*Por Aldo Rebelo.........................................................................................................
Conta a lenda que ao cercar Madri durante a Guerra Civil Espanhola o general Emilio Mola Vidal, ao ser questionado sobre qual das quatro colunas que comandava entraria primeiro na cidade sitiada, respondeu: a quinta coluna.
Mola referia-se aos seus agentes, que de dentro sabotavam a resistência republicana.
Na Segunda Guerra, a expressão tornou-se sinônimo de ações contra o esforço aliado na luta para derrotar o eixo nazifascista. A quinta coluna disseminava boatos, procurava enfraquecer e neutralizar a vontade da resistência e desmoralizar a reação contra o inimigo.
Após a votação do Código Florestal, dia 24, um restaurante de Brasília acolheu os principais “cabeças” das ONGs internacionais para um jantar. A Câmara acabara aprovar por 410 x 63 votos o relatório do Código Florestal e derrotara de forma avassaladora a tentativa do grupo de pressão externo de impedir a decisão sobre a matéria. O ambiente era de consternação pela derrota, mas ali nascia a tática da quinta coluna moderna para pressionar o Senado e o
governo contra a agricultura e os agricultores brasileiros. Os agentes internacionais recorreriam à mídia estrangeira e espalhariam internamente
a ideia de que o Código “anistia” desmatadores.
A sucessão dos fatos ilumina o caminho trilhado pelos conspiradores. No último domingo o Estado de S. Paulo abriu uma página para reportagem com a seguinte manchete: Novo Código permite desmatar mata nativa em área equivalente ao Paraná. Não há, no texto, uma informação sequer que confirme
o título. É evidente que o projeto não autoriza desmatamento algum. O que se discute é se dois milhões de proprietários que ocupam áreas de preservação permanente (margem de rio, encostas, morros) devem ser expulsos de suas terras ou em que proporção podem continuar cultivando como fazem há séculos.
No jornal O Globo, texto assinado por Cleide Carvalho procura associar o desmatamento no Mato Grosso ao debate sobre o Código Florestal e as ONGs espalham na mídia a existência de relação entre o assassínio de camponeses
na Amazônia e a votação da lei na Câmara. O Guardian publica artigo de um
dos chefetes do Greenpeace com ameaças ao Brasil pela votação do Código Florestal. Tratam-nos como um enclave colonial.
As ONGs internacionais consideram toda a área ocupada pela agropecuária
no Brasil deve ser convertida em floresta. Acham razoável que milhões de agricultores sejam obrigados a arrancar lavoura e capim e plantar vegetação nativa em seu lugar, em um País que mantém mais de 60% de seu território de áreas verdes.
A “anistia” atribuída ao relatório não é explicada pelos que a denunciam. Apenas divulgam que estão “anistiados” os que desmataram até 2008. Quem desmatou até 2008? Os que plantaram as primeiras mudas de cana no Nordeste e em
São Paulo na época das capitanias hereditárias? Os primeiros cafeicultores?
Os colonos convocados pelo governo de Getúlio Vargas para cultivar o Mato Grosso? Os gaúchos e nordestinos levados pelos governos militares para expandir a fronteira agrícola na Amazônia? Os assentados do Incra que receberam suas terras e só tinham acesso ao título de propriedade depois do desmatamento?
O governo e o País estão sob intensa pressão da desinformação e da mentira.
A agricultura e os agricultores brasileiros tornaram-se invisíveis no Palácio do Planalto. Não sei se quando incorporou à delegação da viagem à China os suinocultores brasileiros em busca de mercado no gigante asiático a presidente tinha consciência de que quase toda a produção de suínos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná está na ilegalidade por encontrar-se em área de preservação permanente.
A Câmara dos Deputados mostrou estar atenta aos interesses da preservação ambiental e da agricultura, votando proposta que foi aceita por um dos lados, mas rejeitada por aqueles que desconhecem a realidade do campo brasileiro.
O Senado tem agora grande responsabilidade e o governo precisa decidir se protege a agricultura do País ou se capitulará diante das pressões externas que em nome do meio ambiente sabotam o bem-estar do nosso povo e a economia nacional. |