*Por João Franzin.................................................................................................................
Nas últimas semanas, fizemos dois programas Câmera Aberta enfocando o transporte na Grande São Paulo: atrasos, superlotação, tarifas e, claro, más condições salariais e de trabalho nos trens, ônibus e metrô. O panorama descrito por sindicalistas ligados à CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT é o pior possível. E as críticas, no geral, focam o governo do Estado, acusado de privatista e intransigente nas relações de trabalho. Se o âncora deixar, programa com sindicalistas desse setor vira muro de lamentações.
E os dirigentes estão certos em suas críticas. Terça-feira (7), tomei o metrô na Praça da Árvore, às 16h15, e já fiquei em pé. Nas estações seguintes, o metrô foi enchendo. Pra descer na Liberdade, tive de empurrar gente. E olha que eu viajava fora do horário de pico. No pico, a situação dos passageiros é simplesmente humilhante.
No primeiro programa, há cerca de um mês, dirigente do Sindicato dos Condutores de São Paulo denunciou as multas abusivas impostas aos trabalhadores. Uma notificação apresentada ao vivo mostrou multa de R$ 1.440,00 a um motorista por estar com um lanche ao lado do banco. Ora, esse trabalhador pega no batente às 5 horas, não dispõe de refeitório e lá pelas 9, horário da multa, é natural que esteja com fome.
Na última quarta (8), o Câmera Aberta Sindical foi às ruas ouvir passageiros. A reportagem só constatou reclamações e críticas duras, que reafirmam as queixas dos dirigentes sindicais. Nas falas, não houve um único elogio. Sequer um depoimento conformado. Ao final, uma senhora dizia que era preciso fazer alguma coisa.
Eu penso como aquela senhora. E digo: devemos fazer alguma coisa. E mais: o movimento sindical pode e deve fazer. Eu sugiro como primeiro passo uma reunião entre as entidades que representam as categorias do setor, para entendimento mútuo.
Faço aqui um apelo ao presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho: se pretende ser prefeito de São Paulo, é urgente que passe a considerar seriamente a questão do transporte.
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João Franzin é jornalista
e assessor sindical |
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