O plano de habitação “Minha Casa Minha Vida”, lançado na quarta-feira (25) pelo governo federal, foi recebido com entusiasmo por representantes dos trabalhadores e da cadeia produtiva do setor. A proposta de construção de 1 milhão de moradias até o final de 2010, com investimento direto de R$ 34 bilhões pelo governo, deve mobilizar cerca de R$ 60 bilhões na economia e gerar mais de 500 mil empregos. No anúncio do programa, com a presença de várias autoridades e representantes dos movimentos de moradia e Centrais Sindicais, o presidente Lula afirmou que o plano “vai acrescentar mais recursos” aos já aplicados atualmente no setor habitacional. A Força Sindical disse em nota que o programa “é um importante instrumento para o desenvolvimento social e distribuição de renda”. “O plano irá beneficiar e fomentar não somente o setor da construção civil, que atravessa dificuldades, mas também outros ramos de atividade como metalurgia, madeireiro, químico e de cerâmica”, destacou. Trabalho - Segundo o presidente da Central, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), o plano deve ser agregado ao projeto de qualificação e requalificação profissional, geração de empregos formais e com cumprimento das legislações trabalhistas. “A construção de 1 milhão de moradias pode se constituir em importante medida de combate ao desemprego e de inclusão social se o programa atender prioritariamente os interesses dos trabalhadores de baixa renda, inclusive dos que estão desempregados”, ressaltou Pascoal Carneiro, secretário-geral da CTB. Inclusão - Para o coordenador nacional do Movimento Urbano dos Sem-Teto (Must), Waldir Martins Marrom, o mais importante agora “é começar a fazer essas casas”. Ele observou que a construção de casas é uma cobrança antiga dos movimentos sociais que lutam por moradias para a população de baixa renda. “Vamos nos empenhar para construir um milhão de casas e gerar 400 mil empregos”, comemorou João Crestana, presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP). Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Watanabe, o programa “é robusto e bem estruturado”. Construir Já! - O presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, avaliou que o pacote habitacional vai ajudar a “reerguer” setores prejudicados pela crise financeira internacional. “Temos engenharia e mão-de-obra suficientes para isso”, enfatizou. Mais informações:
Reunião das Centrais nesta sexta (27) ajusta
|
Reajuste dos servidores, uma questão política Por Antônio Augusto de Queiroz O governo, após refletir sobre os custos políticos de cancelar, adiar ou postergar o reajuste dos servidores previsto para julho próximo, que também inclui os militares, sinalizou para o cumprimento do calendário de pagamento. O fato de não prever a exclusão dessa despesa do Decreto de Programação Financeira, que é obrigado a enviar ao Congresso até o final de março de cada ano, ratifica a intenção governamental de pagar os reajustes, embora pretenda acompanhar a evolução da receita até o final de maio, último prazo para tomar uma decisão conclusiva, conforme prevê o artigo 322, da Lei 11.907/09, que trata do reajuste das carreiras. O governo só teria legitimidade para tomar uma decisão dessas (suspender ou adiar reajuste), prestação de natureza alimentar, após zerar o superávit primário, suspender as transferências e repasses voluntários a estados e municípios, além de suspender a liberação de emendas de parlamentares, coletivas e individuais. E, mesmo assim, a decisão teria que alcançar a todos, civis e militares, carreiras administrativas e de Estado. Uma eventual suspensão ou adiamento do reajuste, que após o envio ao Congresso do decreto de programação financeira só poderá ser feita por MP ou projeto de lei, teria custos políticos enormes, com ou sem a efetivação das variáveis do parágrafo anterior. No primeiro caso (de completa incapacidade de honrar o compromisso) porque daria razão à oposição, que acusou o governo de dar reajuste com base em expectativa de receita, sem garantia real de sua efetivação. No segundo (de manter o superávit, as transferências voluntárias e emendas parlamentares) porque ficaria configurada a opção política do governo pela banca e pelos políticos (governadores, prefeitos, deputados e senadores) em detrimento do servidor público. Em qualquer dos cenários, com ou sem motivação efetiva, a suspensão ou o adiamento teria conseqüências graves, tanto na relação dos servidores com o governo, quanto no comportamento dos servidores em relação ao candidato ou candidata oficial para a sucessão em 2010. Por todos estes motivos, foi correta a atitude do governo. Não ficaria bem para o presidente da República, oriundo do movimento sindical, descumprir acordos salariais com os servidores e suspender ou adiar reajuste assegurado por lei e já previsto no orçamento para 2009, frustrando a expectativa de milhares de funcionários civis e militares da União. Além disto, seria profundamente injusto com os servidores com atualização salarial prevista para o segundo semestre deste ano, já que aqueles cujos reajustas estavam programados para o primeiro semestre já receberam ou irão receber seus reajustes sem qualquer risco. E as leis Orçamentária e de Responsabilidade Fiscal sempre trabalham com o exercício pleno, não havendo sentido alguns receberem e outros não. Portanto, a expectativa é que o reajuste seja confirmado e se evite greves, fato que desgastaria ainda mais o governo neste momento de crise. A relação dos servidores com o governo, depois da reforma da Previdência, voltou a um patamar de diálogo e respeito recíprocos, e um eventual descumprimento de acordos (já transformados em lei) interromperia esta aproximação. Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap |
||||
![]() |
|||||