UGT e Força Sindical
unificam campanhas salariais

Os presidentes da UGT, da Força Sindical e
da Fecomerciários (Federação Comerciários), respectivamente, Ricardo Patah, Miguel Torres
e Luiz Carlos Motta, além de dirigentes sindicais
de 65 Sindicatos de comerciários da Capital e do Interior, realizaram quarta-feira (25), às 11 horas,
um ato em frente à federação patronal (Fecomercio) – que marcou a entrega da pauta de reivindicações
da campanha salarial de 2010.

“O comércio vem tendo altos lucros, é a vez do trabalhador”, destacou Ricardo Patah, que também preside o Sindicato dos Comerciários de São Paulo. A campanha salarial na Capital – que tem cerca de 450 mil trabalhadores – já está em andamento, mas ainda não foi fechado acordo coletivo com as empresas. Agora, ela será unificada à dos Sindicatos filiados à Fecomerciários e outras categorias com data base no segundo semestre. “Os patrões têm muito a nos dar este ano”, afirmou Luiz Carlos Motta.

Aumentar pressão - UGT e Força Sindical
decidiram unificar suas campanhas salariais, que vão mobilizar mais de 2 milhões de trabalhadores de vários setores da indústria, do comércio e serviços em todo o Estado.

“A partir de agora, se os comerciários precisarem de ir à greve, podem contar com o apoio e a presença dos trabalhadores representados pela Força”, assinalou Miguel Torres, lembrando que o compromisso é atuar conjuntamente nas lutas.

Antes de ir à Fecomercio, os trabalhadores se concentraram em frente à Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), para entregar a pauta conjunta de reivindicações dos trabalhadores da indústria ligados à UGT e a Força Sindical.

Mais informações:
www.ugt.org.br
www.fsindical.org.br

Metalúrgicos do ABC fazem primeira
assembleia da campanha salarial

Os Metalúrgicos do ABC fazem sua primeira assembleia geral da Campanha Salarial 2010 nesta sexta-feira (27), a partir das 18 horas, na sede do Sindicato (rua João Basso, 231, Centro, São Bernardo do Campo). No ato, os trabalhadores vão avaliar e votar as propostas discutidas com a bancada patronal das montadoras, desde o início da campanha, em 23 de junho.

A campanha salarial deste ano está focada nas cláusulas econômicas (as sociais valem até 2011). Entre as reivindicações da categoria, estão reajuste salarial pelo total da inflação; aumento real nos salários; valorização dos Pisos salariais; redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução nos salários; e licença maternidade de 180 dias.

Negociações - Os metalúrgicos cutistas já rejeitaram, desde o início das negociações, três propostas econômicas feitas pelas bancadas patronais: a do setor de Fundição, que não aceitou reajuste salarial de 6,53% (4,3% de INPC mais aumento real de 2%); di Grupo 8 (trefilação, laminação de metais ferrosos; refrigeração, equipamentos ferroviários, rodoviários entre outros), reajuste de 6%; e do Grupo 3 (autopeças, forjaria e parafusos), reajuste de 6,5%.

Mais informações:
www.smabc.org.br

Marina defende redução da jornada
e autonomia a movimentos sociais

A candidata à presidência Marina Silva (PV) defendeu, na terça-feira (24), a autonomia dos movimentos sociais, em entrevista após o lançamento do Manifesto de Apoio de Lideranças Sindicais à sua candidatura, na capital paulista. “Os movimentos sociais não podem estar atrelados ao Estado, mas eles têm que se relacionar”, declarou.

Marina salientou que é necessário ter uma separação clara entre a autonomia dos movimentos sociais e o poder público. A candidata disse que, se eleita, vetará o fim do fator previdenciário, mas defendeu a redução da jornada de trabalho. Ela alertou, entretanto, para que isso não se transforme apenas em mais um processo de preenchimento das vagas com mais horas extras sobre os empregados.

Educação - “Corre esse risco. Nós pensamos a redução da jornada de trabalho como forma de melhorar a vida do trabalhador, para que ele possa ficar com a família, estudar e abrir novos postos de emprego”. Marina ressaltou também que a educação de qualidade é prioridade e que faz parte de um compromisso com os trabalhadores.

Mais informações:
www.minhamarina.org.br

Serra despenca em São Paulo

A novidade da última pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, dia 26 de agosto, (Dilma 49%, Serra 29%) é a queda acentuada do candidato tucano no Estado de São Paulo. Entre uma pesquisa e outra, Dilma passou de 34% para 41%, enquanto Serra caiu de 41% para 36%. Na Capital, Dilma também avançou: agora, ela tem 41% contra 35% de Serra.

O cenário é o mais inseguro possível para Serra. O temor tucano é de que sua decadência afete também Geraldo Alckmin e esfrie as campanhas proporcionais.

Vigilantes do condomínio Morada
dos Lagos ameaçam com greve

Os vigilantes que fazem a segurança no condomínio Sociedade Aldeia da Serra Residencial Morada dos Lagos decidiram em assembleia, na terça-feira (24), entrar em greve a partir de zero hora da próxima terça (31), caso a sociedade não aceite a reivindicação de implantar a jornada 12x36 no acordo coletivo do residencial.

A jornada 12x36 é praticada há mais de cinco anos pelos trabalhadores e, agora, a empresa prestadora de serviço comunicou o Sindicato dos vigilantes de Barueri e Região que, a partir de 1º de setembro, será implantada a escala 5x1, em três turnos. Ou seja: das 6 às 14 horas; das 14 às 22 horas; e das 22 às 6 horas.

