
Boa parte da elite brasileira é selvagem. Outra parte é folgada. Há ainda uma terceira banda que consegue juntar tudo: selvageria, desumanidade, cinismo.
Antes, houve os que botaram fogo no índio em Brasília. Depois, vieram os agressores da doméstica. Esses que aparecem agora no vídeo jogando ovos em pessoas e veículos são da mesma corja: desumanos, cínicos, folgados, fascistinhas.
Observe que todos eles, Boninho, o neto de Brizola, Narcisa Tambourindeguy e a filha de Tom Jobim, são pessoas que cresceram na vida mansa, usurpando a grana, a fama ou o dinheiro de parentes. A filha de Tom Jobim fez ainda pior, pois seu gesto humilhante teve trilha sonora de uma Wave pervertida, profanando a obra do pai.
E qual é o pano de fundo de tudo isso? É a impunidade. É a certeza de que estão acima do bem e do mal, fora do alcance dos braços da lei e da justiça.
Vivemos uma época terrível, em que pessoas se sentem no direito de saquear cadáveres, tirando-lhes jóias pessoais ou documentos, que depois utilizam em negócios criminosos. Isso é compreensível na degradação de uma guerra, mas é inimaginável numa época de paz.
O que fazer contra essa barbárie? Muitas coisas: denunciar, identificar seus personagens, repudiar, execrar, cobrar justiça e, principalmente, punir.
Precisamos ajudar a construir um ambiente de humanidade, respeito e justiça. Mas estando alertas para desmascarar e punir, exemplarmente, tudo o que conspirar contra isso.
João Franzin
jornalista e assessor sindical |