O Dieese divulgou, quarta-feira (18), levantamento apontando que as desigualdades entre negros e brancos no mercado de trabalho diminuíram na Região Metropolitana de São Paulo, no período de 2004 a 2008. Segundo o estudo, a proporção de ocupados negros em relação à População Economicamente Ativa (PEA) subiu de 77% para 84%, a de desempregados reduziu-se de 22,5% para 16% .
Renda - O rendimento médio dos negros cresceu 6,1%, enquanto o dos brancos manteve-se praticamente estável (0,1%), apesar dos trabalhadores negros ainda recebem salários mais baixos em relação aos brancos (53,1%, em 2004 e 56,3%, em 2008). Com relação às mulheres, em 2008 a desvantagem das trabalhadoras negras foi mais acentuada. A taxa de desemprego entre as negras foi de 19,5%, contra 14,7% das brancas. O tempo média na busca de emprego se igualou em 43 semanas, enquanto quatro anos antes, as negras levavam em média 54 semanas e as brancas, 55. Mais informações:
Jornal destaca que luta ecológica mobiliza sindicalismo O jornal Valor Econômico, principal veículo especializado em economia do País, publicou nesta quinta (19) ampla reportagem abordando as ações desenvolvidas pelo movimento sindical em prol da preservação das condições de sustentabilidade do meio ambiente. “A luta contra o aquecimento global e por maior preservação ambiental já não é mais tabu entre as Centrais Sindicais”, destaca o autor da matéria, João Villaverde.
Consciência - “O consenso entre os dirigentes sindicais, ambientalistas e cientistas ouvidos pelo Valor é que o caminho para a conscientização passa por incutir no operariado a importância do tema”, anota Villaverde. O jornalista ouviu dirigentes sindicais como os presidentes das Centrais CUT e UGT, Artur Henrique e Ricardo Patah, respectivamente; Valter Sanches, secretário-geral da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT); Francisco Salles, vice-presidente da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo e José Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, ambos ligados à Força Sindical. Também foram entrevistados cientistas e ambientalistas. Mais informações:
Empresários tentam derrubar projeto A Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez uma enorme pressa sobre a Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados e quase conseguiu rejeitar, na quarta-feira (18), o substitutivo do deputado Roberto Santiago (PV/SP) ao PLP 8/03, que regulamenta o inciso I do artigo 7º da Constituição, que protege a relação de emprego contra a demissão arbitrária ou sem justa causa. O relator foi obrigado a pedir que o projeto fosse retirado de pauta. Ainda assim, os empresários incluíram a matéria numa “extra-pauta”, a fim de forçar o arquivamento da matéria, já que Santiago fez melhorias consideráveis em favor dos trabalhadores. Mobilização - O projeto estará na pauta da Comissão na próxima quarta-feira (25), exigindo que o movimento sindical se mobilize com o objetivo de aprovar o substitutivo do deputado Roberto Santiago, contra o voto em separado do deputado Luiz Carlos Busato (PTB/RS), que é declaradamente empresarial-patronal. Mais informações:
Metalúrgicos da Bosch mantêm greve
Momentos antes, outra proposta discutida entre Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e Bosch na tarde de quarta-feira, também não foi aceita: R$ 1,5 mil de abono (R$ 1 mil em dezembro e R$ 500 em fevereiro de 2010), correção integral do INPC em fevereiro e aumento real de 3,5% só para junho do ano que vem. Reivindicação - Os trabalhadores apresentaram, como contraproposta para encerrar a greve, o pagamento de um abono de R$ 2 mil, dividido em duas parcelas iguais, com vencimento em 1º de dezembro de 2009 e 1º de fevereiro de 2010 e correção do INPC mais o aumento real para janeiro do ano que vem. Mais informações:
Salário médio de admissão acumula ganho O salário médio de admissão do trabalhador brasileiro teve aumento real de 0,97% no mês de outubro, em relação a setembro, passando de R$ 762,19 para R$ 769,62. No acumulado do ano, o aumento ficou em 4,40%, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Os maiores ganhos reais ocorreram na indústria extrativa mineral, onde o salário real médio de admissão passou de R$ 1.062,12 em setembro para R$ 1.199,16 em outubro (12,90%). Na indústria de produtos alimentícios houve ganho de 8,58%, passando de R$ 615,20 para R$ 668. Com ganho de 5,87%, o salário real médio no segmento de instituições financeiras passou de R$ 1.734,72 para R$ 1.836,54. “O poder de compra do trabalhador permitiu que o Brasil mais rapidamente conseguisse sair da crise. Tivemos um ganho médio de salário de 4,4% acima da inflação e isso possibilitou que ele comprasse, que o dinheiro circulasse e que o mercado interno se mantivesse aquecido”, explicou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Mais informações:
Audálio Dantas lança livro sobre infância de Lula
