*Por Miguel Torres.................................................................................................................
Carta publicada pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo no jornal “O Estado de S. Paulo”, dia 9, em resposta ao editorial “Política industrial ou lobby”, publicado dia 18.
O movimento sindical brasileiro reforça sua posição na defesa de uma política industrial que estimule a produção nacional, inovação, investimento e mais e melhores empregos. As importações estão gerando renda e empregos lá fora.
Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado uma avalanche de produtos importados em diversos setores: eletroeletrônico, bens de capital, autopeças, automotivo, sem contar outros setores igualmente importantes – calçados, vestuário, brinquedos. Somente no setor automotivo, o volume de importações atingiu um número alarmante. No acumulado de janeiro a agosto de 2011 foram licenciados 660 mil veículos importados [1], crescimento de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Se considerarmos somente os dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores – Abeiva, na mesma base de comparação foi registrado um crescimento de veículos importados de 112%. Nesse ritmo alcançaremos 1 milhão de veículos importados logo logo. Em 2010, foram 680 mil veículos importados.
Para aqueles que têm certa miopia, a produção de veículos no Brasil no acumulado do ano cresceu 4%, enquanto que o volume de veículos importados cresceu 45%. É essa a dimensão do problema.
Esse volume de veículos corresponde a praticamente a produção de uma montadora instalada no Brasil como a General Motors, que produziu, em 2010, cerca de 651 mil veículos, correspondendo a cerca de 184 mil postos de trabalhos (23 mil diretos e 161 mil indiretos). Estamos falando de cerca de R$ 4,7 bilhões (massa salarial + PLR) que estão deixando de circular no País, e cerca de R$ 1 bilhão que poderiam ser arrecadados (IRPF e contribuição previdenciária), sem contar com outros impostos, taxas e contribuições, como IPI, FGTS, CSSL etc.
Salientamos que o movimento sindical não defende lobby, defende um Estado desenvolvimentista, uma política industrial que fortaleça a indústria nacional e que seja sistêmica e não difusa. Para tanto, defendemos que qualquer tipo de estímulo setorial, via incentivo fiscal e de subsídios, seja pactuado na sociedade organizada, por meio de contrapartidas sociais e ambientais.
1- Fonte: Anfavea, Abeiva |
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Miguel Torres é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e dirigente da Força Sindical
migueltorres
@metalurgicos.org.br
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