*Por João Franzin.................................................................................................................
No começo, criado por Getúlio Vargas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico era só BNDE. Anos depois e em sintonia com a ideia crescente de fortalecer políticas sociais, o banco ganhou um S. Hoje é BNDES.
Esse S, usando aqui um mau trocadilho, tem sido um xis da questão. Até porque há uma grande distância entre uma sigla e sua tradução prática, com reflexos na vida da sociedade.
Foi justamente esse S que levou, no início do governo Lula, o movimento sindical a procurar o economista Carlos Lessa, presidente do BNDES, com a ideia, correta, de que o banco exigisse contrapartidas dos beneficiados com os financiamentos concedidos pela instituição. A ideia foi bem recebida, mas a saída de Lessa do posto paralisou as iniciativas.
Mas a questão do S ficou latente e voltou agora a se acender quando se fala na eventual fusão gigantesca entre Pão de Açúcar e Carrefour, usando em torno (dizem) de R$ 4 bilhões do BNDES.
A grande imprensa, naturalmente, foca sua atenção no próprio negócio, no volume de dinheiro que poderá movimentar a na participação de um banco estatal, aportando recursos para tornar viável um negócio privado.
Falta focar o S. Por exemplo: quais as contrapartidas que seriam dadas aos trabalhadores no caso da fusão acontecer? Haveria garantia de emprego? Direitos de Convenções Coletivas seriam respeitados? Eventuais trabalhadores excedentes (em razão de cortes) receberiam treinamento e requalificação, sem custo? Outra pergunta: as entidades sindicais seriam chamadas a opinar?
O BNDES, mesmo quando não tinha o S explicitado na sigla, era um banco de fomento, ou seja, de suporte efetivo ao setor produtivo e ao desenvolvimento. Aliás, em seu site, sobre a história da instituição, está escrito: “O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, empresa pública federal, é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões sociais, regional e ambiental”. Observe que falam em dimensão social.
O movimento sindical deve entrar menos na discussão do negócio capitalista (esse assunto é lá entre eles) e cuidar mais do que está em nosso campo, que é a questão trabalhista e social.
Ou seja, no que diz ao Banco, cabe-nos cobrar que o S da sigla não seja letra morta como querem que seja.
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João Franzin é jornalista
e assessor sindical |
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