Centrais e governo adiam definição sobre aumento do mínimo para R$ 580

Foto: José Cruz/ABr


Após duas horas de reunião, na
quarta-feira (26), o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) informou às Centrais Sindicais que o governo vai rever suas contas sobre o aumento do salário mínimo, para saber até onde é possível chegar. Não houve sinalização acerca de um valor maior que o já anunciado (R$ 545,00) – proposta rejeitada pelos sindicalistas, que mantiveram o valor de R$ 580,00 para o Piso. Nova reunião ficou acertada, em 2 de fevereiro.

O aumento de 10% para aposentados não chegou a ser discutido nesse encontro, mas o governo sinalizou com a possibilidade de reajuste de 4,5% na tabela do Imposto de Renda (IR) para pessoa física, índice abaixo dos 6,46% pedidos pelas Centrais.

O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (Paulinho), destacou que as negociações estão abertas, já que ficou agendada uma nova reunião entre representantes das entidades e governo. “Ninguém de nós esperava que tudo seria resolvido hoje (ontem)”, resumiu.

Artur Henrique, presidente da CUT, também destacou o aspecto das negociações: “A posição das Centrais é de manutenção da política, mas que o salário mínimo de 2011 deve receber um tratamento excepcional, em função da crise econômica”.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, lembrou que no governo Lula o aumento do mínimo acima da inflação foi fundamental para o crescimento do País e acabou sendo peça importante para amenizar os efeitos da crise mundial no Brasil. “Tanto o reajuste do mínimo, como da tabela do IR, como o aumento de 10% para os aposentados é uma questão política”, disse Patah.

Reunião sem mágicas

O movimento sindical, sem abrir mão de suas reivindicações, trabalha com a ideia de acordo com o governo. E o governo, pelo que demonstraram seus representantes na reunião com as Centrais, indica que quer tratar a questão com a devida seriedade.

O que se notou, durante os debates, foi a ausência de argumentos marotos, do lado governista, de se trocar uma coisa pela outra, metendo no mesmo embrulho salário mínimo, tabela do Imposto de Renda ou bolsa família – argumentos (ou mágicas), ao que parece, mais localizados na área da Fazenda.

Com Dilma, e nas atuais negociações, o movimento sindical está vivendo a experiência de tratar com um governo do campo popular, mas sem o carimbo sindical, inevitável, da era Lula. Será, de ambos os lados, um aprendizado.

Trabalhador morre em acidente na Mabe de Hortolândia

O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região informou que dois graves acidentes de trabalho ocorreram, na quarta-feira (26), na Mabe Eletrodomésticos, unidades de Campinas e Hortolândia. Em Hortolândia, um trabalhador terceirizado que prestava assistência técnica foi atingido pela prensa em que trabalhava, recebeu socorro, mas não resistiu e morreu.

Após o acidente, os trabalhadores da fábrica de Hortolândia foram dispensados do trabalho.
A Polícia Técnica, o Sindicato – representado por um engenheiro de Segurança do Trabalho, além do Ministério Público do Trabalho (MPT), visitaram o local para a realização de perícias. As causas do acidente ainda são desconhecidas e a máquina foi interditada.

Campinas - Na unidade de Campinas o acidente também foi grave, mas felizmente o trabalhador foi socorrido e não corre risco. Nesta manhã, o Sindicato e a vigilância sanitária realizaram perícia no local. A máquina segue interditada.

Mais informações:
www.metalcampinas.org.br

Movimento sindical abre diálogo com
governo sobre mínimo paulista

As lideranças regionais das Centrais Sindicais participaram de uma reunião, na quarta-feira (26), com o governo paulista, para debater o reajuste do salário mínimo regional vigente no Estado. Os sindicalistas entregaram ao secretário de Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo, Davi Zaia, uma carta com as principais reivindicações dos trabalhadores.

No documento, as Centrais apresentaram propostas para uma política de valorização e recuperação do Piso regional, entre elas a criação de um fórum para discutir anualmente os reajustes; análise do mercado de trabalho; e criação de fórmula de correção automática, levando em conta a variação dos preços dos alimentos.

Os sindicalistas citam na carta um estudo do Dieese, afirmando que “a falta de observação” das especificidades regionais resulta em “menor poder de compra para os trabalhadores da região" e defasagem quanto à variação do valor da alimentação. O estudo mostra que o preço da cesta básica no Estado teve alta de 41,5%, entre julho de 2007 e novembro de 2010, enquanto o Piso I cresceu 36,6% no mesmo período.