“O livro ‘O Menino Lula’, mais do que acrescentar tintas míticas à imagem do presidente Lula, reconduz Luiz Inácio da Silva aos seus iguais: tantos e tantos nordestinos que ainda hoje nascem e se mantém em vida como a confirmar a existência de milagres”, diz a editora, observando que Audálio Dantas narra, em texto emocionante, a saga do pequeno retirante que chegou à presidência da República Sobre o autor - Audálio Dantas é reconhecido como um dos textos mais brilhantes do jornalismo brasileiro. Ele escreveu ‘O Menino Lula’ depois de uma longa conversa, em julho deste ano, com o presidente. O autor participou junto com Lula de lutas sindicais e políticas contra a ditadura, nos anos de 1970 e 1980. Como o presidente, Audálio também migrou, ainda menino, do sertão nordestino, e depois, como repórter, conheceu de perto os problemas que afetam a região. Audálio Dantas é ex-deputado federal e foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Escreveu, entre outros livros, O Circo do Desespero, Repórteres, O Chão de Graciliano (Prêmio APCA 2007) e A Infância de Graciliano Ramos (Prêmio Fundação Nacional de Literatura Infantil e Juvenil). Mais informações:
Construtora cresce 85% A construção civil está bombando como nunca antes na história deste País: a construtora MRV registra lucro recorde no terceiro trimestre, apresentando, até setembro, aumento de 85% comparativamente a 2008. |
Todo o extenso debate político e ideológico das últimas décadas tem o Estado como centro. Mesmo quando se tenta excluí-lo, ele volta como convidado de pedra, como sujeito oculto, que se buscou tornar invisível. O período histórico atual foi aberto com o triunfo do diagnóstico neoliberal de que a economia tinha se estagnado pelas excessivas regulamentações impostas pelo Estado. Segundo esse diagnóstico, o Estado, de indutor do crescimento econômico, teria se tornado um obstáculo; de solução, teria se transformado no centro da crise. Daí a proposta de quanto menos Estado, mais crescimento econômico, da passagem de um Estado regulador a um Estado mínimo, que na prática abria caminho para se ter mais mercado. Daí que o Estado tenha sido diabolizado, transformado na vítima privilegiada dos ataques do consenso neoliberal, de que o governo FHC foi uma expressão clara. Ajuste fiscal, privatizações, menos recursos para políticas sociais, arrocho salarial do funcionalismo, dispensas de empregados públicos – tudo na direção de rebaixar fortemente o peso do Estado na economia e nas políticas públicas, intensificar as desregulamentações, assim como a abertura acelerada da economia ao mercado internacional. O que centralmente foi atacado no Estado é seu poder regulador que, segundo os neoliberais, afugentaria os investimentos privados. Menos regulamentações, maior liberdade de circulação para o capital e, segundo eles, maior crescimento econômico, com consequências positivas para todos, inclusive para os trabalhadores, com maior criação de empregos. No entanto, esse diagnóstico se revelou equivocado, não foi isso que aconteceu na prática, as economias não cresceram. O que se deu foi uma brutal transferência de recursos dos setores produtivos para o setor especulativo, onde o capital – que não foi feito para produzir, mas para acumular, mesmo que seja na especulação financeira – ganha mais, pagando menos impostos e com liquidez total. As taxas de juros continuam a recompensar o capital especulativo com remunerações que nenhum outro investimento possibilita. Assim, menos Estado e menos regulamentação significou mais especulação e mais concentração de renda. Mesmo assim, os setores neoliberais não repudiam todas as atividades estatais. Querem menos impostos, menos gastos com políticas sociais e funcionários públicos, mas seguem demandando créditos, subsídios, isenções e todo tipo de facilidades ao Estado. Esse lado do Estado lhes interessa. Financeirizaram o Estado, que passou a transferir renda do setor produtivo e da cidadania ao capital financeiro, mediante os chamados superávits fiscais, que reservam o fundamental da tributação para pagar as dividas do Estado. Um governo antineoliberal – que vai na direção do pós-neoliberalismo –, ao contrário, retoma funções clássicas do Estado, de indutor do crescimento econômico, de financiador da expansão econômica, de agente das políticas sociais, de regulador das relações econômicas, de zelador da soberania nacional, entre outras funções. Cria e alimenta mecanismos que induzem o investimento produtivo, cobrando que dirija parte substancial da sua produção ao mercado interno de consumo popular, com obrigatória geração sistemática de empregos. O tema do Estado havia sido suprimido do debate político e das políticas neoliberais – todas elas de caráter privatizante. Na hora da crise se apelou de forma unânime ao Estado. Para a direita, apenas para recompor as condições de funcionamento do mercado, como uma ação emergencial apenas. Para uma política antineoliberal, que defende o interesse público, o Estado tem papel central, estratégico, nos planos econômico, político, social e cultural. Mas, para efetivamente desempenhar esse papel, como instrumento de um novo bloco social que dirija os destinos do Brasil e não apenas reproduza a predominância dos interesses dominantes, o Estado tem que ser radicalmente reformado, refundado em torno da esfera pública, desmercantilizando-se, desfinanceirizando-se, tornando-se um Estado para todos os brasileiros. Emir Sader dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia |
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