“O sindicalismo tem marchado unido em questões importantes como salário mínimo, jornada de 40 horas, redução dos juros e fim do fator previdenciário. Essa unidade é imprescindível agora na definição de um tema tão estratégico quanto a comunicação”, afirmou Sebastião Soares, representante da Nova Central. Para Sebastião, “o avanço da democracia exige a democratização da comunicação, que hoje atende apenas os interesses do grande capital”. A sindicalista Rosane Bertotti, Secretária Nacional de Comunicação da CUT, fez um histórico das ações do movimento social, argumentando que a própria realização da Confecom já é uma conquista. Rosane criticou a postura dos empresários: “Eles querem fazer uma Conferência que atenda apenas seus interesses empresariais”. Para a dirigente da CUT, “é covardia” a ameaça dos patrões da mídia de não participar da Conferência.
Propostas 1) Fortalecer a rede pública de comunicação; Presenças - A UGT foi representada por Marcos Afonso, seu diretor de Comunicação; a CUT por Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação; a Força por João Carlos Gonçalves (Juruna), secretário-geral; a CTB por Eduardo Navarro, secretário de Comunicação; a CGTB por Ubiraci Dantas, vice-presidente. Participaram cerca de 40 sindicalistas, além de entidades ligadas à democratização da mídia. A TV Aberta São Paulo (NET 9, TVA 72) cobriu o encontro, devendo levar ao ar uma reportagem sobre o evento numa das próximas edições do Câmera Aberta Sindical.
Caixa retoma negociação e nova
A direção da Caixa Econômica Federal retomou as negociações com a categoria, apresentando uma nova proposta aos trabalhadores, terça-feira (20), em reunião com o Comando dos Bancários e a Comissão Executiva dos Empregados. A greve completa 28 dias hoje (21).
Fim da greve - Sobre os dias parados, a Caixa propõe a aplicação da mesma regra definida na Convenção Coletiva assinada entre a Contraf-CUT e a Fenaban, que estabelece o não-desconto dos dias parados, mas com a ampliação do prazo de compensação até o dia 18 de dezembro de 2009, não podendo exceder duas horas diárias e nem ser realizada em finais de semana e feriados. Mais informações:
UGT debate COP 15 no seminário
O evento ocorrerá no Hotel Braston (rua Martins Fontes, 330), em São Paulo, com palestras do ambientalista Fábio Feldman e do físico Luiz Pinguelli Rosa. “Queremos explicar o que vem a ser esta conferência, situando sua importância e, ao mesmo tempo, fazendo uma abordagem de como os trabalhadores poderão ser inseridos nessas discussões e qual cenário se desenha no período pós-conferência, com os acordos e convenções que serão estabelecidos”, comenta o presidente da UGT, Ricardo Patah. Feldman - No dia 14 passado, em uma reunião com dirigentes da Central para tratar dos preparativos do seminário, o ambientalista Fábio Feldman ressaltou que o evento deverá ter um caráter didático quanto às principais questões climáticas e ambientais. “Trata-se da Economia Verde, portanto, não deve ficar restrito apenas a setores do meio ambiente e sim fazer parte do planejamento estratégico do País”, lembra. Mais informações:
Bolsa Família completa seis anos com O programa Bolsa Família completou seis anos, na terça-feira (20), atingindo o repasse de recursos a 12,4 milhões de famílias em situação de pobreza. O orçamento do programa para 2009 é de cerca de R$ 12 bilhões e desde sua criação, em 2003, já investiu R$ 52,7 bilhões. No próximo ano, a expectativa é que 12,9 milhões de famílias sejam atendidas. Além do impacto sobre a redução das desigualdades de renda, o programa tem forte implicação no cotidiano das famílias mais pobres. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os recursos do Bolsa Família são usados especialmente na aquisição de alimentos, material escolar, medicamentos e vestuário, utensílios domésticos, com um incremento médio de 30% na renda das famílias. Reajuste - Com o reajuste de 10% nos benefícios, em julho deste ano, as famílias passaram a receber valores que variam entre R$ 22,00 e R$ 200,00. O benefício médio é de R$ 95,00. Para receber, crianças com até seis anos devem ser vacinadas, assim como gestantes e mulheres que estejam amamentando devem ter acompanhamento regular. Famílias que têm filhos entre 6 e 17 anos têm que mantê-los na escola e comprovar assiduidade. Mais informações:
Cidades históricas terão R$ 150 milhões em investimentos O governo lançou nesta quarta-feira (21), em Ouro Preto (MG), o PAC Cidades Históricas, programa que tem como objetivo recuperar e revitalizar cidades históricas do País. Estão previstos R$ 150 milhões em obras de infraestrutura urbana, recuperação e restauração de monumentos em 50 cidades históricas, como Salvador (BA), Pirenópolis (GO), Belém (PA), Areia (PB), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ). |
Fordlândia: Fordlândia é um documentário de Mário Andrade e Daniel Augusto. Henry Ford funda, nos anos 1930, em plena floresta amazônica, um duplo de Detroit, cidade construída para introduzir no desenvolvimento industrial a utopia do automóvel. Na luta entre natureza e cultura, para realizar as promessas iluministas do progresso técnico, a cadeia de montagem venceria, pela racionalização do trabalho, a beleza convulsiva da mata exuberante. Indiferentes a esse mito, os cineastas se fazem cronistas de uma cidade extinta. Em vez de dar a voz principal a antropólogos e economistas, historiadores e urbanistas – que explicariam o fracasso da tarefa no desconhecimento “da geografia humana” da região, dos seringais dizimados às condições alimentares impostas pelo colonizador moderno –, e desconfiando do dualismo do explorador e do explorado, a fita produz um deslocamento da memória testemunhal e dos filmes de arquivo, evocando a potência alucinatória da ficção, profetizando o passado, invertendo as relações causais. Evitando a idéia de que a objetividade é a verdade, os diretores operam com a desordem espacial e das lembranças para ingressar na cidade fantasmática de que não restam sequer ruínas, mas reminiscências de antigas edificações – da fábrica, da escola, do hospital, das moradas operárias e da “casa grande”. Se as ruínas são testemunhas que resistem ao poder destruidor do tempo, Fordlândia corresponde, antes, à lógica do Capital. Ao tratar do capitalismo triunfante na Paris do século XIX, Benjamin anotou que nos “monumentos da burguesia se reconhecem ruínas antes de seu desmoronamento.” Nesta fita as ruínas não são apenas materiais e externas, mas subjetivas e existenciais. Nem desaparecida, nem sobrevivente, a cidade, com seus raros habitantes, descendentes dos pioneiros, oferece o espetáculo de uma anacrônica duração. Anacrônica, caso os diretores acreditassem em progresso e decadência, apogeu e queda de civilizações. Não por acaso, o filme começa pela cena final nos seringais: o trabalho que neles inscreve as primeiras cicatrizes produz o sofrimento da natureza que prenuncia o do homem. Colocando face a face a criança de outrora, hoje adulto que, dos Estados Unidos, retorna à casa paterna e reencontra a ama que a criou, a câmera confidencial atualiza o que é negligenciado e esquecido nos relatos acadêmicos. Daniel Augusto e Mario Andrade não competem com ficções reais, câmera e ficção têm o dom de reanimar o que parecia sem vida e reunir os caminhos que se separaram e se perderam. Longe do diretor onisciente, a câmera preserva o decoro e o pudor. Em lugar de diálogos, a imagem revela a memória involuntária que traz de volta as primeiras emoções, o adulto é a criança que a ama acalentou. Fordlândia é o emblema da existência condicionada pela economia e pelo capital; nela, a vida perde a destinação humana. Em seu ensaio “Experiência e Pobreza”, Walter Benjamin procura compreender como a pobreza pode se transformar em recurso e conhecimento, esquivando-se da submissão à produção imposta pela heteronomia da acumulação e do mercado mundial. Por isso fábulas e provérbios são ensinamentos de que Diógenes, no século V a.C dá o exemplo. Conta-se que um caminhante viu o filósofo que passava suas noites e seus dias ao relento mendigando uma moeda a uma estátua e lhe perguntou por que agia assim. Ao que Diógenes respondeu: “Eu me preparo para não receber nada.” Diógenes transforma a pobreza em menosprezo da glória das estátuas e, simultaneamente, revela a pobreza como condição de sua liberdade. No filme a pobreza não é apenas a falta e seus tristes corolários, mas uma máxima sobre o trabalho industrial e o cortejo de infelicidades que comporta. Oscilando entre um passado que não se encerrou e um futuro que não é ainda, o limiar do desaparecimento pode vir a ser o renascimento da cidade que seja a “morada do homem”, espaço de pertencimento, bem-estar e paz. Nesta fita a tristeza não deverá ter a última palavra. |
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