Metalúrgicos da Volks e Ford retomam
greve em Taubaté por reajuste maior

Após fecharem um acordo salarial com o sindicato patronal das montadoras (Sinfavea) estabelecendo reajuste de 6,53% para a categoria, assinado em 11 de setembro, os Sindicatos dos metalúrgicos do ABC e Taubaté (vinculados à CUT) foram surpreendidos pelo reajuste dos trabalhadores da GM (General Motors), que conquistaram 8,3% nas fábricas de São José dos Campos e São Caetano do Sul.

O índice maior obtido na GM (onde os Sindicatos são ligados à Conlutas e à Força Sindical), sendo 4,4% de reposição da inflação e 3,9% de aumento real – valor superior aos 2% assegurado em Taubaté e no ABC) – causou insatisfação nos trabalhadores da base cutista nas montadoras.

Além do reajuste maior, os metalúrgicos da GM também conseguiram um valor superior no abono, fixado em R$ 1.950, enquanto seus colegas do ABC e Taubaté tiveram abono na casa de R$ 1.500.

Inconformados com a situação, os operários da Volkswagem e da Ford em Taubaté decidiram retomar a greve nesta quarta-feira (23), pressionando o Sindicato a negociar uma proposta melhor para o reajuste salarial. “O pessoal da fábrica está revoltado porque o Sindicato poderia ter negociado aumento real maior”, conta um trabalhador da Volks.

Em assembleia na terça (22), o Sindicato de Taubaté submeteu a votação outra proposta salarial, com abono de R$ 2.800 (pago em três parcelas) e 6,53% de reajuste agora, mais 1,66% em outubro de 2010. Segundo trabalhadores das duas montadoras a proposta foi recusada e os operários insistem no índice de 8,3% negociado na GM.

No ABC, o Sindicato informou que fez uma complementação do acordo que envolve os trabalhadores da Ford, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagem e Toyota. O resultado teria sido o aumento de abono de R$ 1.500 para R$ 2.800, com a manutenção do reajuste de 6,53%.

Campinas - Os trabalhadores da Toyota e da Honda conquistaram 10% de reajuste: 4,44% das perdas salariais mais 5,32% de aumento real.

São José dos Pinhais (PR) - Os 5 mil metalúrgicos da Renault conseguiram um reajuste de 8,62% (perdas inflacionárias mais 4% de aumento real) e abono de R$ 2.000, em setembro.

A greve na Volks chegou ao vigésimo dia nesta quarta, com a empresa deixando de produzir 10.640 automóveis, dos modelos Fox, Crossfox e Golf. Os trabalhadores exigem 10% de reajuste salarial em setembro (5,32% de aumento real, mais 4,44% referente a 100% do INPC) e que a empresa reorganize sua grade salarial, com o objetivo de chegar ao mesmo nível dos funcionários da planta de São Bernardo do Campo (SP).

Com informações da Folha de S.Paulo
www.folha.com.br

Metalúrgicos de São Paulo realizam
assembleias de mobilização

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes tem data-base em 1º de novembro mas já está em campanha salarial. A entidade está realizando assembleias para informar os trabalhadores sobre as negociações com os patrões e deixá-los em alerta, caso haja um impasse. Miguel Torres, presidente do Sindicato e vice-presidente da Força Sindical, comenta a antecipação da campanha: “A mobilização será permanente pelo atendimento de nossas reivindicações. Não vamos aceitar conversa de crise por parte do setor patronal”.

Foto: Jaélcio Santana

Na terça (22), o Sindicato esteve em duas fábricas da Zona Leste: Artok e Armco. Hoje, pela manhã, esteve na Real Perfil, na Zona Norte. Na sexta-feira (25) será realizado um grande ato de mobilização na Zona Sul. A partir das 6 horas, diretores do Sindicato estarão no canteiro central da avenida Nações Unidas, em frente à MWM Motores.

No dia 29 será a vez de Mogi das Cruzes realizar uma assembleia, a partir das 8h30, na rua Capitão Francisco de Almeida, 695, bairro Brás Cubas. Na Zona Leste de São Paulo, a data é 5 de outubro.

Negociações – A campanha do Sindicato é realizada em conjunto com mais 52 Sindicatos de metalúrgicos do Estado, a Federação da categoria e a Força Sindical. A campanha envolve cerca de 700 mil trabalhadores. Os principais itens da pauta são aumento real e redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. O percentual do aumento será definido no decorrer das negociações.

Mais informações:
www.metalurgicos.org.br

Pressão faz prefeitura cancelar aviso
prévio de 1.300 garis e contratar 568

O prefeito Gilberto Kassab desistiu de fazer o corte nos contratos de limpeza pública da cidade. Pressionado por um dia de greve dos garis e pelo lixo acumulado nas ruas, ele anunciou que está cancelado o aviso prévio de 1.300 trabalhadores e que vai negociar a contratação de 568 garis, número de pessoas demitidas entre o final de agosto e começo de setembro. A declaração foi dada após uma reunião com as empresas de limpeza e o Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Limpeza Urbana de São Paulo).

Moacyr Pereira, presidente do Siemaco, informa que aguarda a comunicação oficial do sindicato patronal sobre o cancelamento do aviso prévio. “Preciso receber um comunicado formal sobre o cancelamento das 1.300 demissões previstas. Com relação às 568 demissões efetivadas, estamos negociando com o sindicato e as empresas a preservação desses postos de trabalho. Provavelmente não acontecerá uma recontratação e sim a contratação de outros trabalhadores”, disse Pereira.