Perdas - Os vigilantes estão revoltados, pois caso a imposição da empresa seja efetivada, eles terão prejuízos de ordem social, econômica e financeira. Os moradores, entre eles advogados, médicos, entre outros, não só apóiam o movimento, como também estão indignados com a direção da Sociedade.

Mais informações:
No Sindicato – Telefone (11)4706.1211

Porteiros poderão receber adicional de periculosidade

A Câmara dos Deputados analisa mais um projeto de lei (PL 7760/10), que assegura adicional de periculosidade aos trabalhadores em atividades perigosas. Agora, são os porteiros, vigias e seguranças de prédios comerciais e residenciais que podem ser beneficiados com o acréscimo de 30% de adicional sobre o salário base.

Pela proposta, originária do Senado, zeladores, faxineiros e serventes que, eventualmente, prestarem serviços de vigilância e segurança também receberão o benefício. O autor do projeto, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), lembra que são cada vez mais comuns casos de porteiros que foram até mesmo assassinados, devido à ação de criminosos em prédios. Para o senador, é justo que os profissionais do setor recebam adicional de periculosidade, em virtude do constante risco a que são submetidos.

Tramitação - A proposta, que tramita em regime de prioridade, será analisada pelas comissões de Trabalho e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Mais informações:
www.camara.gov.br

Confiança do consumidor sobe de julho para agosto

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV) referentes a agosto mostra satisfação dos brasileiros com o momento atual e otimismo quanto ao futuro. De julho para agosto, o ICC subiu 0,7%, passando de 120 para 120,8 pontos. A parcela de consumidores que projeta compras maiores de bens duráveis nos próximos seis meses subiu de 14% para 16,6%.

 


Emir Sader dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ

 


Getúlio e Lula,
o mesmo combate

Por Emir Sader

Há pouco mais de meio século – em 1954 –, em um dia 24 de agosto, morria Getúlio Vargas, o mais importante personagem da história brasileira no século passado. Ele havia sido antecedido na presidência do País por Washington Luis (como FHC, carioca recrutado pela elite paulista), que se notabilizou pela afirmação de que “A questão social é questão de polícia”, que erigiu como brasão de seu governo, produto da aliança “café com leite”, das elites paulista e mineira (essa que FHC queria reviver).

Getúlio liderou o processo popular mais importante do século passado no Brasil, dando inicio à construção do Estado nacional, rompendo com o Estado das oligarquias regionais primário-exportadoras, e começando a imprimir um caráter popular e nacional ao Estado brasileiro.

Um País que tinha tido escravidão até pouco mais de 4 décadas – o ultimo a terminar com a escravidão nas Américas –, que significava que o trabalho era atividade reservada a “raças inferiores”, passava a ter um presidente que interpelava os brasileiros no seu discurso com “Trabalhadores do Brasil”. Fundou o Ministério do Trabalho, deu inicio à Previdência Social, fazendo com que a questão social passasse de “questão de policia”, a responsabilidade do Estado.

Começou a aparelhar o Estado para ser instrumento fundamental na indução do crescimento econômico que, junto às políticas de industrialização substitutiva de importações, deu inicio ao mais longo ciclo de expansão da história do Brasil. Promoveu a expansão da classe operária, criou as carreiras públicas no Estado, impulsionou a construção de um projeto nacional, de uma ideologia da soberania nacional, organizou um bloco de forças que levou a cabo o processo de industrialização, de urbanização, de modernização do Brasil.

Getúlio pagou com sua vida a audácia da fundação da Petrobrás, no seu segundo mandato. Foi vítima dos tucanos da época, com o corvo mor Carlos Lacerda como golpista de plantão. Tal como agora, detestavam tudo o que tivesse que ver com o povo, com nação, com Estado. Resistiram à campanha “O petróleo é nosso”, como entreguistas e representantes do império norte-americano aqui. A direita nunca perdoou Getúlio.

Os corvos daquela época – tal como os de hoje – desapareceram na poeira do tempo. Seu continuador, FHC, afirmou que ia “virar a página do getulismo”, porque sabia que o neoliberalismo seria incompatível com o Estado herdado do Getúlio. Fracassou seu governo e o projeto de Estado mínimo dos tucanos.

A figura de Getúlio permanece como referência central do povo brasileiro e se revigora com o governo Lula. Com a consolidação da Petrobrás, com a retomada do papel do Estado indutor do desenvolvimento econômico, da afirmação dos direitos sociais dos trabalhadores e da massa da população.

São Paulo, que promoveu uma tentativa de derrubada do Getúlio em 1932 – movimento caracterizado por Lula como uma tentativa de golpe –, promove Washington Luis e o 9 de Julho (de 1932), com nomes de avenidas, estradas e ruas, mas não tem nenhum espaço público importante com o nome do Getúlio. Não por acaso São Paulo representa hoje o ultimo grande bastião da direita, das forças e do pensamento conservador, no Brasil.

Getúlio foi um divisor de águas na história brasileira, como hoje é Lula. Diga-me o que pensa de Getúlio e de Lula e eu te direi quem você é politicamente. O dia 24 de agosto encontra o Brasil reencontrado com o Estado nacional, democrático e popular, com a soberania na política externa, com o regaste do mundo do trabalho, com mais uma derrota da direita. O fio condutor da história brasileira passa pelos caminhos abertos trilhados por Getúlio e por Lula.

Emir Sader dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia