UGT realiza seminário sobre
economia sustentável

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) deu início na manhã de hoje (23) ao Seminário “Ecologia e Desenvolvimento – a nova economia de baixo carbono”. O evento, que reúne mais de 200 lideranças sindicais de todo o País, acontece no hotel Braston, em São Paulo, e tem como objetivo discutir a questão das mudanças climáticas.

O presidente da Central, Ricardo Patah, abriu o seminário destacando que a UGT tem a defesa ambiental como um de seus princípios desde a fundação, em 2007. “Nosso objetivo é estabelecer propostas e sair deste seminário com um documento que aponte metas para promover o desenvolvimento com sustentabilidade e garantia do emprego”, afirma Patah.

O secretário de Meio Ambiente da UGT, Francisco Prado, enfatiza: “Vamos responder as exigências da sociedade brasileira e dos trabalhadores na defesa e luta por um meio ambiente sustentável”.

Palestras - O seminário contou com as palestras de especialistas e ativistas ambientais como o pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Luiz Gilvan Meira, o ambientalista Fabio Feldman e Marcelo Furtado, do Greenpeace.

O professor da USP Luiz Gilvan Meira afirma que a mudança climática, provocada pela emissão de carbono, vai prejudicar todo o setor produtivo. “A indústria, a agricultura e todo consumo será afetado pela mudança climática e, com isso, os empregos também serão afetados. É necessária uma nova revolução industrial que estabilize a emissão de CO2”, advertiu Gilvan.

O ex-deputado e secretário de meio-ambiente de São Paulo, Fabio Feldman, destacou a a união entre ambientalistas e Sindicatos. “Sonhava há muito tempo em ter o movimento sindical nessa luta em defesa do meio ambiente, que será o principal desafio da humanidade nos próximos anos”.

O evento tem continuidade na tarde desta sexta-feira e pode ser assistido via internet por meio do site da Central (www.ugt.br).

Protestos param mais três metalúrgicas em Guarulhos

Foto: Claudio Omena

Pereira comanda assembleia na Umicore

O Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região realizou na manhã desta sexta (23) assembleias em três empresas. Os metalúrgicos protestam contra a falta de uma proposta salarial concreta por parte dos patrões. As ações aconteceram na Umicore (Itapegica), Bristol (Cidade Industrial, Cumbica) e ABB (Jardim São Roque), mobilizando mais de 1.600 trabalhadores.

Os metalúrgicos ligados à Força Sindical estão em campanha salarial desde setembro. A data-base é 1º de novembro. As reivindicações principais são: reposição das perdas geradas pela inflação, aumento real, jornada de 40 horas e ampliação dos direitos nas Convenções Coletivas.

O presidente do Sindicato, José Pereira dos Santos, diz: “O Brasil voltou a crescer e os trabalhadores querem participar desse crescimento. Se os patrões não apresentarem proposta decente até o final de outubro, vai ter greve a partir do dia 3 de novembro”.

Na tarde desta sexta-feira, a mobilização será na empresa Valeo (Pimentas), que tem aproximadamente 800 funcionários. Novas paralisações acontecerão até dia 28, data programada para a última reunião de negociação entre sindicalistas e empresários.

Mais informações:
www.metalurgico.org.br

Metalúrgicos do ABC protestam contra
acidente fatal na Mercedes-Benz

Os trabalhadores dos turnos da tarde e da noite na Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, paralisaram a produção, na quinta-feira (22), em protesto contra o acidente que causou a morte do metalúrgico Silvanio Pereira Silva, de 35 anos, no período da manhã.

Na tarde de quinta, a coordenação do Comitê Sindical de Empresa (CSE) acompanhou o início dos trabalhos da Polícia Técnica, que vai investigar o caso. Nesta sexta-feira (23), às 5 horas, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC realizou assembleia com os trabalhadores do turno da manhã, para avaliar as condições do acidente.  

Solidariedade - A entidade informa que vai exigir rigorosa apuração dos fatos que provocaram o acidente e já está acompanhando a investigação. O Sindicato também está dando apoio à família.

Mais informações:
www.smabc.org.br

Cursos de qualificação profissional destinarão
10% de vagas para deficientes

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) anunciou, quinta-feira (22), a criação do Termo de Referência do Consórcio Social da Juventude (CSJ), submodalidade do ProJovem Trabalhador, que destina 10% das vagas dos cursos de qualificação social e profissional para jovens portadores de deficiências.

O Ministério do Trabalho deverá expedir orientações, instruções e estabelecer procedimentos complementares para a execução das ações do ProJovem Trabalhador.

