Bancários da Caixa aprovam
proposta e encerram greve

Foto: Jailton Garcia

Após 28 dias de greve, os bancários da Caixa Econômica Federal decidiram em aasembleias, na quarta-feira (21) à noite, aceitar a proposta do banco e encerrar a greve da categoria. A proposta prevê reajuste salarial de 6% (1,5% de aumento real), Participação nos Lucros e Resultados (PLR) que varia entre R$ 4 e R$ 10 mil, contratação de 5 mil bancários e abono de R$ 700 distribuído a todos os trabalhadores na folha de janeiro.

“A greve forte, além de arrancar aumento real de salários pelo sexto ano consecutivo, PLR mais justa e melhores condições de trabalho, demonstrou que os trabalhadores da Caixa são mobilizados e organizados o suficiente para dar continuidade aos avanços também em relação à igualdade de direitos e Plano de Cargos Comissionados”, afirma Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Reposição - Já em relação aos dias de greve, a Caixa propõe o não-desconto dos dias parados, mas determina a ampliação do prazo de compensação das horas não trabalhadas até o dia 18 de dezembro, sendo que não é possível exceder duas horas diárias. Também não há a possibilidade de reposição nos finais de semana e feriados.

Mais informações:
www.spbancarios.org.br

Vigilantes pedem 30% de adicional de risco
de vida e aposentadoria especial

Vigilantes de todo o País realizaram, na quarta-feira (21), uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, como parte da mobilização da 2ª Marcha a Brasília. A categoria reivindica um adicional de 30% pelo risco de vida, aposentadoria especial e a aprovação do Estatuto do Vigilante. Às 11 horas, os manifestantes se concentraram em frente ao Ministério do Trabalho, onde foram recebidos pelo ministro Carlos Lupi.

Ao ministro, pediram apoio à aprovação dos projetos de lei que trazem benefícios à categoria. “Sou totalmente favorável às reivindicações dos vigilantes, e vou fazer um apelo aos parlamentares para que se sensibilizem também”, afirmou Lupi, ressaltando que seu apoio às reivindicações é um ato de justiça: “A categoria é uma das que mais sofrem com a precarização do trabalho”.

Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura, o apoio do ministro do Trabalho “é de fundamental importância para a aprovação dos projetos de lei que reconhecem o risco da atividade e asseguram aposentadoria especial para a categoria”.

Contatos - A marcha teve início na terça (20), quando representantes da CNTV, Federações e Sindicatos estiveram com autoridades do Congresso para tratar da tramitação dos projetos. Os vigilantes também solicitam agilidade na votação do PL 39/1999, denominado Estatuto Profissional dos Vigilantes, que há três anos está pronto para ser votado em plenário.

Mais informações:
www.vigilantecntv.org.br

Metalúrgicos unificam pauta de data-base no Paraná

Os metalúrgicos do Paraná decidiram unificar a pauta de data-base da Campanha Salarial 2009 em todo o Estado. Reunidos em Foz do Iguaçu, quarta-feira (21), os dirigentes dos 16 Sindicatos filiados à Federação dos Metalúrgicos do Paraná definiram as reivindicações que serão enviadas aos representantes patronais.

Entre as bandeiras de luta, está a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários; reajuste salarial de 10% (aumento real mais inflação); Piso salarial 50% superior ao salário mínimo estadual; cesta básica igual a 20% do salário de cada trabalhador; e adicional noturno de 50%. A data-base é em 1º de dezembro.

Os sindicalistas definiram o dia 3 de novembro como data para o início das negociações. “Adotamos como tática fazer as discussões individualmente, com cada empresa. O objetivo é agilizar o processo e conquistar acordos com mais antecedência”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka.

Mais informações:
www.simec.com.br

Documentário sobre Chico Mendes
ganha Prêmio Vladimir Herzog

A TV Câmara recebeu menção honrosa do 31º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos com o documentário Chico Mendes, Cartas da Floresta. A premiação será entregue na próxima segunda-feira (26), em São Paulo.

