*Por João Franzin.................................................................................................................
As grandes potências, além de arrogantes e violentas, são mentirosas. Talvez a mentira mais escancarada, dos últimos tempos, seja a de que havia armas de destruição em massa nas mãos de Saddam Hussein. Os fatos demonstraram que a versão das armas era mera farsa para justificar a invasão de um Iraque rico em petróleo.
Agora, a Líbia, a farsa se repete e o que está acontecendo não é uma guerra civil. Na verdade, as forças da Otan agem como exército das potências ocidentais, especialmente das europeias, para derrubar o governo, lotear o país e tomar conta do petróleo (a Líbia também se assenta sobre o maior aquífero do mundo). Com a Europa caindo pelas tabelas, lançam mão da velha guerra de ocupação de pilhagem.
Santo Kadafi não é. Mas vem fazendo um governo com grandes realizações para seu povo. Os próprios jornais já mencionaram o impressionante programa habitacional, que prevê 500 mil habitações num país de pouco mais de 6 milhões de habitantes. A própria mídia também foi quem divulgou a renda per capita líbia, muito superior ao padrão da região. Significa o quê? Significa que os recursos do petróleo estão sendo investidos em benefício da população.
Um dos argumentos da tal onda árabe, cravada pela mídia ocidental, é de que aqueles povos estão combatendo ditadores, regimes intolerantes que perseguem e matam opositores. É outra meia verdade. E quem mostra isso? A própria Folha de S.Paulo, desta terça, dia 23.
Na página 11 (caderno Mundo), em matéria “Líder rebelde despontou na seleção líbia de futebol”, a Folha conta que Mustafá Abdel Jalil foi nomeado (pelo ditador?) juiz em 1978 e “se destacou ao dar sentenças abertamente contra os interesses de Kadafi”. E completa: “apesar de suas posições contra o regime ditatorial foi convidado pelo filho do ditador, Saif al Islam, para ser ministro de Justiça”.
Caramba! Que ditadura é essa em que um juiz pode julgar abertamente contra o ditador de plantão (no Brasil cassaram até o habeas-corpus)? E que regime de força é esse que, em vez de perseguir, torturar, banir ou matar, convida o juiz para ser ministro da Justiça?
É bem provável que quando este artigo estiver publicado Kadafi já esteja liquidado pelas forças imperialistas da Otan. Mas fique claro: não terá sido em nome da democracia, da justiça e da verdade. |
 |
João Franzin é jornalista
e assessor sindical |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
|