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Livreto produzido pela Agência Sindical
8 de fevereiro de 2011

O dilema do irmãozinho Lula

*Por João Franzin.................................................................................................................

Outro dia, falando ao jornal Estado de S. Paulo, e sacando sua conhecida intimidade com a doutrina espírita, Lula falou mais ou menos o seguinte:
“Preciso desencarnar do presidente da República para encarnar de novo o cidadão brasileiro”.

É nesse contexto, de transição entre um e outro mundo, portanto, que deve ser recebida mais uma mensagem de Lula, essa em que ele critica o movimento sindical: “O que não pode é nossos colegas sindicalistas quererem a cada momento mudar as regras do jogo”. Será que Lula, naquela fase transitória, que os espíritas definem mais ou menos como um período sonolento e letárgico, o companheiro não estaria sendo assistido por algum espírito mais à direita? Seria, por acaso, o ex-ministro Murilo Macedo? Não seria melhor cercar-se da sábia companhia de Freitas Nobre, por exemplo?

Mas deixemos Kardec de lado, pois Lula criticou supostas mudanças das regras do jogo. E o que ele fez, quando sindicalista, o tempo todo, não foi exatamente modificar as regras do jogo: regras do arrocho, dos decretos-lei, das intervenções em Sindicatos?

Vale lembrar que Lula também é do tempo dos gatilhos salariais, que eram uma forma do movimento sindical, na luta pela recomposição do poder de compra dos salários, mudar as regras da lei que garantia tão somente reajuste salarial uma vez por ano.

Vale, também, lembrar que o atual acordo para aumentos do salário mínimo se deu em conjuntura diferente: a) Com inflação bem mais baixa; b) Sem a crise mundial que derrubou as economias e deixou nosso PIB perto do zero em 2009. Tudo muda, como se vê.

Desencarnados não falam. Essa regra, sabática, deveria valer também para ex-presidentes, especialmente quando vivendo a difícil situação transitória entre poder tudo e poder só algumas coisas. É, como se sabe, um período propício a recaídas e, por isso, a fala (ou mensagem, como querem os adeptos) de Lula deve ser recebida com tolerância. Daqui a pouco, ele se reencontra para ser o sindicalista que sempre foi. Tolerância e apoio, pois.

Orações? Ajudam!

João Franzin é jornalista
e assessor sindical