Eleições nos jornalistas (3)
O dia em que eu virei neonazista

Por João Franzin

O boletim da situação batia pesado na gente, enquanto nos acusava de jogo bruto. Num dos ataques, me botaram de óculos escuros com o título interrogando: “Neonazista?”. Foi um ataque canalha, rapidamente respondido em carta aberta por diversos sindicalistas amigos meus, todos negões.

Peguei Zé Hamilton Ribeiro de jeito e ele, no aperto, botou a culpa no Fred Guedini.

De onde tiraram a história escrota? Inventaram que Reginaldo Mendes, presidente da Federação dos Vigilantes, entidade onde eu trabalhava, integrava um grupo neonazista. Acontece que Reginaldo é um baiano negão 100%, filho de santo (ogã), criado em terreiro. Na Federação, vivia ajudando as entidades ligadas à questão racial, como o Movimento Negro Unificado (MNU). A acusação, evidentemente, repercutiu, evidenciando que, na luta pelo poder, tem gente que saca o achincalhe na maior cara de pau.