Contra demissões, garis
param em São Paulo


Fernando Donasci / Folha Imagem

Hoje (21), desde às 6 horas, estão parados 20% dos 8.300 varredores de rua da cidade de São Paulo. Eles estão em greve por tempo indeterminado em protesto contra as 568 demissões no setor ocorridas nos últimos dias. Moacyr Pereira, presidente do Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Limpeza Urbana), informa que além das demissões, a categoria tem 1.300 trabalhadores em aviso prévio e 500 em férias.

Pereira declara que o movimento está seguindo o princípio da legalidade: “Estamos agindo de acordo com a lei de greve, já nosso trabalho é considerado serviço essencial. Por isso, apenas 20% da categoria está de braços cruzados”. Ainda não há reunião agendada com o prefeito Gilberto Kassab para tratar da greve.

Pereira e um varredor que foi demitido recentemente, entre outros convidados, participarão do programa Câmera Aberta Sindical, na próxima quarta-feira (23), às 19 horas, que discutirá a greve dos garis e a atual situação da limpeza pública na cidade de São Paulo. O programa é apresentado pelo jornalista João Franzin (TV Aberta São Paulo, 9 NET e 72/99 TVA).  

Mais informações:
www.siemaco.com.br

Metalúrgicos da GM aceitam 8,3%
e abono e voltam ao trabalho hoje (21)

Os cerca de 16 mil metalúrgicos da GM (General Motors) das unidades São Caetano do Sul e São José dos Campos aceitaram a proposta patronal de reajuste e voltaram ao trabalho hoje pela manhã. Eles estavam em greve desde a última sexta-feira e vão receber 8,3% de reajuste (3,7% de aumento real) e abono de R$ 1.950 a ser pago em 25 de setembro. Na semana passada, a diretoria da GM havia apresentado a proposta de 6,53% de reajuste e abono de R$ 1.500, que foi rejeitada.

Cícero Marques da Costa, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, afirma que a entidade orientou os trabalhadores do primeiro turno da montadora a aceitar a proposta e retornar ao trabalho. “A empresa aumentou a proposta que foi oferecida na semana passada. Achamos que ela é razoável. Além do reajuste e do abono, ela aumenta o Piso salarial na GM para R$ 1.305,50”, diz o sindicalista.

Em São José dos Campos, os trabalhadores do primeiro do turno também aceitaram a proposta patronal e voltaram às atividades. Uma nova assembleia será realizada na porta da fábrica às 14h30. “Esta foi uma campanha que comprovou a grande força dos metalúrgicos, que não se deixaram enganar pela choradeira dos patrões. Agora, vamos intensificar a luta dos outros setores, que ainda não apresentaram proposta favorável”, declara Vivaldo Moreira Araújo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

Mais informações:
www.metalurgicoscsul.org.br

Reunidos no 18º Congresso, comerciários
aprovam a Carta de Praia Grande

Em 19 de setembro, último dia do 18º Congresso da Fecomerciários (Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo), os 860 participantes aprovaram a Carta de Praia Grande. O evento teve três dias de duração e foi realizado na colônia de férias da entidade, na Praia Grande.

Foto: Claudio Omena

O Congresso teve como tema “Regulamentação, Já!” e contou, na sua abertura com a presença de personalidades políticas do País. Compareceram o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e os deputados federais Ciro Gomes (PSB-CE) e Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP). “A presença dessas autoridades demonstra o prestígio que a Fecomerciários conquistou ao longo do tempo”, declarou Luiz Carlos Motta, presidente da Fecomerciários e coordenador geral do Congresso.

O evento também deliberou, além de intensificar a luta pela regulamentação da profissão de comerciário, a defesa pela redução da jornada de trabalho para 40 horas e organizar, a partir dos Sindicatos, intervenções maciças nas campanhas salariais e todas de interesse da categoria comerciaria.   

Clique aqui e leia a Carta de Praia Grande

Mais informações:
www.fecomerciarios.org.br

Metalúrgicos de Guarulhos realizam,
com sucesso, o 5º Encontro da Juventude

Foto: Claudio Omena

O Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos realizou ontem (20), com sucesso, seu 5º Encontro da Juventude Metalúrgica, que teve como tema “Emprego e Meio Ambiente”. O evento aconteceu no Bosque Maia, região central da cidade, e contou com a participação da deputada federal Janete Pietá (PT), do Secretário Municipal do Meio Ambiente, Alexandre Kise, de vereadores e representantes de outros Sindicatos e da Força Sindical.


