Centrais e movimentos sociais preparam
Jornada Nacional Unificada de Lutas

Foto: Claudio Omena
Várias Centrais Sindicais e entidades representativas dos mais variados setores sociais divulgaram, na semana passada, o documento de convocação da Jornada Nacional Unificada de Lutas, que vai mobilizar milhares de trabalhadores em todo o País no próximo dia 14 de agosto. O principal lema da manifestação é a redução da jornada de trabalho, sem redução de salários e a defesa dos direitos sociais.

No texto, as entidades denunciam que, mesmo com o aporte de recursos públicos para salvar empresas em todo o mundo, os patrões continuam promovendo demissões em massa. Com relação ao Brasil, cobram do governo “a obrigação de exigir a garantia de emprego para a classe trabalhadora como contrapartida à ajuda concedida”.

Como medidas para superar a crise, os manifestantes cobrarão nas ruas o corte drástico dos juros; redução da jornada de trabalho sem reduzir salários; aceleração da reforma agrária e urbana, com ampliação das políticas em habitação, saneamento, educação e saúde; além de medidas concretas para impedir demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.

Clique aqui e leia a íntegra do documento

Mais informações: nos portais das Centrais

São Paulo terá bancada mais numerosa
no Congresso da Força Sindical

A delegação de São Paulo no 6º Congresso Nacional da Força Sindical, que ocorre de 29 a 31 de julho em Praia Grande, litoral paulista, será a mais numerosa com cerca de 1.500 delegados de Sindicatos e Federações de todas as categorias de trabalhadores.

“Este será o congresso mais bem preparado de toda a história da Força Sindical”, afirma o presidente da Força Sindical São Paulo, Danilo Pereira da Silva. Ele ressalta que as propostas de teses, de regimento interno e de estatuto foram bem discutidas nas plenárias preparatórias e receberam vários aprimoramentos.

Danilo informa que durante o Congresso Nacional, a Força São Paulo apresentará um caderno com propostas políticas e de organização, entre elas a criação da secretaria de deficientes físicos. A entidade também terá um stand na entrada do Ginásio Falcão, local do evento, para receber seus dirigentes e convidados de todo o Brasil e de outros países.

Mais informações:
www.fsindicalsp.org.br

Sindicato dos bancários cobra dos bancos
alternativas à restrição aos fretados

O Sindicato dos Bancários de São Paulo encaminhou para os bancos Bradesco, HSBC, Itaú-Unibanco, Banco do Brasil-Nossa Caixa, Caixa Econômica Federal e Santander-Real uma carta solicitando a definição de um horário de tolerância para os trabalhadores na Capital paulista a partir desta segunda-feira (27), devido à restrição da circulação de ônibus fretados na cidade. Cerca de 10 mil bancários usam este meio de transporte.

“Ficaremos atentos para que os trabalhadores não sejam prejudicados, já que essas mudanças podem implicar na necessidade de mais tempo no percurso entre a casa e o trabalho e mais gastos com transporte, representando possíveis perdas salariais”, afirma o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. 

Denúncias - As regras do fretamento entraram em vigor à zero hora de hoje e a restrição aos fretados vale todos os dias úteis, das 5 às 21 horas. A prefeitura estima que 40 mil passageiros circulam em 1 mil ônibus a cada dia na zona de restrição, nos horários de pico da manhã e da noite. O Sindicato dos bancários pede que os trabalhadores que se sentirem prejudicados denunciem o problema à entidade através do site www.spbancarios.com.br

Mais informações:
Telefone (11) 3188.5330

Programa leva qualificação a jovens
de baixa renda em todo o Brasil

Foto: Naila Oliveira

Com o propósito de capacitar o jovem para o mercado de trabalho e ocupações alternativas geradoras de renda, o programa ProJovem Trabalhador, desenvolvido pelo Ministério do Trabalho em parceria com estados e municípios, deve atender 188.760 jovens em todo o País até o final do ano. O maior número de vagas é para o Nordeste, com 72.960; a Região Sudeste terá 40.200; no Sul; 27.800; no Centro-Oeste, 24.500; e, no Norte, 23.300.

Podem participar do programa jovens desempregados com idades entre 18 e 29 anos, que sejam membros de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo e estejam frequentando o ensino fundamental ou médio, ou cursos de educação de jovens e adultos, ou terem concluído o ensino fundamental ou médio.

