Martim Sampaio é advogado e coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. Ele também apresenta o programa Direito e Globalização, veiculado pela emissora toda segunda, às 19 horas. Em entrevista à Agência Sindical, ele destacou os principais avanços da TV Aberta São Paulo e os desafios de sua gestão. Agência Sindical - Quais foram os principais avanços conquistados pela TV Aberta ao longo de seus 13 anos de fundação? Martim Sampaio - O primeiro mandato conduzido por Robson Gil Gazzola foi de construção, ampliando a programação e promovendo a diversidade de produção. Marcel Hollender, no segundo mandato, modernizou a estrutura técnica do canal promovendo a qualidade de produção. Tudo isso transformou a TV Aberta num canal de respeito com 130 programas dos mais diversos segmentos. Agência Sindical - Durante muito tempo, as TVs comunitárias foram associadas a uma produção de baixa qualidade técnica. O que mudou? Martim Sampaio - A TV Aberta São Paulo é um referencial de emissora comunitária no Brasil, pois se modernizou. Temos profissionais renomados apresentando programas em nossa grade de programação e as novas tecnologias foram muito bem aproveitadas, ajudando a construir uma programação de qualidade técnica, que estimula a pluralidade de produção e assegura informação, serviço público e entretenimento. Agência Sindical - Em 2014 o Brasil sediará a Copa do Mundo. A TV Aberta está se preparando para esse evento? Martim Sampaio - A Copa de 2014 é um grande desafio. Não temos o poder econômico para fazer a transmissão dos jogos, mas faremos a cobertura do ponto de vista de diversos segmentos da sociedade. Temos em nossa grade ex-atletas de grande renome, que poderão fazer uma análise e apresentar pontos de vista diferentes, o que qualifica a nossa produção. Agência Sindical - Qual é o seu principal desafio à frente da TV Aberta São Paulo? Martim Sampaio - O meu desafio é manter o que foi conquistado e ampliar a profissionalização de nossa emissora para que possamos cada vez mais estar a serviço da cidadania e da coletividade. Esse é o compromisso dessa gestão: avançar na construção de uma TV cada vez mais participativa aprofundando a capacidade de produção de conteúdo de qualidade e respeitando o princípio fundamental dos direitos humanos que é o acesso aos meios de comunicação. Serviço:
Confederações entregam pauta a Dilma e Serra Começa a chegar às mãos de Dilma (PT) e Serra (PSDB) documento da lavra do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), assinado também por 12 Confederações de Trabalhadores.
Amanhã, a Agência Sindical repercute os principais itens representativos da posição do FST e das Confederações, com ênfase na unicidade sindical, no custeio das entidades e no fim do Fator Previdenciário. Mais informações:
Queremos aumento real para o mínimo As Centrais Sindicais saíram dias atrás de uma reunião com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ao qual apresentaram suas reivindicações relativas ao reajuste do salário mínimo. Fomos objetivos ao afirmar que não vamos abrir mão de um aumento do Piso para 2011 equivalente à variação da inflação mais aumento real. Solicitamos ao ministro que se una às Centrais para propor aos congressistas uma revisão nos termos do acordo em relação ao cálculo de reajuste previsto (inflação + PIB), tendo em vista que por causa da crise financeira de 2009 o PIB registrou crescimento zero, influenciando para baixo o reajuste esperado para o ano que vem. Ele se comprometeu a lutar com os trabalhadores. Junto com Lupi, iremos ao Congresso Nacional reivindicar que os deputados aprovem, ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto lei que dá ao salário mínimo, até o ano 2023, correções automáticas conforme a inflação e o crescimento do PIB. O nosso objetivo é manter a tendência de garantir ganhos reais para o mínimo, o que já ocorre desde o início do governo Lula. Ao valorizar o Piso nacional, o movimento sindical está contribuindo para o aumento do poder aquisitivo de milhões de pessoas e, consequentemente, ativando o consumo, a produção e o emprego. Segundo o Dieese, desde abril de 2002 , o mínimo foi reajustado nominalmente em 155%, o que corresponde a um aumento real de 53,67%. Este desempenho é resultado da luta dos trabalhadores e das negociações entre as Centrais e o governo Lula. Paulo Pereira da Silva (Paulinho) é presidente da Força Sindical
Desemprego de 6,2% em setembro é o menor desde 2002
Renda - Segundo a pesquisa, pela primeira, o levantamento registrou uma população desocupada abaixo de 1,5 milhão de pessoas, com 1,48 milhão. De acordo com a amostra, o rendimento médio real habitual foi de R$ 1.499, ou seja, 1,3% a mais que em agosto deste ano e 6,2% a mais do que em setembro de 2009. Os resultados do IBGE confirmam informação contida na Carta de Conjuntura n° 11 (referente ao terceiro trimestre de 2010), lançada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na segunda-feira (18). Segundo o estudo, a trajetória de crescimento na geração de empregos no Brasil segue em níveis semelhantes aos registrados antes da crise internacional, que atingiu a economia brasileira a partir de setembro de 2008. O boletim destaca que o bom desempenho do mercado de trabalho e o crescimento da massa salarial têm provocado reflexos positivos no consumo, o que gera bons resultados nos setores de bens duráveis e construção civil. Mais informações: Protógenes mal na fotografia O excelente, e experiente, repórter Raimundo Pereira desnuda na mais recente edição de Retrato do Brasil (número 39) a operação que notabilizou o delegado e neocomunista (eleito deputado federal) Protógenes Queiroz. Diz a chamada de capa: “Como Protógenes e Rede Globo montaram a farsa da Operação Satiagraha”. A patifaria da Globo também é impressionante. Embora, nesse item, a emissora do plim-plim acumula larga experiência. Brizola que diga! Leia mais:
Frentistas lembram que FHC cortou aposentadoria da categoria Começa a circular na base dos frentistas, na região de Campinas, um boletim lembrando dois fatos negativos para a categoria: 1) O corte da aposentadoria especial dos trabalhadores promovido pelo governo Fernando Henrique Cardoso; 2) A tentativa de imposição, pelo governador Mário Covas, do atendimento automático (self-service) nos postos de combustíveis do Estado. Segundo dirigentes frentistas, a volta da aposentadoria especial, aos 25 anos de contribuição, é ainda hoje a reivindicação mais sentida da categoria. No que diz respeito às bombas automáticas, os dirigentes lembram que houve muita luta para derrubar o veto do governador Mário Covas a uma lei que proibia o atendimento automatizado. A automação geraria a demissão de cerca de 100 mil trabalhadores. A derrubada do veto, pela Assembleia Legislativa, se deu em 25 de setembro de 1997.
Embraer vende 50 aviões Fechado negócio entre Embraer e a maior operadora de jatos executivos do mundo, a NetJets. Graças ao negócio, a empresa brasileira venderá 50 aeronaves. O volume da transação pode chegar à casa de US$ 1 bilhão. |
Por que tema das privatizações incomoda Serra? Por Marco Aurélio Garcia No primeiro debate televisivo do segundo turno desta campanha eleitoral, José Serra mostrou-se incomodado quando o tema das privatizações foi colocado por Dilma Rousseff. Serra quis dar ao debate da questão um significado eleitoreiro, talvez pensando que seja mais um “trololó” da esquerda, como gosta tanto de dizer. Não é assim. Quando a sociedade brasileira é convocada para decidir os destinos do País nos próximos anos, nada mais natural que o papel do Estado em nosso projeto nacional de desenvolvimento seja devidamente debatido. A questão das privatizações emergiu no governo Collor de Mello, dormitou no interregno Itamar Franco e ganhou força durante o período FHC. Correspondeu a período marcado não só pela “débâcle” dos regimes comunistas europeus e pela deriva social-democrata como pelo aparente êxito da proposta neoliberal que vicejava na Inglaterra de Thatcher e no Chile de Pinochet. As teses sobre a diminuição do papel do Estado – quando não da necessidade do Estado mínimo – que acabaram por bater, ainda que tardiamente, nas costas brasileiras refletiam um otimismo desenfreado sobre o papel dos mercados na regulação econômica e financeira. Elas espelhavam também o grande fascínio exercido pela “globalização” produtiva, mas sobretudo financeira, em curso. Ao considerar, de certa forma, irrelevantes a produção e os mercados nacionais, elas acabavam por minimizar o papel desempenhado pelos Estados nacionais. Os governantes teriam de ser apenas gerentes de políticas mundialmente acordadas pelos grandes centros econômicos. Ficariam relegados a replicar orientações macroeconômicas de fora, que viabilizassem novo desenho geoeconômico e, evidentemente, geopolítico. FHC não hesitou em proclamar o advento de um “novo Renascimento” mundial, ainda que fosse obrigado a reconhecer que alguns milhões de brasileiros iriam ficar obrigatoriamente fora deste suposto ciclo de prosperidade. Complementando o ajuste que aqui e lá fora foi praticado, trataram de liberar o Estado de pesados fardos – as estatais –, que supostamente o impediam de cumprir suas funções. Ficava a dúvida sobre quais seriam essas “funções”. Não por acaso usou-se na propaganda a favor das privatizações a imagem de um elefante em um local fechado. As estatais não passavam de um trambolho que impedia o desenvolvimento do País. No altar dessas crenças foram sacrificadas importantes empresas nacionais. Os cerca de US$ 100 bilhões conseguidos no processo de privatização comandado pelo ministro José Serra se esfumaram. O País aumentou consideravelmente sua dívida interna e se tornou muito mais vulnerável internacionalmente, como ficou claro quando as crises mexicana, asiática e russa levaram o Brasil sucessivamente à beira do abismo. Perversidade maior desse processo foi o uso de vultuosos recursos do BNDES para financiar as empresas estrangeiras que entraram nas privatizações. Resumindo a originalidade brasileira: privatizou-se com dinheiro do Estado brasileiro. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 2008, no início da grande crise econômica mundial, o presidente Lula afirmou ter chegado a “hora da política”, a hora do Estado. Os meses que se seguiram deram a essa fala toda a sua significação. Por ter barrado as privatizações, fortalecido as estatais e dado a elas um papel estratégico no desenvolvimento nacional, o Brasil pôde enfrentar, como poucos países, a tempestade financeira que se abateu sobre o mundo. Os bancos públicos, a Petrobras e as estatais do setor elétrico foram fundamentais nesse processo. Portanto, não estamos diante de um debate que opõe dinossauros a modernos. O que está em jogo é o interesse nacional. Marco Aurélio Garcia é assessor especial de política externa da Presidência da República |
||
![]() |
|||
s