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Livreto produzido pela Agência Sindical
19 de setembro de 2011

Eixos para um Brasil desenvolvido


*Por José Dirceu ........................................................................................................

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de baixar em 0,5 ponto percentual a taxa Selic de juros configura-se, em última análise, um recado claro ao mercado de que as rédeas da política econômica não serão conduzidas de modo descolado do verdadeiro objetivo que temos na próxima década: colocar o Brasil no grupo dos países desenvolvidos até 2022.

Não é pouca coisa e requer trabalho intenso, comprometido e organizado, mas está no horizonte de nossas possibilidades. Agora, o mercado refaz suas projeções para os cenários dos próximos meses, orientando-se pelo aumento da dose da influência da crise global, pela promessa do governo de rigor com os gastos e pelo que consideram um perfil mais “ousado” do Banco Central sob o governo Dilma Rousseff.

Esse movimento de reorientação faz todo o sentido quando se observa que a mudança na política de juros do BC sinaliza a retomada da consciência que a crise mundial vai se agravar e que ela é uma oportunidade ao Brasil e não apenas um desafio – aliás, constitui-se chance única de o Brasil ingressar no rol de países desenvolvidos até 2022.

Nesse sentido, a combinação entre queda de fato dos juros – com sua consequente redução dos serviços da dívida pública – e o aumento substancial dos investimentos em Educação, Tecnologia, Pesquisas e Inovação permitirá criarmos um ambiente favorável.

As empresas também precisam investir mais em pesquisa e desenvolvimento e infra-estrutura, conjugando investimentos públicos e concessões. As três prioridades colocadas ao País na próxima década são: promover uma revolução educacional e científica; conceber uma infraestrutura à altura da quinta economia do mundo; e conseguir a chamada integração Sul-Sul, entre as nações latino-americanas e africanas.

Em nossa estratégia de desenvolvimento sustentável, é fundamental esse eixo de integração, que necessita em caráter urgente de um banco de exportação e importação (Eximbank) e da construção do Banco do Sul para financiar a infraestrutura necessária à integração e a própria integração. Ou seja, preparar e criar condições para que o Brasil seja um exportador não apenas de alimentos, minerais e manufaturas, mas de capitais, tecnologia e serviços, bases à unidade política na região.

E, para que possamos alcançar nosso objetivo até 2022, faz-se crucial modernizar nossas Forcas Armadas, para que ampliem nossa capacidade defensiva e nos auxiliem na integração do nosso espaço geopolítico – com proteção das nossas riquezas, da Amazônia ao pré-sal. Queremos uma nova Marinha que atue nas águas azuis (oceânicas), uma nova Força Aérea a partir da fabricação de caças no Brasil e de um Exército adaptado aos novos tempos, à realidade ao século XXI.

A conjunção dessas políticas é a chave para promovermos uma sociedade sem miseráveis e uma verdadeira revolução educacional, tecnológica e científica no País, base de uma sociedade democrática e soberana apoiada na melhoria geral da vida do povo com massivos investimentos em Saúde, Educação, Segurança, Habitação e Saneamento, Lazer e Cultura.

Publicado originalmente no jornal Brasil Econômico de 15 de setembro de 2011.

José Dirceu
é advogado,
ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório
Nacional do PT