Confederação patronal registra forte
crescimento da indústria em março

A indústria registrou forte crescimento em março, quando o indicador de produção elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) atingiu 62,9 pontos. O indicador estava em 50,8 pontos em fevereiro e em 49,2 em janeiro. Os valores acima de 50 pontos indicam crescimento.
 
O levantamento aponta que todos os setores apresentaram geração de postos de trabalho, cujo indicador atingiu 55,5 pontos no trimestre – o melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2004.

O único setor com desempenho abaixo da média no indicador de geração de emprego foi a indústria de madeira, que apresentou crescimento no nível de emprego durante o primeiro trimestre deste ano, mas abaixo do usualmente registrado para o período.

O nível de produção também registrou o melhor resultado dos últimos seis anos, somando 55,5 pontos nos três primeiros meses de 2010. Para a CNI, o período representou a superação quase total da crise financeira de 2008/2009.

Inflação - Apesar da utilização da capacidade instalada também registrar crescimento – atingindo 54 pontos em março, contra 48,9 pontos em fevereiro e 48,3 pontos em janeiro – a entidade empresarial avalia que ainda não há risco de pressão inflacionária causado pelo descompasso entre a demanda e a capacidade de produção da indústria.

A indústria trabalhou, em média, com 74% da capacidade instalada, próximo da média histórica de 73,9%, mas com um ponto percentual abaixo do primeiro trimestre de 2008, quando a indústria ainda não havia sido afetada pela crise.

Mais informações:
www.cni.org.br

Desemprego em março é o menor para
o mês, apontam IBGE e Dieese

A taxa de desemprego ficou em 7,6% em março, nas seis maiores regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre), registrando estabilidade em relação a fevereiro (7,4%). Sobre igual período do ano passado (9%), houve queda de 1,4 ponto percentual. É a menor taxa para um mês de março desde 2002, início da série histórica da pesquisa.

Os dados divulgados hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população desempregada, de 1,8 milhão de pessoas, ficou estável na comparação mensal e caiu
(-14,1%) em relação a março de 2009. A população empregada, de 21,7 milhões, ficou estável no mês e cresceu 3,8% no ano, o que equivale a 796 mil postos de trabalho a mais.

Dieese - A pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – que mede o nível de emprego nas regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre e Recife – também apontou que o desemprego em março foi o menor para o mês, desde 1998, apesar de leve alta. A taxa subiu de 13%, em fevereiro, para 13,7%, no mês passado. Em março de 2009, a taxa de desemprego foi de 15,1%.

Mais informações:
www.ibge.gov.br
www.dieese.org.br

Contag quer atenção ao trabalhador rural da terceira idade

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) está preocupada com os problemas e as dificuldades dos trabalhadores rurais que têm mais de 60 anos. Segundo a entidade, dos 25 milhões de trabalhadores rurais, 30% – ou cerca de 7,5 milhões – encontram-se na terceira idade.

FONTE: Agência de Notícias CONTAG

“As preocupações vão desde as fraudes, que fazem de aposentados e pensionistas rurais vítimas de golpes com o crédito consignado, até a reivindicação para que o governo doe aos idosos do campo uma pequena terra com habitação, para evitar que eles se mudem para as favelas nas cidades quando demitidos”, explica Natalino Cassaro, secretário de Terceira Idade da Contag.

Negociações - O sindicalista informa que, nas reivindicações apresentadas ao governo federal no final de março, durante as manifestações do Grito da Terra Brasil, os problemas da terceira idade no campo estão entre os principais temas da pauta.

Mais informações:
www.contag.org.br

Sindicato dos Comerciários inaugura serviço de mamografia

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo amplia o atendimento à saúde da categoria. Nesta sexta, dia 30, às 9h30, a entidade inaugura em seu ambulatório médico, na Vila Mariana, um moderno serviço de mamografia, para atender comerciárias e mulheres dependentes de sócios.

