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Livreto produzido pela Agência Sindical
5 de outubro de 2011

A agroindústria, o custo social e a NR dos frigoríficos

*Por Siderlei de Oliveira.................... ................................................................................

É inegável que a agroindústria brasileira tem sido um dos setores responsáveis pela saúde econômica e o crescimento do Brasil. Mas a atenção empresarial exclusivamente voltada à performance econômica – sem levar em conta as condições de trabalho – levou alguns de seus setores, particularmente os mais vinculados à exportação de carne, ao 1º lugar no ranking das doenças profissionais e mutilações.

Para enfrentar a gravidade do problema, trabalhadores, empresários e governo estão debatendo uma norma que regule os ambientes de trabalho nos frigoríficos avícolas e bovinos.

Lobistas entram em cena

Os frigoríficos começam a atuar para mutilar a norma com o argumento de sempre, que as medidas ali contidas causarão um abalo econômico no setor. E nós, que estamos preocupados com os milhares de vítimas das doenças profissionais, perguntamos:

1º. Quanto custa o cerceamento de uma vida útil para o trabalho?

2º. Quanto custa para a Nação cada doente inutilizado pelo trabalho?

3º. E para a família que vê o responsável pelo seu sustento mutilado, como fica?

Ou seja, não podemos ter a preocupação só com o econômico, como é praxe das empresas do setor alimentício.

Lobista famoso

O setor agroindustrial, especialmente o setor avícola, tem um lobista de nome conhecido nacionalmente, pois foi ministro da agricultura e hoje é presidente da Ubabef (União Brasileira de Avicultura), e que há bem pouco tempo assinou uma carta negando a existência de doenças no setor.

O mundo importador está de olho

Os consumidores do frango brasileiro e da carne bovina já foram alertados pela Contac, pela União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (Uita) e por várias ONGs internacionais sobre o alto custo que a produção nos frigoríficos traz à saúde dos trabalhadores, em função do intenso ritmo de trabalho e das longas e extenuantes jornadas. Pois estes mesmos trabalhadores querem ver mantido o atual texto da NR, que está em consulta pública, sem as alterações que o descaracterizam e o mutilam.

Siderlei de Oliveira é presidente da Contac/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação)