*Por João Franzin.................................................................................................................
Em recente artigo, o ex-ministro, professor e economista (que entende de economia) Delfim Netto criticava a nova divisão internacional do trabalho que visa excluir o Brasil do pelotão de frente das Nações industrializadas, destinando ao nosso País a condição de suposta potência agropecuária e mineradora.
Delfim, sabiamente, apontava que esse papel nos exclui do jogo real jogado pelo mundo rico, onde o que pesa e decide, de fato, é o fator industrial. O Brasil, portanto, recomendava o professor, precisa se agarrar à indústria, definir uma política efetiva para o setor e participar com peso da economia e da política mundial.
Não é só Delfim, felizmente, que está preocupado com a questão. O setor produtivo e o movimento sindical estão, também, engajados nessa luta, como mostram o recente seminário entre Fiesp, CUT e Força, em São Paulo, e uma série de outras ações do sindicalismo, como o ato com 30 mil metalúrgicos do ABC e da Capital na Via Anchieta, em julho.
Essas considerações todas não deixam dúvidas que a questão verdadeiramente estratégica, hoje, é o fortalecimento da indústria. E assinalam que os esforços do governo, do setor produtivo da economia e da ala mais avançada do sindicalismo devem convergir para esse ponto.
Indústria forte, como pregou Getúlio Vargas lá atrás, quer dizer mais que desenvolvimento, empregos qualificados e salários melhores, além de avanço tecnológico. Indústria forte – e especialmente parque nacional fortalecido – quer dizer soberania.
É fundamental que essa questão seja compreendida e que os setores articulados da Nação abracem essa bandeira. Com indústria e soberania, a divisão internacional do trabalho terá de ser pactuada entre os países mais fortes. E não imposta de cima pra baixo como se o Brasil fosse ainda colônia. |
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João Franzin é jornalista
e assessor sindical |
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