Greve geral de 1983 completa
26 anos nesta terça

O dia 21 de julho de 1983 amanheceu com cerca de 3 milhões de trabalhadores em greve, na maior manifestação de massa contra a ditadura implantada no País com o golpe de 1964. A instabilidade do cenário econômico, a submissão do governo Figueiredo ao FMI e o brutal arrocho salarial foram o combustível para a greve geral de 24 horas programada para aquela quinta-feira.

Vários Sindicatos estiveram envolvidos na preparação e mobilização: bancários da cidade de São Paulo, metalúrgicos de São Paulo, químicos do ABC e trabalhadores do metrô. O objetivo era paralisar frentes de trabalho em todo o País, mas o maior foco da greve ocorreu em São Paulo, que viveu uma quinta-feira com cara de domingo.

As pressões e a feroz repressão desencadeada contra as direções sindicais que lideraram a paralisação foram intensas. Só na Grande São Paulo, houve mais de 800 prisões. Mas o saldo da greve geral foi considerado amplamente positivo.

“A greve foi um grande sucesso. Paramos 80%”, assegurou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Joaquim Andrade, um dos principais líderes do movimento. Além da paralisação maciça em São Paulo, importantes categorias também aderiram à greve em outros Estados e os protestos foram reforçados por passeatas em diversas cidades dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Os manifestantes saíram do movimento convictos que a greve geral tinha sido vitoriosa. O movimento sindical havia dado uma demonstração de força, que abriria espaço na sociedade para o avanço das lutas pela redemocratização do País nos anos seguintes. Após a greve, a própria organização sindical – que vinha crescendo na luta contra a ditadura – experimentou um salto de qualidade, que desembocou na criação das Centrais.

Comerciários de Osasco lançam campanha
salarial no calçadão da Antonio Agu

Com o slogan “Setembro de Lutas”, o Sindicato dos Comerciários de Osasco e Região (Secor) lança a Campanha Salarial Unificada 2009/2010, na próxima quarta-feira (22), a partir das 9 horas, no calçadão da Rua Antonio Agu. A campanha unificada reúne os comerciários de Osasco, São Paulo, Franco da Rocha, Guarulhos e Cotia.

A categoria luta por melhores condições de trabalho e maior qualidade de vida e segue firme para conquistar benefícios e direitos fundamentais, como aumento real, Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR), fim do banco de horas e redução da jornada de trabalho, fim do assédio moral, cesta básica e estabilidade após o retorno das férias, entre outros.

“Não só representamos os trabalhadores do comércio, mas bem mais que isso, caminhamos juntos, somos todos parceiros e vamos lutar para conquistar o que queremos em mais uma campanha salarial que será novamente vitoriosa”, afirma o presidente do Secor, José Pereira da Silva Neto.

Pauta - No próximo domingo (26), haverá assembleia para aprovação da pauta de reivindicações. O encontro será no Clube dos Comerciários, a partir das 8 horas.

Mais informações:
www.secor.org.br

Bancários querem aumento real de 5%,
valorização dos Pisos e da PLR

Foto: Renato Silva

Após três dias de discussões, a 11ª Conferência Nacional dos Bancários definiu domingo (19) a pauta de reivindicações e a estratégia da Campanha Salarial 2009, que tem como prioridades reajuste de 10% (reposição da inflação mais 5% de aumento real), PLR de três salários mais R$ 3.850 e valorização dos Pisos salariais.

“Além da parte econômica, temos a busca por melhores condições de trabalho, segurança, saúde e um amplo debate junto à sociedade sobre o papel que o sistema financeiro deve cumprir na construção de um País mais justo”, afirma Marcel Barros, secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf).

Entre as bandeiras aprovadas na conferência estão o combate às metas abusivas e ao assédio moral, plano de carreira para todos, mais segurança nas agências e regulamentação do sistema financeiro, que incentive o crédito e reduza os juros. A pauta de reivindicações será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no início de agosto.
 
Mais informações:
www.contrafcut.org.br

Fundacentro promove debate sobre segurança química

A Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro/MTE) realiza, nos próximos dias 4 e 5 de agosto, em São Paulo, dois workshops sobre segurança química no Brasil. Os profissionais ligados à área poderão se atualizar a respeitos das últimas resoluções aprovadas pelos organismos internacionais e discutir formas de prevenção de acidentes no setor. 

No primeiro, com o tema “Workshop de atualização de informações sobre Segurança Química”, serão apresentadas as resoluções aprovadas na 4ª Conferência das Partes da Convenção de Estocolmo, II Conferência Internacional sobre Gerenciamento de Substâncias Químicas (ICCM II) e Conferência Internacional Tripartite sobre Gestão Segura de Produtos Químicos.
 
O segundo será “Workshop OIT 174: Experiências e Práticas na Prevenção de Grandes Acidentes Industriais”. Ele é uma ação do grupo de estudos tripartite da Convenção 174 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Secretaria de Inspeção do Trabalho e Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE e da Fundacentro.

Clique aqui para ver a programação. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site www.fundacentro.gov.br

Mais informações:
www.mte.gov.br

Promotores de venda assinam acordo coletivo com o Simpi-SP

O Sindicato dos Promotores, Demonstradores de Merchandising e Vendas do Estado de São Paulo (SindProdem CUT), que tem em sua base mais de 200 mil trabalhadores, fechou a Convenção Coletiva dos empregados no setor com o Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP). A assinatura ocorreu dia 15 de julho.