Cerca de cem árvores foram plantadas durante o Encontro. Também foi distribuída uma revista sobre meio ambiente, produzida pelo Sindicato. Apresentaram-se na tenda montada no Bosque Maia várias atrações musicais e a Secretaria Municipal do Trabalho emitiu carteiras de trabalho durante o Encontro.

O presidente do Sindicato, José Pereira dos Santos, avalia: “Realizamos um grande evento, divulgando a bandeira do meio ambiente e chamando atenção para a necessidade da inclusão social do jovem”. Pereira acredita no efeito irradiador desse tipo de iniciativa: “A sociedade precisa de bons exemplos e de motivação. Foi o que fizemos no domingo, com sucesso, felizmente”.

Continuidade - Para o secretário-geral da entidade, Heleno B. da Silva, que também é secretário do Meio Ambiente da Força Sindical São Paulo, a ideia é dar continuidade às ações do 5º Encontro. Ele afirma: “Queremos massificar a luta ambiental e mobilizar a juventude em ações de defesa da natureza e de inclusão no mercado de trabalho”.

Mais informações:
www.metalurgico.org.br

Economia brasileira receberá R$ 140 bilhões

O Natal de 2009 será melhor do que o de 2008. A expectativa é das entidades empresariais do comércio, cujo otimismo se baseia em dois pontos: o ingresso do 13º salário e a recuperação do crédito ao consumidor. A Wal Mart, por exemplo, avalia que terá o melhor Natal desde 1995, quando se instalou no Brasil.

 



Luis Nassif é jornalista e consultor econômico




Desafios para o
próximo governo

Lula defende o papel do Estado no fortalecimento das empresas brasileiras, chamando à responsabilidade os grandes grupos, valendo-se do pré-sal para estimular a produção interna etc.

Só que esse modelo de desenvolvimento é incompatível com um câmbio valorizado. Na verdade foi o mesmo erro cometido no pós-guerra, quando o Brasil ingressou no Tratado de Breton Woods com o câmbio apreciado. Depois disso, qualquer impulso de crescimento esbarrava no problema das contas externas. E o crescimento do País se fez para dentro, para o mercado interno apenas, sem conseguir desenvolver áreas tecnologicamente mais sofisticadas e competitivas – como os coreanos e japoneses, que usaram o câmbio para crescer.

Pretende-se aumentar a competitividade melhorando a infra-estrutura, ampliando os investimentos com o pré-sal. Mas os efeitos dessas políticas, com um câmbio desvalorizado, teria uma dimensão imensamente maior. O efeito câmbio é fulminante sobre a economia. No curto espaço de tempo que o país conviveu com câmbio desvalorizado – logo no início do governo Lula – a economia deslanchou, a inflação ficou sob controle, contrariando o terrorismo do mercado.

Na outra ponta, a segunda falha no seu modelo é a despreocupação com o modelo tributário, hoje altamente punitivo às empresas da economia real – especialmente pequenas e médias empresas.

O próximo presidente terá que enfrentar o desafio de um câmbio desvalorizado e de um sistema tributário que penalize menos a produção, sob pena do país continuar marcando passo no crescimento.

Outro desafio relevante é a modernização do serviço público. Corretamente, Lula intuiu que investimentos em melhoria dos serviços, em educação e saúde, são muito mais relevantes do que superávits absurdos, para financiar juros pornográficos da dívida pública.

Mesmo assim, não se pode meramente aumentar custos da máquina pública sem a criação de modelos gerenciais mais eficientes e de indicadores de produtividade que impeçam os recursos de serem desperdiçados.

Outra perna que falta no modelo de Lula é a da prioridade às pequenas e micro empresas. A malha industrial brasileira sempre será incompleta se as cadeias produtivas não forem preenchidas por correntes de fornecedores de pequeno porte. É o que garante a melhoria da renda (e do consumo), do emprego, ajuda a revascularizar a economia, a abrir espaço para o aparecimento de futuras médias e grandes empresas.

Nesse ponto, Lula se parece com Fernando Henrique Cardoso. Para ambos a economia se resume ao mercado financeiro e às grandes corporações. Elas puxariam automaticamente a economia, trazendo consigo as pequenas empresas.

Só por aí, não se vai chegar a um modelo eficiente. Tem que haver programas que levem inovação às pequenas e micro empresas.

Luis Nassif é jornalista e consultor econômico

Mais informações – www.vermelho.com.br