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Carlos Sorín, um dos grandes diretores
do nosso tempo
A trajetória cinematográfica de Carlos Sorín é de altos e baixos. Quando lançou “La Película del Rey” em 1986 e foi premiado em Veneza com o Leão de Prata, a crítica o considerou na época, como uma das grandes promessas do cinema terceiro-mundista. Infelizmente, a poderosa (em marketing) indústria estadunidense o convidou para que dirigisse um filme para o qual teria no papel principal o ator Daniel Day Lewis – “Eversmile, New Jersey”, 1989. Resultado: o filme foi um fracasso e não estreou nem na Argentina.
Depois de treze anos sem filmar, Sorín ressurgiu com “Histórias mínimas”, 2002 e conquistou de novo aplausos e prêmios, venceu o Prêmio Especial do Júri do Festival de San Sebástian, o Festróia, Goya de melhor filme estrangeiro dentre outros.
Em “Histórias mínimas” Sorín voltou mais maduro ao discutir a eterna inquietação dos humanos: O que posso fazer para dar sentido a minha existência? No filme explora-se a vida das pessoas comuns mediante o enfoque a três personagens, Don Justo (Antonio Benedictti) de 80 anos, que resolve caminhar 400 Km pelo deserto da Patagônia atrás de seu cachorro, Roberto (Javier Lombardo), um comerciante que viaja para entregar um bolo de aniversário para o filho de uma viúva; e, por fim, Maria (Javiera Bravo), moça simples que viaja para buscar prêmio de um programa de TV. Todos tendo como destino o Porto de San Júlian. Ao narrar a “cruzada” deste três personagens pelo deserto da Patagônia, Sorin fez de “Histórias Mínimas” um das melhores produções que estrearam no Brasil em 2004.
O Cachorro
Ao acaso é uma boa definição para o personagem principal da nova obra de Carlos Sorín, “O Cachorro”, 2004.
O protagonista, Juan Villegas, trabalhou como frentista durante 20 anos e o posto em que trabalhara acabou sendo comprado por uma multinacional, que demitiu todos os funcionários, inclusive Juan. Com 56 anos e sem grande experiência profissional, Juan vai morar com sua filha e começa a vender facas artesanais que ele mesmo fabrica – logo no começo do filme, quando Juan vai vender suas facas a estivadores, Sorín dá a direção que seu filme irá tomar e ali temos uma das cenas mais belas e delicadas do filme.
Juan Villegas (interpretando ele mesmo) numa de suas voltas atrás de emprego, acaba ajudando uma moça na estrada que o presenteia com um cachorro de raça nobre. O cachorro trás a Juan um pouco de auto-estima e oportunidades de ganhar dinheiro.
“O cachorro” conta uma história sem muitas surpresas e abusa um pouco da música para emocionar o espectador, mas nada que o torne enfadonho, pelo contrário. Com elenco de atores não profissionais, o novo longa de Sórin seduz o espectador com atuações marcantes, principalmente de Villegas, que expressa seus sentimentos não com palavras, mas com gestos e olhares. Um filme aprazível.
Jonas Martinelli
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