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Livreto produzido pela Agência Sindical
27 de outubro de 2011

Minhas causas

*Por João Franzin.................................................................................................................

Penso que acabei me especializando na defesa de causas impopulares. Está no meu DNA.

Drogas - Defendo uma regra clara: ou todas são proibidas (cigarro, cachaça etc.) ou todas são liberadas. Defendo a liberação gradual, de todas. O homem é um ser que se droga.

Aborto - Pessoas que defendem a pena de morte (para adultos) são contra o aborto de fetos que ainda nem se formaram. Defendo que o aborto deve ser discutido entre o casal, ficando com a mulher (ou, quando necessário, com o médico) a decisão final.

CPMF - Era um dos raros impostos honestos, de valor baixo e com destinação certa. Mas a mídia (essa corja tem convênio médico caro!) fez tanta pressão que o derrubou.

Líbia - Fui um dos raros a defender Kadaffi, denunciando a Otan como força invasora, chamada a fazer o trabalho de sapa para as multinacionais do petróleo.

Células tronco - Defendo seu uso na medicina. Dogmas e posições religiosas travam o desenvolvimento e o progresso. A ciência tem primazia.

Custeio de partidos - Defendo financiamento público, proibição de doação por empresas e a doação individual só por filiados ao partido, limitada a um salário mínimo.

Custeio sindical - Defendo o imposto sindical, porque tem Carteira assinada, RG, CPF e endereço conhecido. Mesmo a taxa negocial não me parece superior, tecnicamente, ao imposto criado por Vargas. Penso que no Estado de Direito o legislado deve valer mais do que o negociado.

Armas - Fazendo a ressalva de que nunca terei uma, defendo o direito de o cidadão ficha-limpa ter a sua, guardada em casa.

Pagode - Sou a favor da proibição total e da condenação dos autores a trabalhos forçados, sendo obrigados a ouvir, sem parar, músicas de Wilson Batista, Geraldo Pereira, Cartola e Paulinho da Viola.

São causas impopulares. Mas são minhas causas. Não tenho a ilusão de que terei seguidores.

João Franzin é jornalista
e assessor sindical