| Várias entidades sociais se manifestaram em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na última sexta-feira (29), por negociações coletivas com o governo e contra a privatização da Cesp e outros setores da administração estadual. Enquanto a manifestação ocorria, uma comissão formada por 12 lideranças foi recebida pelos secretários Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil), Sidney Beraldo (Gestão Pública) e Guilherme Afif Domingos (Emprego e Relações do Trabalho).
No encontro, o presidente da Apeoesp (Sindicato dos professores estaduais), Carlos Ramiro de Castro (Carlão), reclamou que os servidores estaduais estão há três anos sem reajuste: “Os salários estão extremamente arrochados, o que desestimula o funcionalismo”, disse. O sindicalista reivindica negociação coletiva com o governo, já que o secretário da área alega não ter poder de decisão.
Aloysio Nunes respondeu que o governo estadual, comandado pelo tucano José Serra, não pode dar aumento aos professores porque o Orçamento não permite. Carlão retrucou ao secretário: “Orçamento não
é motivo para arrochar salário. Orçamento é estabelecer prioridades, conforme já disse anteriormente o economista José Serra”.
Ocorre que, logo após voltar do exílio, José Serra foi trabalhar de assessor econômico na Apeoesp. Isso, em 1979. Na época, os professores fizeram uma grande greve, enfrentando o governador Maluf, e Serra foi um aguerrido negociador pela bancada do professorado, rebatendo e jogando por terra os argumentos malufistas de que não havia dinheiro suficiente.
Serra combatia o argumento governista dizendo que os recursos estavam previstos no Orçamento, bastando, portanto, ir buscar os meios na fonte devida. A lembrança do sindicalista deixou o secretário Aloysio Nunes visivelmente incomodado. Ele respondeu macambúzio: “Serra não é uma metamorfose ambulante”.
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