CSJ - O Consórcio Social da Juventude beneficia jovens de 18 a 29 anos, membros de famílias com renda mensal de até um salário mínimo por pessoa, que estejam desempregados e cursando ou tenham concluído o ensino fundamental ou médio. O curso cria oportunidade de trabalho por meio da qualificação profissional.

Mais informações:
www.mte.gov.br

FST reitera defesa da unicidade sindical

As entidade que integram o Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) se reuniram terça-feira (20), na sede da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em Brasília, para debater as ações visando derrubar a Portaria nº 186 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que na opinião do Fórum estabelece o pluralismo sindical.

As entidades organizadas no FSM também debateram formas de pressão, objetivando a aprovação do PLS 248/2006, que regulamenta a contribuição assistencial. Em tramitação no Senado, o projeto prevê que entidades sindicais poderão receber de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, valores definidos em assembleia geral da categoria, cujo percentual não poderá ser superior a 1% da remuneração bruta anual.

Sintonia - “Concordamos em temas essenciais, como a defesa da unicidade sindical e a contribuição, além de questões políticas relevantes, como a necessidade de lutar pelo fim do fator previdenciário”, afirmou Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB.

Mais informações:
www.portalctb.org.br

Cada plataforma da Petrobrás no pré-sal vai gerar 5 mil empregos

A Petrobrás prevê a contratação de 30 plataformas para exploração dos campos de Iara e Tupi, na camada pré-sal da Bacia de Santos (SP), sendo que cada uma deverá gerar mais de cinco mil empregos diretos e indiretos na fase de construção. Segundo a empresa, o prazo para que cada plataforma fique pronta varia de três a três anos e meio.

 

 

Vicente Paulo da Silva (Vicentinho) é deputado federal (PT-SP)

 


Empregos, dignidade
e cidadania

Por Vicente Paulo da Silva

A luta pela redução da jornada de trabalho não é de hoje. A instituição do 1º de maio como feriado internacional, o Dia do Trabalhador, nasceu da luta de operários que queriam a redução da jornada de trabalho, pois eles trabalhavam 16 horas por dia.

O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, também foi resultado de uma greve de centenas de mulheres que não aceitavam tanta exploração. Aproximadamente 130 tecelãs foram queimadas, porque reivindicavam uma jornada menor.

Aqui no Brasil, a história é longa. Eu a vivi como dirigente sindical dos metalúrgicos. Fizemos a greve chamada Operação Vaca Brava e conseguimos reduzir a jornada de 48 horas para 44 horas semanais, limite consagrado em 1988 pela Constituição Federal.

Se olharmos a história de 20 anos atrás, percebemos que as empresas, hoje, produzem três vezes mais riquezas, com três vezes menos trabalhadores. A evolução tecnológica beneficia grupos econômicos. Contudo, a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário é exatamente para que o benefício seja para todos.

Já se comprovou, através da história, que essas reduções não prejudicam a produção da empresa. Pelo contrário trazem um ambiente agradável, de respeitabilidade, garantem produtividade e qualidade dos produtos e serviços.

Devemos estar sempre atentos, discutindo com toda a sociedade e apresentando projetos que melhorem a condição de vida dos trabalhadores, que garantam direitos sem redução de salários e que respeite a dignidade e a cidadania da classe trabalhadora do nosso País.

Diante disso, apresentei na Câmara dos Deputados projetos que primam por essa dignidade, tais como o PL 6356/05, que estabelece critérios para demissão coletiva com a participação do Sindicato e da sociedade e o PL 1621/07, que regulamenta as relações de trabalho nos processos de terceirização, com vistas ao combate à precarização do trabalho.

O relatório da PEC 231/95 foi aprovado por unanimidade na comissão especial criada para analisá-la. Ouvimos todos os setores e, em que pese o respeito pelos que são contra a redução da jornada, os argumentos não se justificam. Também não se justificaram na elaboração da Constituição Brasileira em 1988 quando reduzimos a jornada de 48 para 44 horas semanais.

Nem diante da crise financeira internacional os argumentos contrários à redução da jornada se justificam e não passam do patamar das lamúrias patronais, pois também na Comissão Especial sobre  a Crise Financeira, as contribuições colhidas dos diversos segmentos da sociedade nos deram tranquilidade para sugerir no relatório a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, como solução para a geração de empregos.

O desenvolvimento é uma necessidade constante, sem precarizar as relações de trabalho. Dignidade e cidadania é o que merecem os trabalhadores brasileiros.

Vicente Paulo da Silva (Vicentinho) é deputado federal (PT-SP)