Desde os eventos de resistência à ditadura, o auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, não recebia tanta gente. O ato contra “o golpismo da mídia e por mais liberdade de imprensa”, na noite da quinta (23), lotou todas as cadeiras, todas as laterais, todos os espaços do auditório, o corredor de acesso ao plenário e as escadarias. Muita gente teve de ficar do lado de fora, ocupando as duas calçadas da rua Rego Freitas, em frente ao Sindicato, no Centro de São Paulo. O responsável pela iniciativa, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé calcula em mais de 300 pessoas presentes ao evento. O ato contou com um grande número de jornalistas, quatro Centrais Sindicais (CUT, CTB, Nova Central e CGTB), vários Sindicatos, partidos (PCdoB, PSB e PDT), além de entidades do movimento social, como o MST, e ligadas à democratização da mídia, como a Altercom, que reúne os pequenos empreendedores da comunicação.
Altamiro Borges, jornalista, escritor e coordenador do Barão de Itararé, conduziu os trabalhos, ao lado de José Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas. Foi Altamiro quem leu o documento “Pela mais ampla liberdade de expressão”, com a tomada de posição das entidades e quatro pontos estratégicos, aprovado por aclamação. Lágrimas - O clima no auditório Vladimir Herzog, palco de grandes lutas por liberdade e contra a repressão, era de otimismo e muita emoção. Emoção que encheu de lágrimas os olhos de várias pessoas no momento da fala de deputada e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina. Para a parlamentar socialista, “os donos da mídia estão tentando uma reação macartista e histérica”. E justificou: “Eles sabem que a sociedade não aceita mais uma mídia que só reflete a voz do dono; eles não se conformam que o governo do primeiro presidente operário esteja dando certo”. Hino - Alguém da platéia iniciou o canto e o auditório, em peso, entoou, com firmeza e muita emoção, o Hino Nacional Brasileiro, encerrando o ato. Sindicato - Com o evento da noite de quinta (23), o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo reafirma a própria história e se recoloca no centro do palco das grandes lutas democráticas da sociedade brasileira. Por João Franzin Clique aqui e leia a íntegra do manifesto “Pela mais ampla liberdade de expressão”
Momento propício para a conquista de ganho real Os Sindicatos precisam alertar os trabalhadores que estão em campanha salarial que o momento econômico do País é propício para a negociação de acordos coletivos que contenham aumentos reais de salários. É que a economia do País, em franca expansão, deverá fechar o ano, com uma evolução positiva entre 7% e 7,4%, dependendo do setor que faz a previsão. Todos os setores econômicos estão bombando – indústria, comércio, serviços e o campo. Os trabalhadores estão fazendo muita hora extra e as empresas passaram a contratar mais gente para dar conta da demanda aquecida. As Centrais Sindicais souberam se mobilizar na eclosão da crise financeira internacional. Houve negociações, nossas propostas foram incorporadas pelo governo federal e conseguimos atravessar a crise sem muitas baixas no emprego e com razoáveis acordos coletivos. Agora, queremos uma parcela considerável da riqueza produzida por nós nas atividades realizadas dentro das empresas. Mais do que nunca, a palavra de ordem é muita mobilização para arrancarmos um excelente aumento real de salário. Não se pode abrir mão disso, sob pena se sermos criticados pelos trabalhadores. Nosso ganho real terá de ser compatível com o crescimento para melhorarmos a distribuição de renda no Brasil. A renda impulsiona o consumo, a produção, o aumento do emprego e a geração de riqueza. Companheiras e companheiros, como a crise é passado, os trabalhadores têm de arregaçar as mangas para lutar e conquistar ótimos acordos coletivos. Miguel Torres é presidente em exercício da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi
Comerciários protestam contra mudança
“Vamos estar juntos nesse ato contra o trabalho escravo. No local, o Sindicato irá parar uma ‘carreta’, para alertar contra a imposição inaceitável dos administradores do shopping”, afirma o presidente do Sindicato e da UGT, Ricardo Patah. Data-base - Os comerciários também estão em campanha salarial e continuam enfrentando a resistência dos empresários em conceder reajuste com índice acima da inflação e proporcionais aos ganhos do comércio nos últimos anos. Mais informações: Assessoria de Imprensa (2111.1762 e 2111.1763)
Bradesco é condenado por proibir uso de barba por funcionários
