Quem esperava um João Pedro Stédile radical e incendiário se decepcionou. Por que quem falou terça (30) à noite, no Sindicato dos Jornalistas, para um grupo de estudantes do projeto Repórter do Futuro (da Oboré), com a didática pausada que se deve utilizar quando se fala para estudantes, foi um líder firme, sereno e consciente das responsabilidades do movimento que lidera, o MST.
A fala do líder dos sem-terra também abordou a questão ambiental. Ele criticou as grandes extensões de monocultura (monocultivo, ele diz), como a cana. “Na região de Ribeirão Preto, a cana consome tanta água do subsolo que, a cada ano, a Prefeitura tem de cavar mais fundo para chegar ao lençol freático”. Na região, ele informa, nos últimos 10 anos, a temperatura aumentou três graus. João Pedro Stédile informou que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra possui 430 mil família cadastradas. E ressaltou: “Não somos o único. O Brasil possui cerca de 40 movimentos ligados à luta pela posse da terra”. A cobertura da mídia, sempre agressiva ao MST, foi um dos destaques da fala de Stédile. “Quando as mulheres do Via Campesina invadiram a Aracruz, no Espírito Santo, a imprensa só falou na destruição de mudas de eucaliptos. Mas não disse que a Aracruz havia invadido 18 mil hectares de terras indígenas, agora devolvidas aos seus legítimos donos”. Disse mais: “Globo, Estadão e Abril são empresas sócias em empreendimentos do agronegócio – por isso têm tanta raiva do MST”. Eleições - Ao responder perguntas dos estudantes, o dirigente do MST acabou abordando a eleição presidencial e deixou claro: “Precisamos derrotar o projeto de José Serra, porque ele significa a entrega da economia brasileira ao capital multinacional”. Apontando na direção da candidatura Dilma, Stédile disse que ela abre a possibilidade de uma participação efetiva do movimento social na vida brasileira. “Avanço só existe quando se juntam a pressão popular e a vontade política do Estado. Nesse aspecto, a candidatura Dilma é a mais segura”. Movimento sindical - Ao final da palestra, João Pedro Stédile falou ao Câmera Aberta Sindical (TV Aberta São Paulo e Rede Brasil de Televisão) e assumiu o compromisso de, assim que a agenda permitir, participar do programa de uma hora. A enrevista com Stédile irá ao ar ainda em abril. Mais informações:
Câmera Aberta Sindical desta quarta São Paulo: TV Aberta São Paulo, dia 31 de março, das 19 às 20 horas, 9 NET e 72/99 TVA Todo ano, na semana de aniversário do golpe de 1º de abril de 1964, o Câmera Aberta Sindical convida sindicalistas e personalidades do movimento social que foram perseguidos pela ditadura e atuaram nas lutas pelo retorno da democracia.
Nesta quarta (31), o programa vai contar com a participação de José Luiz Del Roio, militante comunista, cassado, exilado e que, anos depois, se elegeu senador na Itália; Oswaldo Lourenço, que em 64 era vice-presidente do Sindicato da Administração Portuária e foi perseguido e preso; e Chico Bezerra, secretário-geral do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Assista - Apresentado pelo jornalista João Franzin, o Câmera Aberta Sindical é ao vivo, a partir das 19 horas, pela TV Aberta São Paulo (NET 9/ TVA 72 ou 99 e TVA Digital 186). Para todo o Brasil – O Câmera Aberta também é transmitido para todo o País através da Rede Brasil de TV, toda quarta, às 11h30. Participe: faça sua pergunta ao vivo: 3877.0078
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1º de Maio da UGT terá Pelé Ano passado, foi Ayrton Senna. Este ano, o homenageado no Dia do Trabalho da UGT será Edison Arantes do Nascimento, o Pelé. O evento ugetista será na Barra Funda, próximo ao Fórum Trabalhista. Mas o Vale do Anhangabaú, Centro de São Paulo, local onde fica a sede do Sindicato dos Comerciários, deverá ser ocupado por tendas em forma de bola onde serão desenvolvidas ações cidadãs.O evento da UGT, na Barra Funda, terá participação, também, da Nova Central e da CTB. Mais informações:
Bancos sobem tarifas em até 328% Os bancos continuam assaltando a clientela. Quem mostra isso, mais uma vez, é o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), em estudo da economista Ione Amorim. Dados: teve instituição financeira que elevou tarifas em 328%, entre abril de 2008 e fevereiro deste ano. O aumento significa 33 vezes a inflação do período. Banquinhos (Banrisul) e bancões (Bradesco), todos metem a mão no bolso do consumidor. Vale lembrar que a Febraban já foi até ao Supremo - sem sucesso - ver se conseguia livrar os bancos do Código de Defesa do Consumidor. Queria caminho livre para a rapinagem. Mais informações:
