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Livreto produzido pela Agência Sindical
29 de Junho de 2011

Respeito aos domésticos

*Por João Franzin.................................................................................................................

Se existe um setor onde o Brasil é ainda mais Casa Grande e Senzala esse setor é o dos empregados domésticos. Salário baixo, falta de registro, excesso de jornada, ausência de férias, assédio, maus tratos – essa é a regra.

Aliás, e até para confirmar a tese acima, sempre lembro o caso de um antigo ministro do Trabalho (aquele “dileto filho da Igreja”, segundo o cardeal Evaristo): sua empregada também não tinha registro em Carteira.

Calcula-se que mais de seis milhões trabalhem hoje em dia como domésticos. Uma parcela é de menores, que servem em casas de família, especialmente no Interior. Se a condição do adulto já não é boa, imagine a do menor.

O Câmera Aberta desta quarta coloca em debate a questão do trabalhador doméstico. E será uma boa oportunidade para se conhecer melhor o setor e se entender o que vem sendo feito ( se é que vem) para ampliação das garantias legais.

Uma vez visitei uma casa de médico no Interior de Minas. Entre babás (adolescentes), cozinheiras e outras, a família contava com o serviço de cinco domésticas. E um dos afazeres da patroa patusca era exatamente reclamar das empregadas.

Hoje, a classe média reclama também dos salários. Por menos de um Mínimo ninguém trabalha mais. As domésticas estão migrando para outras funções, que pagam mais e oferecem melhores condições de trabalho.

Há de fato um mal-estar nas relações empregador-empregado doméstico no Brasil. E esse mal-estar, herdado da Colônia, só será resolvido com a profissionalização e a qualificação desses trabalhadores, começando pelo reconhecimento de seus direitos: registro, jornada, respeito.

João Franzin é jornalista
e assessor sindical