Na manhã de 9 de julho de 1917, policiais e grevistas entraram em conflito nas imediações da fábrica de bebidas Antártica, iniciando a semana que culminaria na mais expressiva greve geral de trabalhadores no Brasil.
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Enterro de José Ineguez Martinez (detalhe) |
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Entre os grevistas estava José Ineguez Martinez, sapateiro espanhol, de 21 anos, morto em decorrência de uma bala disparada durante o confronto no bairro do Brás, no mesmo dia 9. Os policiais acusaram os trabalhadores de terem disparado em José. Ok, acreditamos.
Bom, com a morte do sapateiro militantes anarquistas e socialistas se reuniram, às pressas, no CDP – Comitê de Defesa Proletária – para transformar o enterro numa grande manifestação popular.
No dia 10 de julho, mais de 10 mil trabalhadores acompanharam o cortejo e, na avenida Paulista, um esquadrão de cavalaria patrulhava as residências dos industriais Crespi, Matarazzo e Gambá. Nenhum incidente com as mansões foi registrado. A polícia assumiu o papel de braço armado dos patrões.
Na greve, até então parcial, os jornais paulistanos foram o principal veículo de informação para os grevistas, policiais e população em geral. Os jornais divulgavam boletins e manifestos do CDP e da polícia.
Depois do enterro, o CDP se reuniu, clandestinamente, na noite de 11 de julho, com 36 associações operárias e de várias comissões de grevistas para unificar a pauta de reivindicações. Saíram com 15 reivindicações para pôr fim à greve. Pediam: libertação imediata das pessoas detidas durante as manifestações, a garantia da não-dispensa na volta ao trabalho, o respeito ao direito de associação, abolição total da exploração do trabalho aos menores de 14 anos, pontualidade no pagamento dos salários, além de reajustes proporcional aos salários dentre outras reivindicações de caráter mais geral.
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| Passeata no bairro do Brás |
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Quando a pauta de reivindicações se tornou pública em 12 de julho, São Paulo parou. A greve geral começa.
Como era de se esperar, os acirramentos entre os grevistas e a policia aumentaram. Os grevistas tinham a opinião pública a seu favor.
Vendo a impossibilidade de estabelecer diálogo entre as partes, o diretor do jornal O Combate, Nereu Rangel Pestana, sugeriu que uma comissão de jornalistas fosse formada para intermediar o conflito e garantir o assento dos trabalhadores na mesa de negociação. Essa comissão teve um papel decisivo no conflito, foram os jornalistas que colocaram o conflito operário no campo da realidade prática. O acordo foi feito.
No dia 16 de julho, os grevistas avaliaram, em comícios, que as concessões foram um ganho moral para os trabalhadores e, assim, colocaram fim à greve geral.
Jonas Martinelli
Fonte: O Espírito da Revolta, a greve anarquista de 1917 de Christina Roquette Lopreato
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