Memórias do golpe, hoje Todo ano, por volta do aniversário do golpe de 1º de abril de 1964, levamos ao Câmera Aberta Sindical dirigentes sindicais ou líderes populares que viveram aqueles dias difíceis, sofrendo na carne perseguições, prisões, exílio ou mesmo tortura. No ano passado, fizemos um programa especial, com a hora inteira entrevistando Almino Affonso, ex-ministro de João Goulart e líder da bancada governista nas horas cruciais do golpe. A revelação de Almino ao programa, de que, agora, ele crê no assassinato de Jango, até hoje repercute. Inclusive foi tema de artigo de Maurício Dias na última Carta Capital. Sobre o golpe de 1964, o programa já entrevistou, entre outros, Luiz Tenório de Lima, Therezinha Zerbini, Rafael Martinelli e Audálio Dantas. O programa desta quarta terá, mais uma vez, lideranças perseguidas pela ditadura. Entre as quais, Oswaldo Lourenço, então líder portuário e hoje militante da causa dos aposentados e pensionistas da CGTB. A história é um processo permanente de construção e reconstrução. E a memória, especialmente a versão dos perseguidos, é indispensável, seja para reverenciar os bons combatentes, seja para repudiar a violência que se cometeu contra a Nação. João Franzin |
A irresponsabilidade social da Marisa Por Lucilene Binsfeld Explorar mão-de-obra de imigrantes indocumentados, mantê-los em situações análogas à escravidão em precárias condições de trabalho, em locais insalubres e com jornadas que se estendem por mais de 12 horas. Esta é a irresponsabilidade social de uma das maiores redes varejistas do País, a Lojas Marisa. Mesmo tendo assinado, em 2007, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho se comprometendo a tomar providências no sentido de evitar contratos com oficinas que tenham trabalho precário e ilegal, a empresa incidiu no mesmo erro cometido pelas lojas C&A em 2006 e foi flagrada tal qual sua concorrente. A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP) responsabilizou a Marisa em 43 autos de infração com passivos na ordem de R$ 633,6 mil. Além disso, os auditores exigem que a empresa registre os 17 trabalhadores encontrados na oficina de costura fiscalizada, efetue a rescisão indireta e pague os direitos trabalhistas. Apesar da fiscalização e da constatação por parte da Justiça da ligação entre as malharias clandestinas e a empresa, a Lojas Marisa alega ter investido R$ 30 milhões em responsabilidade social nos últimos três anos. Mas para onde foi este dinheiro que ela diz ter investido? Quais projetos ela incentiva que se esquece de fiscalizar sua própria cadeia produtiva e não respeita seus próprios trabalhadores? Preocupada com os lucros, a Lojas Marisa sabe muito bem o quanto ganha com a exploração da mão-de-obra. Uma das blusas flagradas na oficina de costura, por exemplo, tinha a etiqueta com o valor de R$ 49,99 enquanto os trabalhadores declararam receber cerca de R$ 2 por peça costurada. Na intricada cadeia de oficinas e atravessadores, os valores se alteram a cada etapa. A oficina flagrada recebia R$ 4 por cada peça costurada através de outra atravessadora, que recebia R$ 7. Já as fornecedoras recebiam R$ 21. Ou seja, do valor final do produto menos de 4% destinavam-se ao trabalhador. Outros 4% ficavam com o dono da oficina, 34% com os intermediários e 58% com a Marisa. Além de ficar com a maior parte dos lucros, os preços praticados pela rede varejista são insustentáveis do ponto de vista dos custos de produção e, consequentemente, um fator conveniente para a precariedade negada pela empresa. Um exemplo destes fatos são os salários recebidos pelos imigrantes, que variam entre R$ 202 e R$ 247 – menos da metade do salário mínimo e menos de um terço do Piso da categoria (R$ 766). Não se pode negar que, com o flagrante e com as penalidades determinadas pelo SRTE-SP, a justiça foi feita, no entanto, a vulnerabilidade de determinados grupos sociais ainda permite que casos como este continuem se repetindo. Por isso, o engajamento da sociedade se faz imprescindível. Os consumidores precisam se informar e realmente buscar consumir de empresas socialmente responsáveis nas causas sociais quanto com seus trabalhadores, que são os principais responsáveis pelos incríveis lucros da empresa. Somado a isso, políticas públicas sociais eficazes que evitem o aliciamento de imigrantes e sua manutenção em isolamento e em condições ilegais também precisam ser criadas. Precisamos ter uma atuação conjunta para que situações degradantes não se repitam e trabalhadores, imigrantes ou não, possam trabalhar em condições dignas em qualquer lugar do mundo. Lucilene Binsfeld é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços |
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