Capacitação - Os alunos recebem treinamento em várias áreas, como administração, agroextrativismo, arte e cultura, beleza e estética, comunicação e marketing social, construção e reparo e turismo. Outras informações podem ser obtidas na página do programa no site do MTE.

Mais informações:
www.mte.gov.br

Fundacentro celebra Dia Nacional de Prevenção
de Acidentes de Trabalho

A Fundacentro reuniu em São Paulo, nesta segunda-feira (27), profissionais de Saúde e Segurança no Trabalho (SST), a fim de celebrar a passagem do Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho. O dia 27 de julho de 2009 marca também os 37 anos de criação do Serviço Especializado em Segurança, Saúde e Medicina do Trabalho (SESMT).

Segundo o assessor da diretoria técnica da Fundacentro, José Damásio, o papel da instituição é “estar à frente”, trazendo o conhecimento sobre SST e divulgando pelo Brasil. Ele lembra que os primeiros cursos de medicina do trabalho e engenharia de segurança do trabalho no Brasil foram organizados pela Fundacentro. A instituição também colaborou na elaboração das NR’s (normas regulamentadoras) do Ministério do Trabalho.

Pioneirismo - Para Adir de Souza, técnico de segurança da instituição, a Fundacentro é responsável não só pelo fomento da pesquisa, mas do pensamento no que diz respeito à segurança e saúde do trabalhador, entre os trabalhadores e empresários brasileiros.

Mais informações:
www.fundacentro.gov.br

 


Luiz Gonzaga Belluzzo é pessor titular de Economia da Unicamp

 

O público e o
privado na crise

Na Teoria Geral, Keynes tratou do caráter instável do investimento privado, concebido por ele como uma vitória do espírito empreendedor sobre o medo decorrente da "incerteza e da ignorância quanto ao futuro".

É a tensão entre as expectativas a respeito da evolução dos rendimentos do novo capital produtivo e o sentimento de segurança proporcionado pelo dinheiro que vão determinar, em cada momento, o desempenho das economias de mercado.

O destino da sociedade é decidido na alma dos possuidores de riqueza, onde se trava a batalha entre os espíritos animais, as forças de criação de nova riqueza e o exército comandado pelo "amor ao dinheiro".

Em sua forma aguda, a crise impõe o colapso do investimento e do consumo. Nesse momento, todos - empresas e consumidores - entregam-se à busca desesperada da redução das despesas, ou seja, dedicam-se a cortar a renda dos vizinhos.

Estes, por sua vez, devolvem a mesquinharia para os que iniciaram a brincadeira. É o "paradoxo da poupança".

A desconfiança se generaliza entre os protagonistas do que Hayek chamava o processo de mercado. Isso faz recair sobre uma instituição social, o dinheiro, a esperança (ou a ilusão) de preservação do valor da riqueza privada.

Os espíritos animais buscam refúgio na única forma do enriquecimento que imaginam não estar sujeita à contestação dos demais.

Todos querem e todos perdem. Na crise aguda, os possuidores de riqueza reverenciam o caráter "social" de sua atividade privada.

Assim, a sobrevivência dos nexos mercantis, aqueles que solidarizam os indivíduos livres mediante o intercâmbio de valores-mercadorias, ativos e títulos representativos das relações débito-crédito - passa a depender diretamente do Estado e de seus dinheiros.

A geração de déficits e a criação de nova dívida pública constroem as condições para reanimar o movimento da riqueza dos particulares, ao sustentar os lucros das empresas e ao preservar o valor dos portfólios privados.

Mas, se o desequilíbrio fiscal e o crescimento do débito público na composição dos patrimônios privados tornarem-se fenômenos profundos e duradouros, a desconfiança dos possuidores de riqueza se desloca da finança privada para a situação financeira do Estado.

A eficácia dos instrumentos de gasto e de endividamento do Estado está condicionada à preservação do poder privado de acumular riqueza social.

Assim, a recuperação da confiança na finança privada vai permitir que os controladores do crédito readquiram força e legitimidade para avaliar os rumos da política fiscal e de endividamento público.

Neste momento, por exemplo, os senhores da finança - salvos pela vigorosa intervenção do Estado - já consideram insustentáveis a trajetória do déficit fiscal e da dívida do governo norte-americano.

Com isso, eleva-se o prêmio exigido para se desprender da liquidez e restringem-se os mercados para contratos de prazos mais longos, comprometendo a própria capacidade do Estado de emitir dívida nova e de administrar o estoque de endividamento existente.

Luiz Gonzaga Belluzzo é pessor titular de Economia da Unicamp