Bancários iniciam greve nacional. Em
São Paulo haverá passeata amanhã (25)

Foto: Mauricio Morais


As assembleias realizadas ontem (23) em todo o País decidiram por greve geral dos bancários por tempo indeterminado a partir de hoje. Segundo a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) a paralisação foi votada pelos trabalhadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Porto Alegre. Também vão parar 19 estados.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo não tinha até a manhã de hoje um levantamento sobre a paralisação. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, a maioria dos bancos da região central e da avenida Paulista estão parados. O Sindicato prepara para amanhã, a partir das 15 horas, uma passeata dos bancários que sairá da praça Oswaldo Cruz até a agência Santander próxima ao metrô Trianon. 

A proposta patronal, rejeitada pelos bancários ontem à tarde, era de 4,5% de reajuste. Os bancários querem 10% e não concordam com a redução da PLR (Participação nos Lucros e/ou Resultados) de até 15%. Hoje, às 17 horas, será realizada uma assembleia na quadra dos bancários, na região central de São Paulo, para avalir a greve.

Mais informações:
www.contrafcut.org.br
www.spbancarios.com.br

Negociação do Sindicato com Volks
do Paraná pode definir fim da greve

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (filiado à Força Sindical) está negociando com a direção da Volks desde ontem à tarde o acordo salarial dos 3.500 trabalhadores da empresa. A reunião teve prosseguimento hoje pela manhã. Às 14 horas será realizada uma assembleia na porta da fábrica. Os metalúrgicos estão em greve desde o dia 3 de setembro.

A última proposta apresentada pela Volks era de 7,57% de reajuste, R$ 2 mil de abono e aumento do adicional noturno de 20% para 25% a partir de agosto de 2010. Os trabalhadores querem 10%, R$ 2 mil de abono e aumento do adicional noturno para 25% a partir de setembro.

A principal exigência dos metalúrgicos é o aumento do número de steps (avaliações de desempenho que resultam em elevação do nível salarial) de cinco para onze. Na unidade da Volks de São Bernardo do Campo, os trabalhadores têm onze steps, fazendo com que o nível salarial seja bem maior que o de São José dos Pinhais, Grande Curitiba, Paraná.

Osvaldo da Silva Silveira, diretor do Sindicato, explica: “O ponto principal de nossas reivindicações é a tabela salarial, o número de steps. E, até agora, a empresa se recusa a atender. A diferença salarial entre as unidades de São Bernardo e São José dos Pinhais é muito grande”. 

Mais informações:
www.simec.com.br

Sindicato terá placar das 40 horas
no Palácio do Trabalhador

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes irá inaugurar nesta sexta-feira, 25 de setembro, às 15 horas, na parte externa do Palácio do Trabalhador, rua Galvão Bueno, 782, Liberdade, um placar das 40 horas. O objetivo é divulgar nele a posição dos deputados federais e senadores paulistas com relação à PEC 231/95, que prevê a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial.

“Vamos mostrar quem está e quem não está com os trabalhadores nesta importante luta por geração de emprego, mais qualidade de vida para a classe trabalhadora e desenvolvimento econômico e social no Brasil”, afirma Miguel Torres, presidente do Sindicato e vice-presidente da Força Sindical.


Mais informações:
www.metalurgicos.org.br

Adiada votação de projeto de
lei que disciplina demissões

Previsto para ser votado ontem (23), na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, o PLP (Projeto de Lei Complementar) 8/03, que disciplina as demissões sem justa causa, foi retirado de pauta a pedido do deputado Márcio Junqueira (DEM/RR). O projeto do deputado Maurício Rands (PT-SP) define os motivos que poderiam fundamentar a demissão: dificuldade financeira da empresa, reestruturação produtiva, indisciplina ou insuficiência de desempenho do emprego.

Entre outros aspectos, a nova proposta exige negociação com os Sindicatos em eventuais demissões coletivas ou demissões arbitrárias; disciplina a multa de 40% do FGTS e trata da estabilidade provisória.

Segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o empresariado está fazendo um forte lobby para que a proposta não seja aprovada. Três deputados - Laércio Oliveira (PSDB/SE), José Otávio Germano (PP/RS) e Luiz Carlos Busato (PTB/RS) - apresentaram voto em separado para rejeitar o projeto.

Mais informações:
www.diap.org.br

Vinte milhões fora da linha da pobreza em cinco anos

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) informa: cerca de 31 milhões de brasileiros subiram de classe social entre 2003 e 2008. Desses, 19,4 milhões deixaram a classe E, que traça a linha da pobreza; e outros 1,5 milhão saíram da classe D (renda familiar de R$ 768,01 a R$ 1.114,00). No período, houve queda acumulada de 43% no grupo dos mais pobres. A constatação faz parte de um estudo da FGV com base nos dados de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE.

 


Paulo Paim é senador da República pelo PT do Rio Grande do Sul



Aposentar
com dignidade

Sabemos que o momento atual é de muita mobilização. Afinal, a luta não é nova. Ela começou há anos. Ao contrário do que dizem alguns que alegam ter sido pegos de surpresa, nossas primeiras propostas relativas à aposentadoria foram apresentadas em 2003 e desde então estamos batalhando para que sejam debatidas e aprovadas.

Também não são verdadeiras as afirmações daqueles que dizem que a Previdência não teria receitas para cobrir as alterações propostas pelos projetos. Sabemos que as verbas existem, basta que elas não sejam desviadas para outros fins.

Além disso, propomos um aumento no superávit da Previdência. Já que ela vem, ao longo das décadas, pagando as maiores obras do país, nada mais justo que uma porcentagem do dinheiro arrecadado com o Pré-Sal seja destinado à Previdência.

Em projeto que apresentamos, o PLS 362/08, determinamos que parte dos recursos do Pré-Sal sejam destinados às áreas de saúde, previdência social e ao Fundeb.

Atualmente somos relatores de proposta apresentada na Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa (CDH) do Senado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP),

Lembramos exemplo citado pelo presidente da FUP, João Antonio de Moraes, que mostra que na Noruega os trabalhadores não pagam a previdência. Lá a aposentadoria é integral e os recursos da previdência advêm do petróleo.

Segundo ele, o Pré-Sal pode corresponder a um orçamento de mais ou menos US$ 15 trilhões. Ou seja, é uma nova fonte de recursos para a nossa Previdência que tende a cada vez mais ter um número maior de beneficiários.

Isso demonstra que a luta não terá fim tão cedo.

A cada passo que avançamos novos desafios aparecem no horizonte.

Desejamos ver aprovados o fim do fator previdenciário (PL 3.299/08), a recuperação dos benefícios com base no número de salários mínimos que aposentados e pensionistas recebiam no momento das aposentadorias (PL 4.434/08) e a aprovação da emenda ao PL 1/07 a qual estende a todas aposentadorias e pensões o mesmo percentual de reajuste dado ao salário mínimo.

Matérias de nossa autoria, já aprovadas no Senado e que atualmente tramitam na Câmara.

Os aposentados do nosso País já foram trabalhadores que ajudaram a construir o que somos hoje e sua luta merece respeito. Ainda que a aposentadoria esteja atrelada ao conceito de envelhecimento, temos que ter em mente que envelhecer não significa estar desconectado com o mundo.

Os aposentados e idosos do nosso País continuam tão cidadãos e cidadãs quanto antes. Por isso tenho defendido também que os idosos com mais de setenta anos continuem votando, pois sua participação é parte importante no Brasil que queremos para todos.

É preciso encarar cada batalha com otimismo e ânimo para seguir sempre em frente na construção de um país mais digno e igualitário e todos os brasileiros estão convidados a se embrenhar nesta luta.

Texto publicado originalmente no jornal Gazeta do Sul