Segundo o juiz Guilherme Ludwig, o veto à barba fere a Constituição, que garante que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. O juiz considerou que o veto ao uso de barba por funcionários é “conduta patronal que viola inequivocamente o direito fundamental à liberdade de dispor de e construir a sua própria imagem em sua vida privada”. Pena - A sentença determina que o Bradesco pague R$ 100 mil de indenização por dano moral coletivo, valor deve ser revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Além disso, o banco deve divulgar em jornais da Bahia e na TV mensagens dizendo que alterou seu “Manual de Pessoal”, para excluir a proibição. O banco ainda pode recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho. Fonte: G1 - g1.globo.com
Nova Central quer Confederações no
O presidente da Nova Central, José Calixto Ramos, reivindica a participação das Confederações no CRT, de forma a assegurar a mais ampla representatividade na composição do conselho. CRT - Criado por portaria, publicada dia 3 de setembro, o órgão tem natureza orientadora, com a finalidade de promover a democratização das relações do trabalho e o tripartismo – o entendimento entre trabalhadores, empregadores e governo federal a respeito de temas relativos às relações do trabalho e à organização sindical. Segundo a portaria, os trabalhadores serão representados no conselho por representantes indicados pelas Centrais Sindicais. Mais informações: www.ncst.org.br
Petrobrás se torna segunda maior empresa
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Enquanto a nossa mídia convencional continua, no seu tanque de roupa suja, a avacalhar o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff, o “think tank” do International Institute for Strategic Studies atribuiu a ele e sua política externa a maior e melhor projeção que o Brasil alcançou no mundo, nos últimos tempos. Em seu relatório (Strategic Survey 2010: The Annual Review of World Affairs) deste ano o Instituto destaca como o mundo passa por uma reavaliação das suas ordens de poder, depois da crise começada em 2008. Nesse cenário de mudanças o peso da América Latina cresceu, e o do Brasil foi potencializado pela abertura para vários cenários propiciada pela política externa do governo Lula, solidamente ancorada nas políticas sociais internas e no prestígio que isso trouxe a ele e ao País. Diante de tais pesos e tais medidas, não surpreende a renitente insistência da campanha das oposições de direita em malhar o ferro frio das denuncias de ocasião, tenham fundamento ou não. Como seu candidato preferencial tornou-se um anti-candidato, ou permanente anti-candidato a candidato, já que nada tem a oferecer a não ser vagas assertivas sobre “ser melhor” do que o presidente que ora encerra dois vitoriosos mandatos, tudo o que resta a ambos – candidato a candidato e a mídia que o anima – é procurar rapar o tacho dos eleitores indecisos ou sensíveis a denúncias vazias para tentar levar a eleição a um segundo turno. Isso, nessa altura, seria cantado em prosa e verso como uma “derrota” para Dilma, e animaria o por ora desanimado e tedioso campo dessas oposições sem mais assunto. Na base desse comportamento está o progressivo descolar-se desse conjunto – candidato a anti-candidato e a mídia – da real situação por que o País e o mundo atravessam. É de se perguntar em que mundo eles vivem, e o que de fato farão se tiverem algum êxito em suas manobras. Fico pensando em como o candidato a candidato, se se assentasse no trono de seus sonhos, enfrentaria uma reunião da Unasul depois de ter chamado o presidente boliviano de cúmplice (mesmo que seja por omissão) do narcotráfico. Se foi uma bravata, ele agora está preso a ela, porque se desse um claro desmentido de suas afirmações, perderia os votos que com ela rapou no tacho. A mídia conservadora, seus arautos e seu candidato do vir-a-ser (pois a cada dia anuncia que é uma coisa diferente da de ontem) não conseguem admitir que vivem num mundo em que a subserviência automática não rende mais dividendos no plano externo. E não conseguem ver também que, ao denegar ao ostracismo esse relativamente novo Brasil e sua navegação no mundo real das políticas sociais e da política externa, ferem e procuram cortar o fio da autoestima melhorada que foi tomando conta da população durante os dois governos Lula. Isso aumenta o isolamento, que aumenta o ressentimento, que aumenta o isolamento, que aumenta... Esse imaginário conservador é que permanece, com todas suas modernidades e pós-modernidades, imerso no mundo da Casa Grande e da Senzala: à Senzala o que é da Senzala, isto é, o silêncio e a subserviência. À Casa Grande o que é da Casa Grande: a política e o poder de mando indiscriminado sobre os subalternos. Além da subserviência aos grandes do planeta, é claro. Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim |
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