*Por João Franzin.................................................................................................................
O sindicalista-padrão brasileiro é de origem pobre, de baixa escolaridade, quase sempre migrante nordestino ou originário da zona rural, militou ou tem ligações com partido de esquerda. Não é o caso de Ricardo Patah, presidente do Sindicado dos Comerciários de São Paulo e da UGT - União Geral dos Trabalhadores. Patah é de família classe média alta, estudou no elitista Dante Alighieri, formou-se na PUC, fez uma segunda faculdade, mora em Higienópolis. Ele mesmo conta que nunca precisou andar de ônibus pra trabalhar.
Num ambiente onde a regra é ler pouco, Patah é um sindicalista que lê muito, devora livros. Também é aficionado em cinema: era o recordista em aluguel de filmes num antigo Blockbuster no Pacaembu, onde havia alugado (até pouco antes da loja fechar) mais de três mil filmes.
Há cerca de quatro anos, Patah deixou posto de tesoureiro da Força Sindical para formar a UGT, reunindo entidades vindas da Força, outras independentes, CGT, SDS e CAT. Hoje, a UGT é a terceira Central do País.
Patah vinha sendo assediado por vários partidos e a aposta é de que iria para o PTB. Mas filiou-se ao PSD, vendo no partido liderado por Kassab um espaço que não teria na sigla trabalhista. Certamente, falou alto também a amizade com Kassab. Aliás, tempos atrás, Patah integrou a comitiva, restrita, do prefeito em viagem ao Líbano, onde ambos têm raízes.
Ligado no movimento, Patah percebeu que havia errado ao não levar a UGT à Conclat em 2010. Por isso, em seguida, abraçou as bandeiras (Agenda Unitária da Classe Trabalhadora) aprovada na gigantesca plenária e levou a UGT a participar da entrega (em duas ocasiões) daquela Agenda à então candidata Dilma Rousseff.
Nos últimos tempos, Ricardo Patah tem ampliado sua presença na mídia. Sua atuação no recente caso do Center Norte o colocou sob os holofotes. E o anúncio de que o Sindicato ingressará com ação judicial pleiteando pagamento do adicional de insalubridade aos comerciários do shopping mostra que não lhe falta audácia.
Em um dos seus livros, o então ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto, narra um episódio em que Patah se destacou num ato no Ministério. Certa vez, no Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo, o próprio Patah enfrentou o incensado Ives Gandra Martins numa causa de seu Sindicato. E venceu.
Torcedor do Santos, madrugador, entusiasmado com seus projetos, Ricardo Patah tem um indisfarçável e saudável espírito infantil, ainda que tenha acabado de completar 58 anos. Não custa prestar atenção no Patah!
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João Franzin é jornalista
e assessor sindical |
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