O presidente do Sindicato, Ricardo Patah, afirma: “É um serviço da maior importância, que vai prevenir doenças e ajudar a salvar vidas”. O equipamento de mamografia ainda não é difundido no Brasil, tanto assim que apenas 25% dos municípios dispõem desse tipo de atendimento.

Local - O ambulatório fica na rua Dr. Diogo de Faria, 967, Vila Mariana, São Paulo.

Mais informações:
Ricardo Patah – (61) 6398.2815 e 2121.5972

Lojistas mostram otimismo recorde para o Dia das Mães

A pesquisa Serasa Experian revelou que 60% dos empresários estão prevendo faturamento maior para o Dia das Mães em 2010, na comparação com a mesma data do ano passado. É o maior percentual de otimismo com a data desde 2006. No ano passado, apenas 34% tinham a mesma opinião. Para este ano, 33% acreditam ter o mesmo faturamento do que no ano passado e, para 7%, a receita cairá.

 


As posições do
Constituinte Serra

Por Jeferson Barbosa da Silva

No dia 12 de setembro de 1987, o jornal “O Estado de S. Paulo” publicou artigo do Constituinte José Serra, então no PMDB, intitulado: “Três mudanças para corrigir desvios”, onde um inequívoco e indiscutível posicionamento autoritário de direita exibe o pretensioso propósito do autor de pichar os avanços sociais até então conseguidos nos enfrentamentos com o Centrão, a pretexto de defender suposta justeza economicista, como faziam os setores direitistas e os inimigos da Nova Carta.

Serra abre este seu histórico texto, afirmando:

“Independentemente das intenções dos seus autores, muitas propostas de dispositivos constitucionais têm apresentado dois tipos de desvios: a introdução de dispositivos de natureza corporativista, para beneficiar este ou aquele setor profissional, ignorando as despesas que acarretariam e as situações de privilégio socialmente inaceitáveis que implicariam; segundo, a enunciação de direitos e vantagens sem avaliar o custo e indicar as fontes de recursos que poderiam viabilizá-los”.

É perfeitamente clara e límpida a falácia neoliberal de fingir que sustenta o equilíbrio justo dos iguais enquanto, de fato, trata de defender os grandes interesses vigentes entre desiguais. Tanto assim, que ao generoso espaço de seis colunas que o Estadão abriu a Serra na edição daquele dia, a redação contrapôs na mesma página, em três colunas: “Lula exige avanços na Carta”.

De Porto Alegre, a sucursal do eternamente reacionário e conservador diário paulistano dos Mesquita noticiava que o então presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, em entrevista coletiva, advertia que era fundamental que o Projeto Substitutivo do texto constitucional, cuja proposta estava sendo elaborada pelo Relator, Bernardo Cabral, contemplasse os dispositivos sociais de interesse da Classe Trabalhadora já debatidos e aprovados por maioria. Ou seja, precisamente o que na mesma página do jornal Serra dizia tratar-se de “...dispositivos de natureza corporativista, para beneficiar este ou aquele setor profissional”.

Hoje, passadas mais de duas décadas, discute-se evitar o confronto. Porém, está lá:

“Para Lula, os trabalhadores não podem permitir que a nova Constituição signifique a perda de conquistas já consolidadas. ‘Não podemos aceitar, por exemplo, que a Carta estabeleça limites mínimos de idade para a aposentadoria’ observou, sustentando que, ao contrário, devem ser reduzidos os períodos de trabalho necessários à aposentadoria, estabelecendo-se 30 anos para o homem e 25 para a mulher. Além disso, insistiu na necessidade de ser assegurada a estabilidade no emprego e limitado o período de trabalho em, no máximo,
40 horas semanais”.

Só algum eventual inocente útil da agora expandida e nebulosa esquerda festiva haveria de criticar a correta decisão de Dilma de pautar sua campanha pela permanente confrontação de posicionamentos.

Tal contingência é um fato histórico dos mais relevantes para o debate atual, uma vez que demarca com precisão o caráter ideológico dos discursos, do qual não se pode fugir, ainda que assim o queiram os marqueteiros e o PIG.

Jeferson Barbosa da Silva é professor e pesquisador sindical