CUT decide reforçar mobilização
em defesa do emprego e renda

A executiva nacional da CUT está reunida desde ontem (17), em São Paulo, para debater a conjuntura, avaliar os últimos desdobramentos da crise financeira internacional e seus impactos sobre o mercado de trabalho no Brasil. A Central também está discutindo novas medidas para manter a luta em defesa dos empregos e dos salários.

Foto: Divulgação CUT

Segundo o presidente da entidade, Artur Henrique, o desafio é manter a luta em diversas frentes, com o objetivo de barrar as demissões e manter o mercado interno em ação, para garantir a taxa de crescimento necessária. “Nossa ação tem de se dar em duas linhas principais: o imediato, que exige ações pontuais e rápidas, e a disputa intensa pela construção de um outro mundo necessário para o pós-crise”, afirma.

Investimentos - Artur lembra que a prioridade deve ser a manutenção de investimentos sociais, como valorização do salário mínimo e Bolsa-Família; investimentos em projetos de infraestrutura, que criem emprego e renda; uso do superávit primário para em políticas públicas, além da pressão sobre os bancos para a redução dos “spreads”.

A CUT já propôs às direções do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal o fim das taxas e a redução dos juros pela metade, em troca da Central fazer uma campanha para que os trabalhadores filiados aos Sindicatos passem a ser correntistas dos dois bancos.

Mais informações:
www.cut.org.br

Força Sindical e Febraban fazem
reescalonamento do crédito consignado

A Força Sindical e a Febraban assinaram na manhã de hoje (18) um protocolo de orientação para o reescalonamento de pagamentos do crédito consignado. A iniciativa visa reduzir os impactos da crise econômica junto aos trabalhadores.

Segundo o protocolo, sempre que houver um acordo coletivo de trabalho para redução ou suspensão temporária de salário, os pagamentos das prestações de empréstimos consignados (com desconto automático na folha de pagamento) poderão, também, serem reduzidos ou suspensos, pelo mesmo período e na mesma porcentagem.

Como fica - Pelo acordo, um trabalhador que paga uma parcela mensal de R$ 500,00 e tenha o salário reduzido em 20%, terá o mesmo porcentual aplicado à parcela do empréstimo. Ou seja, a redução será de R$ 100,00 e a parcela ficará em R$ 400,00 durante a vigência do acordo coletivo. Os valores serão acrescidos ao final do parcelamento. 

As empresas ficam responsáveis por enviar ao banco uma base de dados com a relação de empregados e valores, bem como cópia do acordo celebrado com o Sindicato. Havendo interesse por parte do empregado, este deverá procurar diretamente o banco para entendimentos sobre os valores e prazos de sua operação.

Mais informações:
www.fsindical.org.br
www.febraban.org.br

Bancários do Santander-Real vão às ruas
contra demissões nos bancos

 
Os bancários do Santander-Real fazem manifestações em todo o País, nesta quarta-feira (18), com o objetivo de reivindicar do grupo o fim das demissões que ocorreram após a fusão das instituições. Eles também denunciam o descaso do banco espanhol com as negociações que vem sendo conduzidas com os trabalhadores para evitar a dispensa de funcionários.

O banco espanhol demitiu 400 funcionários em janeiro, pouco antes de divulgar um lucro de R$ 2,8 bilhões em 2008, somente em suas operações no Brasil. Os cortes atropelaram um processo de negociação que vinha ocorrendo entre empresa e trabalhadores, justamente para encontrar alternativas que evitem as demissões.

Sem justificativa - “A atitude do banco foi absurda, um desrespeito ao processo de negociação que já estava instalado. Não existe justificativa para essas 400 demissões”, diz Paulo Stekel, diretor da Contraf/CUT e funcionário do Santander.

Segundo a entidade, a mobilização será mantida até que os banco responda às reivindicações dos trabalhadores. “Os bancários estão abertos a estabelecer alternativas às demissões e vão ficar mobilizados para que as reivindicações sejam atendidas”, afirma Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Mais informações: comunicação da Contraf/CUT
Telefone (11) 3107.2767
www.contrafcut.org.br

Conta não movimentada do FGTS
poderá ser liberada em um ano

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) apresentou projeto de lei, a partir de sugestão do Instituto FGTS Fácil e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), que permite a movimentação da conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), quando não houver depósitos no prazo de um ano. Erundina argumentou que a redução proposta justifica-se pelo fato de essa possibilidade de saque ocorrer poucas vezes.

“Ao ser desligado da empresa, o titular somente não poderá movimentar sua conta quando pedir demissão ou for dispensado com justa causa. Portanto, a redução do prazo não trará prejuízos ao fundo”, explica a deputada.

A proposta modifica ainda a forma como são corrigidos os depósitos efetuados nas contas vinculadas. Hoje, a correção é feita com base nos parâmetros fixados para atualização dos saldos dos depósitos de poupança e capitalização dos juros de 3% ao ano. Pela proposta, a atualização deverá ser feita pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com capitalização dos juros de 3% ao ano.

Tramitação - O projeto tem prioridade e será votado em plenário após análise das comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Mais informações:
www.camara.gov.br
www.ugt.org.br

Millôr e os bancos

Claro! Nenhuma catilinária contra bancos e banqueiros pode prescindir da contribuição do, como ele mesmo diz, irritante guru do Meyer. Vamos lá:

“O governo faz muito bem em proteger os banqueiros. Quando um banqueiro ganha mais 100 milhões, estatisticamente todo favelado aumenta o seu per capita”; “Banqueiro possui esquema/de fazer ovo só gema”.

Essa do assalto, então, é, perdoem, impagável: “Quando se fala sobre bancos e assaltos, pergunte logo: de fora para dentro ou de dentro para fora?”

Os ditos millorísticos acima (e outros) se encontram no Millôr Definitivo, editora PL&M, 3ª. Edição, 1994.

Vieira - “O roubar pouco é culpa; o roubar muito é grandeza”, prega o genial Antônio Vieira, no sermão proferido em 1655, em Lisboa. Mas Vieira fica para um próximo texto.

Venda de veículos cresce 8,35%
na primeira quinzena de fevereiro

A Fenabrave (federação dos distribuidores) informou que 182.522 veículos foram vendidos nos primeiros 15 dias úteis de fevereiro. Um crescimento de 8,35%, na comparação com o mês anterior. Na primeira metade de janeiro de 2009, o total de unidades vendidas foi de 168.454. O segmento de automóveis cresceu 11,36% no mesmo tipo de comparação e o de comerciais leves teve desempenho 37,7% acima do registrado em janeiro. O maior crescimento foi em ônibus, com alta de 79,09% no período.

 


Antonio Neto é presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB)

 

As eleições legislativas e a crise

Por Antonio Neto

A recente eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deixou algumas lições políticas que precisam ser registradas.

O fato de o PMDB ter ficado com o comando das duas casas legislativas mexeu um pouco, é verdade, com o equilíbrio de forças entre as duas principais legendas de sustentação do governo Lula, mas não representou nenhum abalo, muito menos ruptura entre elas, ainda que alguns setores da mídia tenham tentado insuflar uma reviravolta na posição do PT de apoio a Temer na Câmara em razão da candidatura do senador Sarney no Senado.

Os que ainda não assimilaram a aliança PT-PMDB, que há dois anos dá sustentação política, legislativa e administrativa ao atual governo, mais uma vez, aproveitaram-se do episódio para insuflar o distanciamento entre essas duas agremiações.

Gastaram muito papel e tempo de mídia para escrever a falar que uma provável eleição de Sarney – que acabou se confirmando – provocaria, inevitavelmente, a “traição” dos deputados petistas que haviam se comprometido em apoiar Temer.

Felizmente, os deputados e senadores dos dois partidos tiveram maturidade suficiente para separar o joio do trigo e perceber que os processos eleitorais deveriam transcorrer de forma independente. Foi o que aconteceu.

E, ao contrário do que apostavam alguns, a eleição de Sarney, anunciada antes, não contaminou a de Temer, que obteve o apoio formal da bancada de 14 partidos políticos, inclusive os de oposição, e a confirmação do acordo realizado pelo PMDB e o PT há dois anos atrás que alguns consideravam impossível de ser concretizado.

O governo do presidente Lula, notadamente em seu segundo mandato, retomou o crescimento econômico e a geração de empregos, ampliou como nunca os níveis de investimento público através do PAC, reforçou a posição estratégica das empresas estatais, intensificou os programas sociais, valorizou o salário mínimo e outros instrumentos vitais de distribuição de renda e riqueza, e teve um papel decisivo na criação da Unasul para o fortalecimento das relações econômicas, comerciais e políticas com os demais países da América Latina e Caribe e outros países emergentes, entre outras medidas.

E, em que pese a resistência do Banco Central de reduzir os juros de escorcha e dos bancos de manter o “spread” nas alturas e a ausência de uma política de controle do câmbio, que alimenta a remessa de lucros para o exterior e, consequentemente, a ação especulativa sobre nossa economia e os rombos crescentes em nossas contas externas, a popularidade de Lula ultrapassou a casa dos 80%, numa demonstração de que a postura firme e otimista do presidente continua sendo fundamental para neutralizar os efeitos da mega-especulação que mergulhou os países desenvolvidos, principalmente os EUA, na maior crise da história.

Nesse ponto, é importante destacar que a coalizão PMDB-PT é fundamental para que o País continue no caminho das mudanças e reúna condições políticas para reduzir aceleradamente a taxa Selic e os “spreads” bancários, e passar a ter um controle efetivo sobre os capitais especulativos, medidas indispensáveis ao crescimento da economia e à promoção da justiça social.

Essa é a nossa expectativa, a nossa esperança e a nossa luta. Seguramente, o resultado das eleições legislativas reforçou essa tendência. Melhor para o País e para as forças comprometidas com o trabalho e a produção.

Antonio Neto é presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e do Sindpd-SP