O sindicalista acrescenta que após o comunicado oficial do sindicato patronal, pedirá o cancelamento da audiência de conciliação marcada para o próximo dia 28.

Mais informações:
www.siemaco.com.br

Bancários fazem assembleia hoje (23).
Orientação do Comando Nacional é parar

Hoje, às 19 horas, o Sindicato dos Bancários de São Paulo vai realizar uma assembleia em sua quadra, na região central da cidade. A orientação do Comando Nacional dos Bancários é, caso a Fenaban não apresente uma nova proposta que atenda as reivindicações da categoria até o final da tarde de hoje, decretar greve por tempo indeterminado a partir de amanhã.

O Comando é formado pela Contraf-CUT, nove Federações e 134 Sindicatos, num total de 400 mil dos 470 mil bancários do País. Todos os Sindicatos ligados ao Comando realizarão assembleias hoje, o que pode significar uma greve nacional. 

As principais reivindicações dos bancários são 10% de reajuste, PLR equivalente a três salários mais R$ 3.850 fixos, preservação de empregos e mais contratações. Os banqueiros ofereceram, no último dia 17, reajuste de 4,5% nos salários, Pisos e verbas e PLR inferior ao valor pago no ano passado. A proposta foi rejeitada.

Até a manhã desta quarta-feira (23) a Fenaban não havia marcado nova rodada de negociação. A quadra dos bancários fica na rua Tabatinguera, 192, próxima ao metrô Sé.

Mais informações:
www.spbancarios.com.br

Execução do Hino Nacional

Escolas públicas e privadas de ensino fundamental terão que executar, pelo menos uma vez por semana, o Hino Nacional. A medida está prevista na lei 12.031/2009, publicada no Diário Oficial da União de terça-feira (22). A lei acrescenta a obrigatoriedade do Hino a um artigo já existente na lei 5700/1971, que dispõe sobre a forma e a apresentação dos Símbolos Nacionais.

 


Luiz Carlos Bresser Pereira l


 

 

Lição de nacionalismo
e política

O presidente Lula, em entrevista ao Valor Econômico, deu uma lição de nacionalismo e do que significa a política em uma sociedade democrática. Em relação ao primeiro ponto, Lula declarou-se nacionalista, cobrou dos empresários que também o sejam, e disse que há tempos vem demandando que a Vale construa usinas siderúrgicas no Brasil em vez de exportar apenas minério de ferro.

Suas palavras: "Tenho cobrado sistematicamente da Vale a construção de usinas siderúrgicas no País. Todo mundo sabe o que a Vale representa para o Brasil. É uma empresa excepcional, mas não pode se dar ao luxo de exportar apenas minério de ferro (...). Os empresários têm tanta obrigação de ser brasileiros e nacionalistas quanto eu!". Acrescentaria, e com mais ênfase, que os economistas também deveriam ser tão patrióticos ou nacionalistas quanto reclama o presidente.

A política de não exportar bens primários, mas bens manufaturados com mais elevado valor adicionado per capita, é mais antiga do que a Sé de Braga. Os grandes reis mercantilistas ingleses, no final do Século 15 (sic), já adotavam a política industrial de proibir a exportação de lã para que fosse exportado apenas o tecido fabricado com a lã.

Os chineses, recentemente, impuseram imposto à exportação de aço porque querem exportar os bens acabados produzidos com o aço. Dessa forma, além de criarem empregos, criam empregos com maior conteúdo tecnológico, que pagam maiores salários, e assim seu desenvolvimento econômico se acelera.

Enquanto isso, nossos economistas nos dizem que o problema deve ser deixado por conta do mercado. Dessa forma, mesmo quando exportamos aço, exportamos principalmente o aço bruto, e estamos concordando em exportar soja em grãos para os chineses que não querem comprar o óleo de soja!

E a lição de política? Em primeiro lugar, Lula revelou, em vários momentos, respeito por FHC, Marina Silva e José Serra. Segundo, defendeu de forma oportuna o Congresso: "O Congresso é a única instituição julgada coletivamente. Mas se não houve sessão você fala: "Deputado vagabundo que não trabalha".

E nunca cita os que estiveram lá, de plantão, o tempo inteiro.

Quando era constituinte, eu ficava doido porque ficava trabalhando até as duas, três horas da manhã (...). Se vocês não gostam de política, acham que todo político é ladrão, que não presta, não renunciem à política. Entrem vocês na política porque, quem sabe, o perfeito que vocês querem está dentro de vocês".

O presidente tem razão. A política é muito importante, afeta nossas vidas, e deve ser prestigiada e ser adotada como profissão pelos melhores dentre nós. O Brasil precisa dramaticamente de bons políticos, e, felizmente, conta com um bom número deles.

De homens e de mulheres dotados de espírito público, de compromisso com a nação, que, sem deixar de defender seus interesses legítimos, defendam também os do Brasil. Mas quando lemos os jornais, quando conversamos com os amigos, parece que ninguém presta. Definitivamente, não é verdade.

É verdade que nosso País não conta com um Estado e com uma política como aqueles que existem nos países escandinavos, mas é também verdade que, considerado o grau de desenvolvimento econômico e cultural do Brasil, temos um nível de organização do Estado, de qualidade das instituições, e de compromisso de muitos políticos com a cidadania e o bem público que considero acima da média.

Precisamos, sem dúvida, da crítica, mas não à custa de desmoralizarmos o que já conquistamos.

Luiz Carlos Bresser Pereira é Professor emérito da Fundação Getulio Vargas
″www.bresserpereira.org.br. Publicado originalmente na Folha de S.Paulo