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Livreto produzido pela Agência Sindical
16 de junho de 2011

Estratégia

*Por João Guilherme Vargas Netto................................................................................

Estratégia é a arte e a ciência de saber o que se quer (porque se pode) e como agir para alcançar o desejado.

O objetivo estratégico do movimento sindical brasileiro, em uma conjuntura econômica positiva e com governos favoráveis em vários aspectos, consiste em recuperar o protagonismo social que já teve no período de transição da ditadura para a democracia e figurar, com força, entre os grandes agentes sociais (o Estado, em seus três poderes, a mídia, os partidos políticos, as empresas, as igrejas, as ONGs, o mundo do entretenimento e dos esportes, entre outros).

Para garantir este objetivo em defesa dos interesses dos trabalhadores, o movimento deve buscar:

1- Aumentar a participação dos salários na renda nacional em ritmo superior ao dos aumentos do PIB, fazendo que passe de menos de 40% como é hoje para, pelo menos, 45% ou 50% até 2022.

Este é um esforço para garantir ganhos reais nas campanhas salariais, para o aumento continuado do salário mínimo e materializa-se, por exemplo, na vitoriosa luta dos metalúrgicos do Paraná pela PLR e ganhos reais que os levou a sustentar durante 38 dias a mais longa greve em uma fábrica da Volkswagen em todo o mundo.

2- Aproximar a pauta sindical de reivindicações (expressa na Conclat do Pacaembu) à pauta da sociedade, como ocorreu na transição democrática.

Um exemplo forte desta aproximação foi a nota oficial da Força Sindical exigindo, em nome da continuidade da conjuntura econômica positiva e das políticas favoráveis aos trabalhadores, a demissão do ministro Palocci.

3- A unidade de ação, capaz de conjugar e potencializar o espírito de luta dos trabalhadores, sua mobilização e organização em torno de programas comuns desenvolvidos apesar das diferenças entre os participantes.

Grandes exemplos disto são a campanha unitária das Centrais pelas 40 horas, o pacto em defesa da industrialização e a mesa de negociação sobre as condições de trabalho nas grandes obras.

Vai mais longe quem caminha junto, sabendo o terreno em que pisa e aonde quer chegar.

João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores