Os metalúrgicos da região de Osasco iniciam esta semana em estado de greve, conforme deliberação da assembleia geral da categoria realizada sábado (17) pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região. A mesma decisão foi adotada na Capital e deve ser seguida em outras regiões do interior do Estado. Em Guarulhos, mais de 800 trabalhadores cruzaram os braços em três empresas(Elmactron, Persico Pizzamiglio e Rossetti). A mobilização visa pressionar os grupos patronais a atenderem as reivindicações da campanha salarial, com data-base em 1º de novembro. Os trabalhadores querem reajuste de 10%, Piso unificado de R$ 1.200, ampliação dos direitos na Convenção Coletiva e redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, entre outros itens. A pauta foi entregue pela Federação da categoria em agosto, mas os grupos patronais não apresentaram nenhuma contraproposta. Os sindicalistas pretendem encaminhar paralisações por empresa, até que haja um acordo em torno da pauta de reivindicações dos trabalhadores. “As empresas que não quiserem ver sua produção parada podem procurar o Sindicato para negociar”, explica o presidente do Sindicato de Osasco, Jorge Nazareno.
Agenda - “Vamos pressionar para fazer o maior número de acordos possível e passar por cima da intransigência dos grupos patronais”, completa Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. A entidade agendou nesta segunda (19) assembleias com proposta de greve em 22 empresas, que empregam cerca de 20 mil trabalhadores. Mais informações:
Redução da jornada de enfermeiros A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou, na quinta-feira (15), o projeto que reduz a jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem (PL 2295/00). A proposta do Senado fixa em 30 horas a carga de trabalho semanal de enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e parteiras. A jornada de trabalho desses profissionais no setor privado é a da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), fixada em 44 horas semanais. Já no setor público, muitos estados e municípios já adotam 30 horas. Segundo o Conselho Federal de Enfermagem a mudança vai beneficiar 1,4 milhão de profissionais. Com a redução, devem ser contratados cerca de 50 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, principalmente na rede privada de saúde. “É uma jornada de trabalho que é boa para os profissionais de enfermagem e para os usuários do sistema de saúde, que terão um profissional mais bem qualificado e menos estressado para atender a população”, diz Manoel Carlos, presidente do Conselho. Plenário - Integrantes do Conselho Federal de Enfermagem planejam uma visita ao presidente da Câmara, Michel Temer, nos próximos dias, para pedir prioridade à votação do projeto no plenário. Mais informações:
Greve dos bancários da Caixa completa
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) marcou audiência de conciliação na próxima quarta-feira (21), às 9 horas, para tentar um acordo entre a direção da Caixa Econômica Federal e os funcionários, em greve há 26 dias. Na sexta-feira (16), o tribunal negou liminar em que a Caixa solicitava que a greve fosse declarada abusiva. “As negociações não foram esgotadas. Os trabalhadores e o Sindicato continuam dispostos a negociar. Não será de forma unilateral que a direção da Caixa resolverá os impasses”, afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino. O sindicalista explica que os empregados da Caixa estão sofrendo com o ritmo de trabalho estressante, com os feirões de fim de semana. Além de São Paulo e Osasco e região, permanecem em greve várias locais como Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Campo Grande, Paraíba, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Bela Horizonte e Porto Alegre. Nova assembleia - Os bancários realizam assembleia nesta terça (20), às 16 horas, na Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 192, Sé), para decidir os rumos do movimento. Mais informações:
Greve dos petroleiros para refinarias e terminais da Petrobrás
As principais reivindicações dos petroleiros em greve giram em torno da relação trabalhista que a Petrobrás mantém com seus empregados e de direitos sociais dos trabalhadores, como um reajuste salarial que inclua as perdas acumuladas desde 1994 mais um ganho real de 10% e a melhoria nas condições de trabalho. Jornada de 40 horas - Além das reivindicações de interesse dos trabalhadores da Petrobrás, a greve levanta a bandeira de luta comum de todos os trabalhadores do País pela redução na jornada de trabalho, sem redução nos salários. Os petroleiros também reivindicam a volta do monopólio da empresa sobre a exploração do petróleo, incluindo o pré-sal, acabando com os leilões que concedem áreas de exploração a empresas multinacionais. Fonte: Agência Petroleira de Notícias
Minha Casa, Minha Vida já recebeu pedidos para 352 mil casas Até setembro, a Caixa Econômica Federal recebeu 352 mil pedidos para a construção de moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida. Os pedidos totalizaram R$ 22,6 bilhões. O número de unidades assinadas pela Caixa foi de 95.659, no valor de R$ 6,1 bilhões. A meta do governo federal é construir um milhão de casas às famílias com renda até dez salários mínimos. |
Eu e o MST Um vez, numa conversa com Brizola, ele explicou que nos anos 60 os lavradores sem terra, em vez de lugares ermos e distantes de recursos, preferiam acampar em praças públicas. Brizola, que defendeu a reforma agrária e apoiou o movimento Master, argumentava que a ocupação nas cidades tinha maior poder de pressão, além do que, ele alegava, assim as pessoas tinham acesso a água e sanitários, ficando também mais protegidas de eventuais ataques dos capangas das fazendas. O MST é de outro tempo, com outras táticas, embora o objetivo central seja a reforma agrária, com a posse da terra para as famílias dos agricultores. O movimento tem um discurso ideológico forte, mas o agricultor, na verdade, não se move pelo discurso em si, e sim pelo objetivo de obter a sua gleba, trabalhar e viver em paz. Hoje, o movimento popular mais temido e perseguido pelos conservadores é o MST. Veículos como a revista Veja, por exemplo, dão ao movimento o mesmo tratamento dispensado à Al Qaeda de Bin Laden, o que é um evidente absurdo. E no Congresso Nacional a bancada ruralista treme de histeria ante as ocupações, invasões e outros atos do MST. Não faz muito tempo, o governador Requião, do Paraná, recebeu e afagou o MST. Quando a mídia caiu de pau, ele disse que era melhor o MST organizando os lavradores deserdados do que a tarefa cair no colo do crime organizado ou do narcotráfico. Meu pai, lavrador a vida inteira e dono de um pequeno sítio, não simpatizava com a reforma agrária, porque a Igreja Católica alardeava que isso era comunismo. Mas ele não desconhecia a grilagem e o roubo de terras, às vezes à custa do assassinato das famílias residentes. Para meu pai, se as fazendas acima de 50 alqueires fossem medidas de novo, se constataria que a maior parte delas tinha muito mais terra do que constava na escrita. E receitava: é só tomar essa terra de volta e distribuir para quem precisa. Eu trabalhei na roça e sei como se pega num cabo de enxada. Vi gente sem terra plantando numa gleba da Fepasa, no Interior paulista, e percebi que muitos ali nunca tinham amolado uma enxada. Batiam a ferramenta na terra como se cavassem com um enxadão. O lavrador sabe que a enxada desliza, por isso o agricultor se inclina para lavrar a terra. Mas isso são detalhes menores. O fato é que o Movimento dos Sem-Terra existe, é forte, tem representatividade e busca objetivos claros. Não há no MST qualquer sinal de que aja com métodos mafiosos ou criminosos. Casos como a destruição dos pés de laranjas da Cutrale não é regra. É regra mais comum a grilagem de terra, a falsificação de títulos, a violência dos fazendeiros, a exploração desumana dos lavradores e a conquista da propriedade à base da violência e da usurpação. O agronegócio tem um pé na Casa Grande escravista, herdando sua arrogância, seus vícios, seus métodos. O MST é uma resposta gerada pela realidade concreta do campo. Só isso. João Franzin |
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