Presenças - Participaram do encontro representantes de CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central e CGTB. O debate com o secretário Davi Zaia segue nesta quinta (27).

Fonte: Portal CTB
www.portalctb.org.br

Desemprego no Brasil em 2010 tem menor taxa da série histórica

A taxa de desemprego no Brasil em 2010 foi de 6,7%, a menor da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciada em 2002. Em 2009, o indicador ficou em 8,1%. A taxa em dezembro foi de 5,3%, com contingente de desocupados de 1,3 milhão de pessoas.

Segundo dados do IBGE, divulgados nesta quinta (27), o contingente de desocupados foi de 1,6 milhão de pessoas no ano passado. Já as pessoas ocupadas somaram 22 milhões, 3,5% a mais do que em 2009. O número de trabalhadores com Carteira assinada também foi recorde no ano passado, com 10,2 milhões de pessoas, ou 46,3% do total. Em 2009, a proporção era de 44,7%.

Renda - O rendimento médio real dos trabalhadores em 2010 foi o maior desde 2003: R$ 1.490,61. O ganho foi de 3,8% em relação a 2009 e de 19% em relação a 2003. Em dezembro, o rendimento médio foi de R$ 1.515,10.

Mais informações:
www.ibge.org.br

Emprego para portadores de necessidades especiais

A Plura Consultoria e Inclusão Social está contratando pessoas com necessidades especiais para uma grande instituição financeira. As vagas são para atendimento ao cliente, venda de produtos e serviços bancários, abertura e fechamento de caixa. A Lei 8.213/91 estabelece cotas de contratação para empresas privadas com mais de cem funcionários. Os interessados podem se cadastrar no site da Plura (www.plura.com.br). Para mais informações, ligue 3206.4455.


Wagner Gomes é presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil


Salário mínimo:
o outro lado da moeda

Por Wagner Gomes

O governo da presidente Dilma Rousseff convive em seus primeiros dias com duas “verdades” que soam como absolutas, embora uma delas esteja muito distante dessa definição.
A primeira mostra que é preciso cortar os gastos públicos, como forma de
se conter a inflação e colocar as contas do governo federal nos eixos;
a outra evoca o fato de que a política de valorização do salário mínimo foi uma das responsáveis pelo bom momento econômico vivido pelo Brasil, a despeito da crise internacional que ainda assombra diversos países.
 
Diante de tais “dogmas”, como deveria agir o governo recém-instalado no Palácio do Planalto para definir o valor do salário mínimo para 2011? Por que interromper a política iniciada durante
o governo Lula? Por que a falta de diálogo com a classe trabalhadora em torno dessa questão?

A imprensa vem noticiando nos últimos dias que as Centrais Sindicais têm sido muito duras com o novo governo, mas não é esse
o ponto crucial do debate.
O fato é que a proposta de
reajuste para R$ 545,00 está na contramão daquilo que foi colocado em prática – com sucesso – nos últimos anos. É frustrante acompanhar o ressurgimento da tese de que os salários deterioram as contas públicas, especialmente porque esse ideário não fez parte do programa com o qual a presidente Dilma foi eleita – ao contrário, fazia parte do discurso da oposição.

Estudos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) demonstram que 47 milhões de pessoas são diretamente beneficiadas pelo aumento do salário mínimo. É nesse universo que está um dos principais pilares de sustentação do crescimento da economia brasileira, responsável pelas excelentes perspectivas para o curto, médio e longo prazos do País.
 
Setores do governo argumentam que o reajuste para R$ 545,00 corresponde ao valor acordado com as Centrais Sindicais, a partir da fórmula que utiliza a variação do Produto Interno Bruto e a inflação anual. Esse é um viés bastante discutível, pois não é essa
a expectativa criada por um governo comprometido com o desenvolvimento do País. O PIB negativo de 2009 foi um ponto fora da curva, que não pode servir de pretexto para interromper o ciclo de crescimento real dos salários.

Essa discussão não pode ser encerrada por meio de uma Medida Provisória, conforme demonstra a equipe econômica do novo governo. É preciso mais diálogo com a sociedade e com os movimentos sociais em geral. Se as Centrais Sindicais hoje pressionam por um reajuste maior do salário mínimo, isso é mero reflexo do que anseia a classe trabalhadora do País, setor que apoiou em massa a continuidade do projeto iniciado pelo presidente Lula e viu em Dilma Rousseff a líder ideal para conduzir o Brasil a um novo patamar
de desenvolvimento.
 
Wagner Gomes é presidente nacional da Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB)