Metalúrgicos da Toyota e Mercedes em Campinas decidem manter greve

Trabalhadores conquistam 10,08% na Volvo do Paraná; Volks continua em greve

Os trabalhadores das montadoras Toyota (Indaiatuba) e Mercedes (Campinas), no Interior de São Paulo, que
estão em greve desde a quinta-feira passada (16) – quando rejeitaram a proposta de 10,5% de reajuste salarial oferecida pelas empresas, decidiram manter a paralisação em assemblias realizadas na segunda-feira (20) nas duas empresas.

Até agora, nas reuniões entre o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região e a Mercedes não houve avanços nas propostas econômicas. Na Toyota, ainda não houve reunião. O Sindicato dos trabalhadores está negociando diretamente com as montadoras porque, após três reuniões, o sindicato patronal (Sinfavea) abandonou as negociações.

Pauta - Os metalúrgicos reivindicam reajuste salarial de 17,45%; redução da jornada para 36 horas semanais, sem redução salarial e sem banco de horas; licença-maternidade de 180 dias; auxilio creche para crianças até 6 anos de idade e reconhecimento do atestado de acompanhamento familiar, entre outras. A Toyota emprega cerca de 2.100 trabalhadores e a Mercedes 800. Na Honda, em Sumaré, os trabalhadores aprovaram a proposto da empresa.

Paraná - Após paralisação iniciada na sexta-feira (17), os cerca de três mil metalúrgicos da Volvo, em Curitiba (PR), aprovaram na segunda (20) a proposta de reajuste salarial de 10,08% (5,55% de aumento real), R$ 4,2 mil de abono, em duas parcelas iguais (1ª ainda em setembro e a 2ª no início de outubro), além de um reajuste de 233% no vale-mercado – que passará de R$ 60,00 para R$ 200,00 mensais.

Volks - A greve na montadora, iniciada no último sábado (18) foi mantida, nesta terça (21), pelos trabalhadores do 1º turno da montadora em São José dos Pinhais. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), cerca de 1.200 veículos deixaram de ser produzidos até agora e a greve continua por tempo indeterminado.

Uma nova reunião entre Sindicato e montadora está marcada para esta terça e, caso haja proposta, ela será colocada em votação em assembleia amanhã (22), às 6 horas. Os trabalhadores reivindicam acordo salarial igual ao conquistado pelos metalúrgicos da Renault e da Volvo.

Mais informações:
www.metalcampinas.org.br
www.simec.com.br

Oposição vence eleição nos Metroviários de São Paulo

Cochilou, o cachimbo cai. A Chapa 2, apoiada pela CSP (Central Sindical e Popular)/Conlutas venceu a eleição no Sindicato dos Metroviários de São Paulo, obtendo 53% dos votos. Com o resultado, um setor mais esquerdista do sindicalismo brasileiro passa a comandar um Sindicato considerado estratégico e, há muitos anos, dirigido por sindicalistas ligados ao PCdoB.

O encabeçador da Chapa 1, derrotada, é Wagner Gomes, que preside a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Sua chapa contou com apoio também da CUT.

O novo presidente dos Metroviários será o operador de trem Altino de Melo Prazeres Júnior. Ele liderou uma ampla coligação mais à esquerda, que se somou ao setor de segurança da empresa. A posse da nova diretoria acontecerá em 6 de novembro.

Números da eleição
Chapa 1: 2321; Chapa 2: 2650; Brancos: 28; Nulos: 187

Repeteco - Vale registrar que, em 2007, a chapa 1, ligada então à Corrente Sindical Classista, obteve 53,38% dos votos. A oposição, agora, três anos depois, venceu com os mesmos 53%.

Bancários param agências no Centro Velho de São Paulo

Cerca de seis mil bancários atrasaram a abertura de todas as 63 agências do Centro Velho da capital paulista, na manhã desta terça-feira (21), no Dia Nacional de Luta promovido em todo o País pelo Comando Nacional como resposta à intransigência da federação dos bancos (Fenaban), que até agora não apresentou resposta
às reivindicações da campanha salarial da categoria.

As manifestações antecedem a quinta rodada de negociação, que acontece nesta quarta (22), às 15 horas, em São Paulo. “O recado foi dado. Os bancários estão mobilizados e vamos continuar mantendo a pressão e a unidade até que os bancos apresentem uma proposta decente”, afirma a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira. Ela ressalta que se não houver negociação a categoria vai fazer greve.

Agenda - A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) também está divulgando uma carta aberta aos bancários e aos clientes, para subsidiar as ações dos Sindicatos no Dia Nacional de Luta e na campanha salarial.

Mais informações:
www.spbancarios.com.br

Comerciários com Mercadante

Diretores do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, ligado à UGT, estão participando de visitas ao comércio em companhia de Aloizio Mercadante (PT). Já houve uma visita à rua José Paulino (no Bom Retiro) e para esta quinta está programada ida ao bairro do Brás (rua Oriente e adjacências). Até poucas semanas, a aposta era de que o Sindicato de comerciários da Capital, que representa 450 mil trabalhadores, fecharia com Geraldo Alckmin (PSDB).

Classe “C” lota aviões

Está na Folha de S.Paulo desta terça (21): sete milhões de brasileiros devem viajar de avião pela primeira vez nos próximos doze meses. Diz mais o jornal: seis em cada dez brasileiros que planejam viajar de avião pertencem à classe “C”. Como dizia aquele assessor do Bill Clinton: “É a economia, estúpido”. É a economia (mundo real) que se impõe ante o denuncismo (mundo fictício da política) e faz Dilma disparar na preferência do eleitorado.

 


João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical

 


Fechando a boca
do jacaré

Por João Guilherme Vargas Netto

Duas coisas estão acontecendo e se influem mutuamente. A primeira delas é a aceleração do crescimento econômico, com resultados crescentes do PIB, do emprego, da produtividade e da rentabilidade das empresas, sem aumento da inflação. A outra é o avanço da percepção, pelos trabalhadores, destas condições favoráveis da economia e do empenho sindical em fazer que os salários também subam.

Os reajustes dos salários, em geral, adicionam dois itens numéricos: a reposição da inflação passada e os ganhos reais (com os índices de reajustes salariais e com outras modalidades, como abonos, PLR, auxílio alimentação etc).

A experiência brasileira de crescimento com a inflação baixa e em torno de uma meta tem garantido de uma maneira quase automática (mas sem gatilho) a reposição da inflação em cada data-base. Segundo o levantamento do Dieese dos resultados das campanhas salariais no primeiro semestre deste ano, apenas em 3% deles não houve a reposição integral da inflação do período.

A reposição da inflação (que tem se mantido em torno da meta do governo de 4,5%) tem sido uma constante nos resultados dos reajustes.

O outro item, referente ao ganho real, apresentou no primeiro semestre, ainda de acordo com o levantamento do Dieese, a particularidade de em 75% dos casos ser inferior a 2%, fazendo que os ganhos reais equivalessem a menos da metade da inflação (termo de comparação apenas numérico, sem nenhuma correlação econômica). No grupo superior deve-se destacar o reajuste do salário mínimo e o das aposentadorias.

Agora, no segundo semestre, o resultado das campanhas salariais recentes indica uma mudança do patamar destes ganhos reais; eles passam a valer até mais que a inflação do período. A comparação continua a ser apenas numérica mas indica claramente que, apoiados na conjuntura favorável e garantidos pela produtividade e rentabilidade crescentes, os Sindicatos têm conseguido ganhos reais para os trabalhadores que ajudam a elevar a reta dos salários aproximando-a da reta da produção e fechando a boca do jacaré.

João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores

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