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Livreto produzido pela Agência Sindical
21 de fevereiro de 2011

Aprender a aprender

*Por João Franzin.................................................................................................................

Nos anos 1980/90, nas suas palestras, sempre brilhantes, João Guilherme Vargas Netto, contava uma história curiosa, para ilustrar diferença e distância entre sindicalismo e política.

Ele dizia: o sujeito passa, vê duas pessoas sentadas frente à frente em uma pequena mesa, com um tabuleiro, casas brancas e casas pretas e peças do jogo. Inadvertida, a pessoa diz: é dama, e isso eu também jogo. Se chegasse mais perto, porém, veria que o que os dois jogavam era xadrez. Ou seja, de longe, tudo igual; de perto, muito diferente!

A diferença entre sindicalismo e política é que um é dama (direto e simples) e o outro é xadrez (mais torto, amplo, complexo, enviesado e dissimulado). A lição é singelíssima: jogar xadrez achando que é dama significa desastre na certa.

Digo isso para afirmar que, com Lula, o sindicalismo jogou dama, e bem. Com Dilma, terá de aprender a jogar um jogo mais complexo, com mais caminhos e direções. Até porque, sem a relação direta com a presidenta, o movimento terá de se relacionar, de forma permanente e institucional, com os partidos representados no Congresso, fazendo a observação de que a pressão terá de ser precedida de conversa, muita conversa.

Muitos parlamentares não têm posição sobre, por exemplo, jornada de 40 horas. Outros tantos sequer têm noção do que seja a Convenção 158 da OIT. E a imensa maioria terá dificuldades, por exemplo, de entender porque a questão do custeio das entidades precisa ser definida em lei, e rapidamente.

Dias desses, conversando com um sindicalista ligado a um partido, ele deitava falação sobre sua cidade, anunciava alianças e manifestava plena confiança no êxito de suas articulações. Perguntei ao sabichão quantos vereadores sua sigla tinha. Nenhum. Já o partido dos outros – todos bobos – detinha maioria na Casa, controlava e Mesa e punha o prefeito na defensiva.

Não tenho dúvidas de que qualquer deputado besta do Amapá põe no bolso a imensa maioria dos nossos dirigentes sindicais. Por isso, eu recomendo: é bom aprender a aprender.

João Franzin é jornalista
e assessor sindical