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Livreto produzido pela Agência Sindical
17 de fevereiro de 2011

Carta a Dilma
Onde está o erro

*Por João Franzin.................................................................................................................

Prezada presidenta:

Durante todo o processo eleitoral, o movimento sindical teve dificuldades de tratar com a senhora e de influir na campanha. Havia em torno da senhora uma espécie de cordão de isolamento, mantendo longe os movimentos sociais. Ainda assim, apesar da má vontade de seus auxiliares próximos, o sindicalismo foi generoso e deu grande ajuda para a sua vitória.

Vale recordar, para todos os efeitos, que o contato efetivo com o sindicalismo, pelos presidentes das seis Centrais, para entrega da Agenda da Classe Trabalhadora, aprovada na Conclat, só veio ocorrer no segundo turno, num comício na Zona Leste paulistana.

Percebe-se, agora, que a lógica de isolar o movimento sindical persiste. Na época, os marqueteiros e outros (de forma oportunista e desonesta) entendiam não haver necessidade de firmar compromissos com o movimento social. Melhor seria passar sinais claros ao mercado. Até porque, alegavam os “sabidões”, o prestígio de Lula era suficiente para decidir a parada.

Essa é a lógica que se vê repetir, agora, com o salário mínimo. Veja bem: compreende-se que seu governo queira passar um sinal ao mercado, corte gastos e atue com austeridade. Mas isso, em momento algum, requer isolar-se do movimento social.

Por isso, pergunto: não teria sido melhor a senhora receber o movimento sindical e expor aos dirigentes as suas razões para um salário mínimo de R$ 545,00? Não lhe parece mais inteligente? Não evitaria desgastes?

Senhora presidenta: a questão do mínimo é complexa. O governo alega que mantém as bases do acordo firmado com Lula, e é verdade. O movimento sindical argumenta que aquele acordo se deu, originalmente, numa conjuntura de crescimento, sem crise e queda do PIB à vista. E também tem razão. O melhor seria, agora, uma saída novamente negociada.

Se isso não ocorrer, estaremos no pior dos mundos. O governo passará a ideia de que impôs sua vontade e foi insensível com o salário (a comida, o remédio, a moradia) de milhões de brasileiros pobres. E o sindicalismo entenderá que foi derrotado por quem o movimento ajudou a eleger, ao custo de ir fazendo inimigos pelo caminho durante a campanha.

Saúde, senhora presidenta!

João Franzin é jornalista
e assessor sindical