e o bom senso acaba escorrendo pelo ralo.
Todos nós, que não nascemos agora, temos na memória os movimentos de “soldados armados, amados ou não” agitando durante o governo Jango. A tolerância com aquela agitação irritou o oficialato reacionário, desgastou o governo popular e engrossou o caldo de cultura para o golpe do 1º de abril.
Portanto, movimentos desse tipo precisam, sempre, ser monitorados de perto, por meio dos setores de inteligência do governo e das próprias corporações, identificando focos descontentes, abrindo diálogo e verificando as chances efetivas de se firmar acordo.
A polícia, no Brasil, de um modo geral, ganha mal. Está certo que presta um serviço de baixa qualidade, mas o fato é que ganha mal. Porém, a novidade, agora, é que esses movimentos todos encontraram uma causa, unificadora, que é a PEC 300. Pela PEC, o salário do soldado seria de R$ 3.500,00 (o do professor é metade disso).
Com uma bandeira forte nas mãos, e aproveitando o ambiente eleitoral, esse tipo de movimento tende a crescer, apesar da mobilização do Exército, que ajuda, mas não poderá entrar em conflito com PMs e bombeiros.
Nesse tipo de situação, todos estão errados: os governos, que há anos descuidam da condição salarial dos soldados, e os líderes, que radicalizam e fecham as possibilidades de negociação.
Chamo, aqui, a atenção das Centrais Sindicais. As Centrais foram levadas de roldão pelas revoltas recentes nos canteiros das grandes obras. E, agora, na mobilização de soldados e bombeiros, também têm sido passivas e inoperantes.
A minha sugestão é que as Centrais, com serenidade, busquem entender o que está acontecendo com a soldadesca, procurem canais de contato com suas entidades, seus líderes consequentes e utilizem sua representação política na defesa do que é justo e no encaminhamento das negociações.
E é bom que isso seja feito logo, porque o alastramento desses movimentos Brasil afora seria um fato de extrema gravidade, ensejando todo tipo de oportunismo, baderna e desordem. E isso não interesse ao povo brasileiro. |
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João Franzin é jornalista
e assessor sindical |
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