“Assinamos a nossa primeira Convenção Coletiva de fato. Ela é o pontapé inicial para o reconhecimento da categoria, que vai passar a ter um Piso salarial, o que não existia antes, além de outros benefícios”, diz o vice-presidente do SindProdem, Rogério Sales César.

“O acordo significa um enorme avanço na organização da categoria e na garantia dos direitos legais, evitando a precarização da relação de trabalho. É um passo importante para a valorização desses profissionais”, afirma Lucilene Binsfeld, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs).

“O Simpi-SP luta para que as micro e pequenas empresas, cujo foco é o mercado interno e que estão entre os maiores empregadores do País, se organizem, atuem na legalidade e alcancem o desenvolvimento econômico”, avalia o presidente do Simpi, Joseph Couri.

Mais informações: Assessoria de Imprensa do Simpi-SP
Agência Vero – Thais Abrahão
vero@agenciavero.com.br - (11) 3145-1370

Empresas têm novas linhas de crédito para inovação

O BNDES reduziu juros e criou novos mecanismos para que as empresas possam investir mais em pesquisa, desenvolvimento de novos produtos e aprimoramento de processos produtivos. A linha Inovação Tecnológica teve redução na taxa de juros de 4,5% para 3,5% ao ano. Já na linha Capital Inovador a taxa passou de 9,25% ao ano para 4,5%.

 



Adir de Souza é presidente do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado do Paraná

 

Não existe campanha
de prevenção para
os trabalhadores

Dengue matou 270 e acidentes do trabalho 2.808 em 2008

O acidente de trabalho matou 60 vezes mais que a dengue e esclarecemos que estes dados são dos trabalhadores com Carteira assinada sem contar o setor informal, que gera mais mortes e acidentes de trabalho. Desde 1970 até 2005 ocorreram 139.046 mortes por acidente do trabalho no Brasil. A economia brasileira perde ao ano 30 bilhões de reais com acidente de trabalho. As campanhas para a dengue estão em todo lugar do País. Até onde não existe a doença, ou seja, o mosquito não chegou lá e não tem nenhum caso de dengue, você vai num posto de saúde e tem um cartaz da dengue, vemos na televisão, no radio, nos jornais, e porque não se fala dos acidentes do trabalho, com esta mesma força e frequência. Não é uma critica ao trabalho de prevenção da dengue e sim uma constatação, pois acredito que não devem morrer cidadãos de dengue e muito menos por acidente de trabalho que mataram em todo o País 2.808 trabalhadores em 2008

Para a dengue existe verba do Ministério da Saúde, que vai direto para as prefeituras efetuar o trabalho que é de prevenção. Para os acidentes do trabalho não existe verba para nada. O próprio Ministério da Saúde, que deveria implantar os Centros de Referência de Saúde do Trabalhador, não destina verbas e nem fiscaliza a implantação destas políticas nos Estados e municípios. O Ministério do Trabalho (e não é neste governo, foi sempre assim) não tem um tostão, as delegacias regionais em todos os Estados não têm veículos e diárias para enviar auditores fiscais para efetuarem o seu trabalho. Para a pesquisa na área da saúde temos várias instituições, institutos e laboratórios que contam com recursos públicos.

Na área do trabalho só existe a Fundacentro, que ficou mais de 15 anos sem concurso e não tem dinheiro para nada. A maior entidade de pesquisa na área de saúde ocupacional da América Latina possui um capital de conhecimento enorme com a maioria dos seus servidores com mestrado e doutorado – e uma das maiores bibliotecas da América Latina – só que está em estado de sucateamento. Acredito que quem atua nesta área tem que começar a divulgar que os acidentes e doenças relacionadas ao trabalho podem ocorrer em breve com os ricos, com grandes empresários, com diretores de empresas e intelectuais, políticos, que irão morrer por acidentes do trabalho, e que existe um vírus que causa os acidentes do trabalho chamado ignorância, falta de educação, cidadania. Afinal é absurdo ninguém dar importância para esta tragédia.

A notificação da dengue é maravilhosa, existem formulários adequados, os agentes de saúde e os servidores da vigilância sanitária do Ministério da Saúde dos Estados e municípios são treinados. As notificações dos acidentes do trabalho são sonegadas, muitas empresas não querem preencher a CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho) e na grande maioria dos postos de saúde de nosso País, não existe um formulário adequado para preencher e notificar os casos de acidentes do trabalho.

Dia-D - Neste ano, o Dia D, de Combate à Dengue, será o próximo dia 18. O Dia D é uma data escolhida pelo Ministério da Saúde para chamar a atenção da sociedade para o problema e incentivá-la a combater o mosquito. Também tem o objetivo de alertar os prefeitos, que recebem verbas específicas do Ministério da Saúde e são os responsáveis diretos pelo controle da doença. O sonho de milhares de Técnicos de Segurança do Trabalho, engenheiros, médicos, enfermeiros e vários pesquisadores, servidores do próprio Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Fundacentro em todo País é que recebam recursos e criem também o Dia D de combate aos acidentes e doenças relacionados ao trabalho. Só a prevenção resolve para termos locais de trabalho dignos e trabalho decente.

Adir de Souza é presidente do Sintespar (Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado do Paraná)