Acordos salariais com aumento real
em 2009 superam ano anterior

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou, nesta quinta-feira (18), o balanço das negociações dos reajustes salariais em 2009, apontando que os trabalhadores brasileiros fecharam o ano passado com 92,6% das negociações assegurando reajuste igual ou acima da inflação, número maior que no ano anterior (88,5%).

O resultado mostra ainda que, nos últimos seis anos, o número de reajustes com índice igual ou superior à inflação medida pelo IBGE – o Indice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – sempre esteve acima de 80%. O levantamento revela que, em 2009, 79,9% das negociações obtiveram resultados acima do INPC. O ano passado também foi o terceiro com menor ocorrência de reajustes abaixo da inflação.

Somente na indústria houve recuo na quantidade de categorias com ganhos acima da inflação. No entanto, o resultado foi pouco expressivo, de 87,5% para 84,8%. No comércio, não houve variação (87,5%) dos acordos que conseguiram reajuste acima da inflação. O setor de serviços, além de ter registrado o maior aumento no número de negociações, conseguiu ainda reduzir em 50% o número de acordos abaixo da inflação – que passou de 20,6% (2008) para 9,5% (2009).

Benefícios - A pesquisa não leva em consideração os benefícios ditos sociais conquistados pelas categorias, como cesta básica, vale-refeição, convênio médico, Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR), entre outros, mas apenas os reajustes financeiros brutos.
 
Crise - O coordenador da equipe do SAS-Dieese - Sistema de Acompanhamento de Salários, José Silvestre Prado de Oliveira, avalia que o bom desempenho das negociações, em meio à crise financeira que abalou o mundo e atingiu o Brasil, refletiu “o bom resultado da ação sindical, além de mostrar que as medidas adotadas pelo governo, algumas delas decorrentes da pressão das Centrais Sindicais, foram benéficas”.

Mais informações:
www.dieese.org.br

Lupi diz que redução da jornada não vai quebrar empresas

Foto: Brizza Cavalcante

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) voltou a defender a redução da jornada de trabalho, na segunda-feira (15), após audiência na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, onde apresentou as metas de atuação do ministério para este ano. “Todo o Primeiro Mundo já pratica jornada menor. Por que o Brasil não pode evoluir?”, questionou.

“A quase totalidade dos países do mundo desenvolvido, grupo no qual o Brasil pretende estar, utiliza carga horária de trabalho de 36, 37 horas. Então, quando dizem que em nenhum lugar do mundo se aplica esse tipo de escala, não faz sentido. Quanto ao argumento de que empresas vão quebrar por causa disso, sabemos que isso também não é verdade”, disse.

O ministro ressaltou ainda que as acusações de que a medida seria eleitoreira é uma desculpa para não aprová-la. “Seria eleitoreira se deixássemos para a véspera das eleições. Estamos discutindo a redução da carga horária desde o início de 2009. Já era para ter sido aprovada”, destacou Lupi.

Mais empregos - “Se diminuirmos o número de horas trabalhadas será necessário contratar mais trabalhadores, mas o mais importante é que vai melhorar a qualidade de vida do trabalhador e ele vai produzir mais”, afirmou.

O ministro afirmou que pretende falar novamente com o presidente da Câmara, Michel Temer, para reforçar a importância da aprovação da emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Mais informações:
www.camara.gov.br

Câmera Aberta faz série com presidentes de Centrais

(Patah, Paulinho, Neto e Artur já foram entrevistados)

O programa Câmera Aberta Sindical está entrevistando os presidentes das Centrais Sindicais. Serão ouvidos todos os seis, além do coordenador do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST). O objetivo é dar espaço no programa, com duração de uma hora, para o posicionamento de cada Central e do Fórum sobre temas como redução da jornada para 40 horas; eleições presidenciais; custeio das entidades; nova Conclat, entre outros.

Robson Gazzola, diretor de programação da TV Aberta São Paulo, afirma: “Ouvir as Centrais, especialmente num ano eleitoral, ajuda a esclarecer a respeito da postura do movimento sindical numa fase decisiva para o futuro da Nação”.

José Calixto Ramos e Wagner Gomes, presidentes da Nova Central e da CTB, respectivamente, já foram contatados para futuras entrevistas. O coordenador do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), José Augusto da Silva Filho, também está escolhendo um espaço na agenda para ser entrevistado no Câmera Aberta Sindical.

DVDs - Entidades interessadas em obter cópias (DVD) das entrevistas podem entrar em contato com a Agência Sindical. Mais informações, com Dayane, na Agência: 3231.3453 ou 3255.6559.

CGTB contra FGTS na bolsa

O dinheiro do Fundo de Garantia deve ser destinado ao que estabelece a lei, especialmente no saneamento básico e na construção civil. Utilizar recursos do Fundo para comprar ações põe em risco o dinheiro do trabalhador – já que o mercado de capitais tem altos e baixos – e ajuda a alimentar a ciranda financeira.

Opinião - Essa, em síntese, é a posição da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), expressa por seu presidente, Antonio Neto, no Câmera Aberta Sindical da última quarta-feira, dia 17 de março.

Será lançado segunda (22) livro de entrevistas
com Almino Affonso e Vargas Netto

A Agência Sindical lança nesta segunda (22), às 18 horas, livreto de 36 páginas, contendo entrevistas ao programa Câmera Aberta Sindical, concedidas por Almino Affonso - líder trabalhista histórico, ex-ministro do Trabalho de Jango e ex-parlamentar; e por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical.

Almino e Vargas Netto confirmaram presença no lançamento, que contará com vários sindicalistas, jornalistas e assessores sindicais.