Cartas, bilhetes e entrevistas mostram como Chico Mendes – criado longe dos bancos da escola – aprendeu a ler e a escrever e se tornou o maior líder seringueiro que o Brasil já conheceu. Além de testemunhar a luta dos seringueiros contra a pressão do latifúndio e a devastação da floresta, os textos revelam detalhes de sua vida.

A narração é intercalada com depoimentos atuais, gravados na Reserva Extrativista Chico Mendes (AC). Participam do filme o escritor e jornalista Zuenir Ventura, a antropóloga Mary Allegretti, seringueiros, amigos e parentes de Chico Mendes, entre eles as filhas Elenira e Ângela. A direção é de Dulce Queiroz e a música de Victor Araújo.

Mais informações:
www.camara.gov.br

Desemprego em setembro é o menor desde dezembro de 2008

O desemprego em setembro ficou em 7,7% nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife. O resultado é inferior ao de agosto (8,1%) e representa o menor patamar desde dezembro do ano passado (6,8%), aponta o IBGE. Em relação ao mesmo período de 2008, o índice ficou estável (7,7%) e o rendimento médio dos trabalhadores teve alta de 1,9%.

 

 

João Guilherme V. Netto é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores

 

Algo de novo, algo
de bom acontece


Por João Guilherme Vargas Netto

Algumas coisas novas estão acontecendo com os metalúrgicos aqui no Brasil e são coisas boas.

A primeira delas é a vitória – para quem sabe lutar e luta com unidade e determinação – obtida em inúmeros acordos salariais, com aumentos reais, abonos e aumento dos Pisos salariais. Os metalúrgicos da região de Campinas, de São José dos Campos, de São Caetano, de Curitiba, de São Paulo, Osasco e Guarulhos têm dado demonstrações fortes de empenho e mobilização e alcançado resultados espetaculares.

Relacionado com esta situação e acompanhando a nova estruturação do setor automotivo vem acontecendo a mudança de paradigma dos reajustes salariais no setor. Em algumas das plantas que ainda ganhavam salários menores e tinham Pisos mais baixos os avanços são mais acelerados que em algumas outras, que eram referência. O peso específico sindical se desloca e passa a exigir novos padrões de coordenação das campanhas salariais, com ênfase no contrato coletivo nacional articulado.

Embora os grandes Sindicatos ainda determinem o ritmo do processo, tem crescido o papel aglutinador das duas Confederações metalúrgicas nacionais, a CNTM da Força Sindical, presidida por Clementino Vieira e a CNM da CUT, presidida por Carlos Alberto Grana. A capacidade destas duas entidades nacionais em organizar e orientar seus filiados, juntamente com a vontade de ação unitária em torno das bandeiras comuns deverá resultar em melhor coordenação nacional das lutas dos metalúrgicos.

Diga-se, para registro, que esta tendência entre as organizações dos trabalhadores tem sido contrariada pela tendência patronal de pulverizar as negociações com uma grande quantidade de organizações, muitas delas inexpressivas na vida real.

E, finalmente, os metalúrgicos, como massa de trabalhadores que foram decisivos no enfrentamento e superação da crise, a cada dia, superam as marcas em sua quantidade.

Enquanto, durante os anos FHC, chegaram ao fundo do poço com 1,1 milhão em todo o Brasil, já ultrapassam agora a marca dos 2 milhões. Em uma reunião recente com a Força Sindical, o secretário geral da Fitim (Federação Internacional de Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas), Jyrki Raina, ficou impressionado com este crescimento, que aconteceu nos anos recentes na direção oposta ao que se passava no mundo.

Segundo ele, os metalúrgicos brasileiros representam hoje 10% dos metalúrgicos da base da Fitim no mundo inteiro porque aqui cresceram, enquanto os empregos de seus colegas foram dizimados em outros países.

João Guilherme V. Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores