A Força Sindical considerou a decisão de Lula “uma clara demonstração de sensibilidade social”. Por meio de nota, a Central ressaltou que o aumento “é uma conquista do movimento sindical e uma derrota para os tecnocratas de alguns setores do governo que desejavam um reajuste bem menor”. A Força lembrou que o reajuste vai beneficiar mais de 8 milhões de aposentados e injetar R$ 6,7 bilhões na economia. A CUT elogiou a decisão do presidente de sancionar o reajuste, prevendo que vai continuar pressionando pela superação do fator previdenciário. “A decisão presidencial de sancionar o reajuste de 7,7% para as aposentadorias acima de um salário mínimo é positiva. Já a manutenção do fator previdenciário, a nosso ver negativa, faz a CUT continuar na luta e pela extinção desse perverso mecanismo”, diz a nota da Central. Veto - Também por meio de nota, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) considerou uma “incongruência” do governo a decisão de vetar o fim do fator previdenciário, mas elogiou a manutenção do reajuste dos benefícios. “Ao decidir acompanhar a decisão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e garantir o reajuste de 7,7% para os aposentados que recebem acima do salário mínimo, o presidente Lula mostrou coerência com seus vínculos com a classe trabalhadora e com os trabalhadores que se aposentaram após dedicar a vida inteira ao Brasil”, diz o texto. Pagamento - O ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, informou que o próximo pagamento das aposentadorias acima do mínimo já virá corrigido com o reajuste de 7,7%. Segundo o ministro, a equipe econômica ainda está discutindo como será feito o pagamento da diferença do reajuste de 6,14%, concedido de janeiro a junho deste ano, com o novo valor. Ele sinalizou que até agosto tudo deve estar normalizado. Mais informações:
Comerciários de São Paulo apresentam
O presidente do Sindicato e da UGT, Ricardo Patah, assinala no texto de apresentação que “o resultado obtido é extremamente positivo e animador”. “Fica patente a vitalidade e a capacidade de representação sindical comerciaria brasileira em negociar e conquistar avanços em benefício dos trabalhadores”, ressalta. Com 104 páginas e uma tiragem de dois mil exemplares, o caderno recebeu o título de “Cláusulas Selecionadas do Setor de Comércio no Brasil”. O grosso do material foi distribuído durante o 3º Congresso Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços, realizado em Brasília, de 24 a 26 de maio, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), mas ainda restam exemplares. Como obter - Os interessados podem entrar em contato com o Sindicato pelos e-mails comerciarios@comerciarios.org.br e fabiana@dieese.org.br e solicitar um exemplar. Mais informações:
Deu no Estadão sobre 7,7%: Dilma e Marina apóiam; Serra silencia A edição desta quarta-feira (16) do Estadão traz matéria noticiando as reações dos candidatos a presidente da República à decisão de Lula, que concedeu o reajuste de 7,7% aos aposentados que ganham mais de um salário mínimo. Segundo o jornal, a candidata do PT, Dilma Rousseff, considerou coerente a decisão do presidente Lula. Já a candidata do PV, Marina Silva, apoiou o aumento de 7,7%. Em nota, disse que Lula “tomou a decisão mais correta”. Enquanto isso, o candidato do PSDB, José Serra, que assistiu o jogo da seleção brasileira no Rio de Janeiro, evitou o assunto e disse que se pronunciaria apenas sobre a partida.
Sintapi/CUT festeja reajuste, mas quer fim do fator previdenciário O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores, Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sintapi/CUT), Epitácio Luiz Epaminondas (Luizão), foi cauteloso na comemoração do reajuste de 7,71% para as aposentadorias e pensões com valor acima de um salário mínimo. O dirigente lembrou que uma das questões prioritárias era o fim do fator previdenciário, além de cobrar avanços na “Mesa Permanente de Negociação”. “Foi uma vitória, que temos de festejar, mas não podemos esquecer que a questão do aposentado não está limitada ao reajuste. O aposentado não precisa apenas de um índice favorável, queremos avançar a discussão na mesa permanente sobre o fator previdenciário e para que outras questões que influenciam na qualidade de vida do idoso possam melhorar efetivamente”, ressaltou Luizão. Negociação - O presidente do Sintapi destacou que a sanção parcial do projeto mostra que houve avanços, mas a discussão ainda precisa avançar em outras questões como saúde, transporte, lazer e segurança, entre outras, que seriam debatidas no âmbito da “Mesa Permanente de Negociação”, criada durante as negociações sobre o reajuste do ano passado. A mesa é composta pelas entidades dos trabalhadores, dos aposentados e o governo federal, para tratar das políticas de valorização dos aposentados e idosos. Mais informações:
Começa campanha para saque de abono salarial
A campanha é composta de dois VTs e oitos spots de rádio, que serão transmitidos pelas emissoras de TV de canal aberto, rádios e jornais regionais. O objetivo é que todos os 16 milhões de trabalhadores que possuem direito ao benefício façam seus saques. Quem tem direito - Pessoas que trabalharam com Carteira assinada por pelo menos 30 dias em 2008, tenham recebido até dois salários mínimos no período e tenham mais de cinco anos de inscrição no PIS/Pasep podem procurar qualquer agência da Caixa com RG para fazer o saque. Mais informações:
Contratações na Construção Civil têm novo recorde
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Para onde vai São Paulo Por Marcio Pochmann A estabilidade monetária alcançada a partir do Plano Real, em 1994, abriu nova perspectiva para que o Estado de São Paulo voltasse a protagonizar novo ciclo de expansão econômica e social, já que respondia por quase 37% da população ocupada não pobre do País. Para isso, contudo, deveria impulsionar, em bases inovadoras, a sua estrutura produtiva, especialmente industrial, com a finalidade de potencializar o avanço das fontes contemporâneas de riqueza, cada vez mais presentes no interior do setor terciário da economia. Esse processo de modernização constituiria peça fundamental na promoção e difusão do conhecimento, ou seja, a educação, as tecnologias de informação e comunicação e o trabalho imaterial como o esteio central da geração da riqueza e do bem-estar social. Paralelamente, o esforço governamental voltado à expansão e integração da infraestrutura urbana e social poderia estimular decisivamente a economia de serviços para o crescente atendimento da demanda interna e externa. As decisões governamentais que poderiam operar como faróis a iluminar o futuro foram sendo transformadas em lanternas de freio a clarear o passado. Pelas informações geradas pelo IBGE para a contabilidade dos estados brasileiros, verifica-se o retrocesso paulista na fase recente da estabilidade monetária alcançada pelo País. O setor industrial paulista regrediu de 43% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 1996 para menos de 35% em 2007. No mesmo sentido, o setor da construção civil teve sua participação relativa diminuída de 37% para 27% no mesmo período de tempo, assim como no caso do setor produtor e distribuidor de eletricidade e gás, de água e esgoto e de limpeza (de 45% para 27%); do comércio (de 41% para 33%); da administração pública (de 21% para 19%); e de serviços (de 35% para 34%). Apesar dessas quedas relativas na participação econômica do Estado de São Paulo na produção nacional, percebe-se que houve crescimento do peso paulista em outros setores, não necessariamente estimulantes em termos da construção exitosa do seu futuro. O setor da agropecuária ampliou sua participação de 8,6%, em 1996, para 11,7%, em 2007, e o de intermediação financeira teve ampliação de 49,9% para 51,4% no mesmo período de tempo. Mesmo reconhecendo a importância dos setores agropecuários e financeiros, sabe-se que eles não são suficientes para contribuir decisivamente na construção de uma sociedade superior. O que se verifica, inclusive, são sinais de decadência, com a queda da importância relativa de São Paulo na economia nacional, de quase 36% em 1996 para 33% em 2007, e a queda da importância paulista no conjunto da população brasileira não pobre, de 37% para menos de 32%. Ademais, observa-se que as escolhas governamentais mais recentes apostam mais no passado do que no futuro. Em geral, a trajetória do desenvolvimento capitalista tem sido a evolução da sociedade agrária para a sociedade urbano-industrial, e desta para a pós-industrial. No caso paulista, entretanto, constata-se a sinalização de interrupção na passagem da sociedade industrial para o pós-industrial, com importante retorno ao velho agrarismo. O setor agropecuário gera riqueza empregando cada vez menos mão de obra, enquanto a intermediação financeira opera com crescente tecnologia de informação poupadora de força de trabalho, o que compromete o futuro de inclusão e coesão social paulista. Marcio Pochmann é presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Publicado na Folha de S.Paulo (15/06/10) |
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