A publicação tem apoio da TV Aberta São Paulo, Canal 9 da NET, 72 e 99 da TVA ou 186 da TVA digital.

Custo - O livro está à disposição do movimento sindical ao custo de R$ 4,00. Mais informações na Agência Sindical (3231.3453), com Dayane.

Petrobrás emprega dekasseguis

O Brasil trará de volta do Japão cerca de 200 patrícios dekasseguis. Eles deverão trabalhar no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, encarregado de construir 22 navios e mais o casco da plataforma P-55, da Petrobrás.

O retorno dos brasileiros, que deverão ganhar em torno de R$ 9 mil, mais direitos, se deve ao fato de que, agora, a Petrobrás não importa mais navios e plataformas, preferindo construir aqui mesmo no País.

Vale registrar que a onda dekassegui explodiu no Brasil nos anos FHC, quando centenas de milhares de brasileiros, empurrados pelo desemprego e a paralisação da economia, tiveram de sair do País.

Cummins cresce e contrata

O crescimento do mercado de caminhões e ônibus tem reflexos diretos na Cummins, instalada em Guarulhos. Tanto assim que a empresa iniciou terceiro turno e contratará 203 novos funcionários, para a produção. O objetivo da Cummins é produzir 82 mil motores em 2010, sendo 79 mil para o mercado interno.

 


Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

 

Dentro das pesquisas

Quem, como muitas pessoas na oposição, se assustou com os resultados da recente pesquisa do Datafolha cometeu, provavelmente, dois equívocos. De um lado, pode ter superestimado a gravidade da situação que descrevia para Serra naquele momento. De outro, no entanto, pode ter subestimado os problemas que ele deve enfrentar nos próximos meses.

O encurtamento da vantagem de Serra em relação a Dilma já era conhecido desde janeiro, por meio de pesquisas públicas realizadas pela Vox Populi e a Sensus. Além delas, havia outras, não destinadas à divulgação, que as corroboravam.

O meio político já trabalhava, portanto, com um cenário de virtual empate entre eles. Na da Sensus, concluída na última semana do mês, a distância entre ambos havia ficado em cinco pontos percentuais. No fim de fevereiro, o Datafolha apontou quatro pontos, isto é, a mesma coisa.

A estabilidade nesse período era boa para Serra. Se considerarmos que as duas pesquisas são plenamente comparáveis, poderíamos dizer que ele caiu entre dezembro e janeiro, com algumas alterações na distribuição socioeconômica e geográfica de suas intenções de voto (nenhuma muito expressiva, no entanto). Mas esse desgaste não continuou nas semanas seguintes, pois um mês se passou sem mudança nos números.

Para quem, como ele, insiste em permanecer recluso e sem disposição de entrar em campo, não seria mal se as coisas estivessem assim. Sua vantagem, embora menor, permanecia, subindo significativamente quando Ciro Gomes saía da lista. Como a hipótese de só ficarem ele, Dilma e Marina parece provável, os oito pontos percentuais de frente eram reconfortantes (sempre lembrando que a ministra faz campanha e ele não).

Ou seja, as queixas unânimes de seus companheiros, insatisfeitos com sua opção de esperar o tempo certo, não seriam tão procedentes. Se o prejuízo estava contabilizado e parecia interrompido, não haveria por que pisar no acelerador. De pouco adiantaria, aliás, pois nada se compara ao poderio de comunicação de Lula e do governo federal. A ficar como Davi bradando contra Golias, quem sabe não seria mesmo melhor o silêncio em público (e a guerrilha no bastidor)?

Não tem razão, assim, quem olhou essa pesquisa e se desesperou. Se o que ela indicava fosse uma tendência, haveria muito que comemorar, no campo serrista, nos seus resultados.

O problema são as respostas a outras perguntas, além das de simples intenção de voto. Mais exatamente, as relativas ao nível de conhecimento dos candidatos, a dimensão crucial de uma eleição onde uma contendora fortíssima é ainda quase desconhecida por uma proporção muito grande do eleitorado.

Na pesquisa do Datafolha (também nesse aspecto semelhante às demais), acertaram o nome da candidata de Lula 59% dos entrevistados. O que quer dizer que os restantes 41% não teriam qualquer razão para votar em Dilma.

Se alguém não sabe sequer que ela é a candidata de Lula, sabe o quê? Como poderia dizer que votaria em uma pessoa que desconhece completamente? Como pensaria em seu nome para o cargo mais importante do País?

Para as oposições, o grave é que aqueles que não sabem são diferentes dos que já estão informados. São mais pobres, menos educados, residem mais em cidades pequenas e nas regiões menos desenvolvidas. Por isso, recebem em maior proporção o Bolsa-Família e outros programas sociais. São os que mais percebem que sua vida melhorou no período Lula e que, em função disso, estão mais satisfeitos com seu governo e mais dispostos a votar em quem ele indicar para continuar o que faz.

Segundo o Datafolha, o conhecimento de que Dilma é a candidata de Lula cresceu sete pontos (indo de 52% para 59%) entre dezembro e o fim de fevereiro. Nesse intervalo, no cenário com Ciro, ela subiu cinco pontos e Serra caiu cinco. São números tão parecidos que sugerem que a intenção de voto em Dilma cresce na razão direta do aumento de seu conhecimento, enquanto que com Serra a razão é inversa. Ele cai à medida que ela se torna conhecida.

Olhando para quem falta conhecê-la, a oposição tem todos os motivos para ficar (muito) preocupada com o que parece estar vindo pela frente.