*Por João Franzin.................................................................................................................
São Paulo, como Lima ou um lugarejo qualquer do planeta, também tem seus códigos, que devem ser reconhecidos e tratados com o devido respeito por quem quer viver por aqui, gostando
ou não da cidade.
O código mais flagrante de São Paulo é o trabalho, ou seja, a intensa atividade que mantém a cidade acesa 24 horas por dia, que produz, transporta, transforma, serve, diverte, faz, desfaz, como uma usina hiperativa.
Quando cheguei em São Paulo, em 1976, com uma mão adiante e outra atrás, fui procurar emprego numa fábrica no Cambuci. Acabei empregado porque vinha do Interior e era estudante. Ou seja, fui contemplado pelo recrutador por ser migrante, como tantos, e por mostrar interesse em melhorar de vida, já que estudava.
Penso que essa maneira objetiva e prática de resolver as coisas – como fez o recrutador lá em 1976 – é outra marca da São Paulo moderna. Aliás, a avaliação das pessoas baseada em seu desempenho profissional é reconhecida marca paulistana.
Outras coisas que me atraíram em São Paulo quando cheguei: fazer amizade sem precondição de classe social; se virar com pouco dinheiro; vida cultural ampla e diversificada; comida boa; autonomia sexual das mulheres.
Nesses 30 e poucos anos de convivência com São Paulo, penso que aprendi um pouco de seus códigos. Por isso, ando, sozinho, de madrugada, pelo Centrão, sem vacilo e sem medo, desviando do lixo,
dos mendigos e da vagabundagem.
Não conheço glamour em São Paulo. Acho que quem quer uma cidade glamourosa deve fazer como a ex-prefeita Marta: ir pra Paris. |
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João Franzin é jornalista
e assessor sindical |
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